Hapvida (HAPV3) 2T26: Sinistralidade e despesas pressionam a rentabilidade
No 2T26, a companhia apresentou redução líquida de 16 mil vidas
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
13/08/2026 às 15:09
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A Hapvida apresentou resultados negativos no 2T26, em nossa opinião, com deterioração da rentabilidade nas comparações trimestral e anual. O desempenho refletiu principalmente o aumento da sinistralidade caixa e das despesas administrativas e de vendas. No trimestre, o EBITDA ajustado totalizou R$ 504,4 milhões (-44,3% a/a), com margem de 6,3% (-5,5 p.p. a/a), e o lucro líquido ajustado somou R$ 12,5 milhões (-95,8% a/a).
A sinistralidade caixa atingiu 75,2% no 2T26, com altas de 3,0 p.p. t/t e 1,3 p.p. a/a, justificadas pela (i) sazonalidade historicamente menos favorável do período; pelo (ii) maior transbordo de contas médicas da rede credenciada, associado à maior utilização observada em março; e pelo (iii) aumento dos sinistros judiciais em relação ao trimestre anterior.
Buscando recuperar a rentabilidade e a geração de caixa, a companhia iniciou um processo de análise de sua base de contratos deficitários e estabeleceu critérios mais rigorosos para clientes inadimplentes. Nesse contexto, a base de beneficiários de saúde apresentou redução líquida de 16 mil vidas no trimestre, das quais aproximadamente 9 mil decorreram de contratos reavaliados, segundo a companhia. Ao final de junho, aproximadamente 947 mil beneficiários (cerca de 11% da carteira), estavam vinculados a contratos sob análise quanto ao equilíbrio econômico e à inadimplência. Por outro lado, os primeiros esforços relacionados ao reposicionamento comercial contribuíram para adições líquidas nos canais PME e individual na região metropolitana de São Paulo, onde a companhia vinha enfrentando uma dinâmica comercial mais desafiadora.
Destaques operacionais e financeiros


A receita bruta do trimestre totalizou R$ 8,2 bilhões (+5,0% a/a), sendo R$ 7,79 bilhões decorrentes de planos de saúde (+5,2% a/a), R$ 222,0 A receita bruta do trimestre totalizou R$ 8,3 bilhões (+3,6% a/a), sendo R$ 7,8 bilhões decorrentes de planos de saúde (+3,6% a/a), R$ 226,3 milhões de planos odontológicos (-1,6% a/a) e R$ 242,5 milhões de serviços médico-hospitalares (+11,7% a/a), estes últimos beneficiados pelo maior volume de vendas de serviços de maior valor agregado e pelo reajuste de tabelas. O ticket médio de saúde atingiu R$ 305,9 por mês (+5,7% a/a), sustentado principalmente pelos reajustes dos contratos, enquanto a base de beneficiários apresentou redução líquida de 16 mil vidas (-0,2% t/t). Na operação odontológica, a companhia registrou adição líquida de 103 mil beneficiários (+1,4% t/t), embora o ticket médio tenha recuado 4,7% a/a.
A sinistralidade caixa (MLR), que representa o custo assistencial efetivo, atingiu 75,2% (+1,3 p.p. a/a e +3,0 p.p. t/t). Segundo a companhia, a deterioração sequencial decorreu, em grande medida, da sazonalidade mais desfavorável do período, com utilização próxima aos padrões históricos, além do maior transbordo de contas médicas associado à maior utilização observada em março. Adicionalmente, houve aumento dos sinistros judiciais. No primeiro semestre, a sinistralidade caixa atingiu 73,7% (+0,8 p.p. a/a).
As despesas administrativas caixa e de vendas totalizaram R$ 1,4 bilhão, representando 16,9% da receita líquida (+3,9 p.p. a/a e +1,0 p.p. t/t). Na comparação sequencial, o aumento das despesas administrativas foi explicado sobretudo pela elevação das contingências cíveis e por um evento trabalhista pontual, enquanto as despesas de vendas foram pressionadas principalmente pelas maiores despesas com comissões.
Nesse contexto, o EBITDA ajustado totalizou R$ 504,4 milhões (-44,3% a/a e -37,2% t/t), com margem de 6,3% (-5,5 p.p. a/a e -3,9 p.p. t/t), e o lucro líquido ajustado somou R$ 12,5 milhões (-95,8% a/a e -94,9% t/t), com margem líquida ajustada de 0,2% (-3,7 p.p. a/a e -2,9 p.p. t/t).
Ao final do 2T26, a dívida líquida atingiu R$ 5,4 bilhões (+4,6% t/t), e a alavancagem financeira, medida pela relação dívida líquida/EBITDA ajustado UDM, aumentou para 1,61x, ante 1,38x no trimestre anterior, refletindo o consumo de caixa no período e a redução do EBITDA acumulado. O custo médio da dívida permaneceu relativamente estável em CDI +1,09% a.a., frente a CDI +1,12% a.a. no 1T26, com prazo médio de 3,7 anos.
Desempenho das ações

Em 2026, até o último fechamento (12/8), as ações HAPV3 acumulavam desvalorização de 40,5%, enquanto o Ibovespa avançou 4,0% no mesmo período. Em nossa avaliação, o desempenho dos papéis refletiu, em grande medida, a continuidade do processo de reavaliação das perspectivas da companhia iniciado no final de 2025, quando o mercado passou a adotar uma postura mais cautelosa em relação ao ritmo de recuperação operacional. Ao longo do ano, a divulgação dos resultados trimestrais e as alterações na liderança executiva, acompanhadas de iniciativas voltadas à retomada da credibilidade, à otimização operacional e à disciplina na alocação de capital, não foram suficientes para alterar de forma significativa as projeções no curto prazo e impulsionar o desempenho das ações.
Análise, recomendação e preço-alvo
Em nossa avaliação, o desempenho do trimestre evidencia que a recuperação da rentabilidade ainda enfrenta desafios relevantes, diante da deterioração da sinistralidade, da continuidade das pressões relacionadas à judicialização e do aumento das despesas. Adicionalmente, embora a revisão dos contratos deficitários e inadimplentes possa favorecer margens e geração de caixa, o processo pode ampliar a retração da base de beneficiários no curto prazo. Assim, preferimos acompanhar a execução das iniciativas e seus efeitos sobre os resultados ao longo dos próximos trimestres. Diante desse cenário, mantemos recomendação neutra para HAPV3, com preço-alvo de R$ 16,00 para o final de 2026.
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