Inter & Co. (INBR32) 3T25: Ritmo dos avanços capturados pelo preço. Rebaixando para recomendação neutra.
Segundo analistas do BB Investimentos, o Inter & Co. entregou no 3T25 um resultado positivo.
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
13/11/2025 às 13:18
O Banco Inter encerrou o terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 336 milhões, crescimento de +39% na comparação anual e +6% em relação ao trimestre anterior, com um ROE de 14,2%, o maior da série histórica. O resultado foi impulsionado por uma combinação de crescimento da carteira de crédito e de receitas no geral e de estabilidade na qualidade dos ativos.
Momento. O trimestre reforça a resiliência do modelo digital do Inter, com crescimento em múltiplas frentes, com o banco mantendo a trajetória de crescimento sustentável, com forte geração de valor e disciplina na rentabilidade. No entanto, a leitura dos resultados sugere que, embora a direção esteja correta, o ritmo nos parece um tanto aquém do necessário para que o Inter celebre o atingimento de sua ambição de 60 milhões de clientes, 30% de ROE e 30% de índice de eficiência dentro da janela proposta, que é até o ano de 2027.
Destaques positivos. Consideramos favoráveis: (i) a carteira de crédito, que cresceu 33% a/a – o triplo do mercado - com destaque para o consignado privado, que atingiu R$ 1,3 bilhão em seis meses; (ii) a receita líquida de R$ 2,2 bilhões, alta de +29% a/a, com forte contribuição da receita líquida de juros (+40% a/a); (iii) a base de clientes ativos, que cresceu 22,5% a/a, com taxa de ativação de 57,9%, refletindo alto engajamento e; (iv) a qualidade da carteira, que se manteve preservada, com inadimplência >90 dias estável em 4,5%.
Destaques negativos. Consideramos desfavoráveis: (i) o percentual de receitas de tarifas, que declinou a 25%, uma redução de 5,6 p.p. a/a, indicando maior dependência do crédito; (ii) as despesas operacionais, que cresceram +16% a/a, com destaque para pessoal (+10,2% a/a) mesmo com redução do quadro de colaboradores no período e (iii) o ARPAC líquido, que ficou ainda abaixo do pico histórico em R$ 32,9; (iv) o custo de risco, que se elevou a 5,4% ante 5% no tri anterior e 4,6% no 1T25 refletindo inadimplência maior estimada dado o ambiente restritivo e; (v) o custo de funding, que saltou 400 bps a 68,2% da Selic, também refletindo pressão do ambiente monetário.

Desempenho das ações
Após pressão na cotação no segundo semestre de 2024, a valorização dos BDRs do Inter (INBR32) em 2025 já oscila próximo a 100% – a maior dentre os bancos de nossa cobertura no período – respondendo a resultados majoritariamente favoráveis e um ambiente mais construtivo à renda variável que se desenhou. Vínhamos com recomendação de compra para o ativo desde 15/8/2023. Desde então o ativo se valorizou aproximadamente 130%.

Perspectivas
Perspectivas. O Inter segue em trajetória de crescimento, com avanços consistentes em crédito, engajamento e eficiência. No entanto, a entrega do plano 60/30/30 exigirá aceleração em monetização, controle de despesas e evolução mais expressiva na rentabilidade. O banco tem os pilares estratégicos bem definidos — plataforma digital escalável, uso intensivo de IA, diversificação de produtos e foco em clientes de maior valor —, mas o desafio está em transformar esta escala em mais retorno, algo que começa a ficar não tão claro. Ainda assim, compreendemos que o percalço do ambiente mais restritivo representa um obstáculo a um crescimento com maior pujança por parte do Inter, e reconhecemos que mesmo diante deste desafio o banco está avançando paulatinamente em sua operação.
Preço-alvo e Recomendação
Mantemos nosso preço-alvo de R$ 43,50 para os BDRs do Inter (INBR32) ao final de 2026. Após uma expressiva alta de mais de 100% no acumulado do ano, entendemos que boa parte das expectativas de crescimento e entrega do plano estratégico já foram precificadas pelo mercado. Por isso, apesar de tipicamente não deixarmos de recomendar a compra de empresas que se encontram em momentos favoráveis, revisamos nossa recomendação para neutra, com a sinalização de que iremos revisitar os números do Inter na sequência, especialmente à luz dos desafios que ainda se impõem para a concretização do plano 60/30/30.
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