Dasa (DASA3) 2T26: Avanço do EBITDA e da geração de caixa
Equipe do BB-BI analisa resultado da Dasa (DASA3)
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
14/08/2026 às 15:12
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A Dasa apresentou resultado positivo no 2T26, em nossa opinião, com crescimento das receitas, expansão da rentabilidade e melhora da geração de caixa. Em bases comparáveis, a receita bruta avançou 8,0% a/a, para R$ 2,4 bilhões, enquanto o EBITDA consolidado alcançou R$ 446 milhões (+52,6% a/a), com margem de 20,1% (+5,8 p.p. a/a), impulsionado pelo desempenho de Diagnósticos e pelos ganhos de eficiência operacional.
A geração operacional de caixa alcançou R$ 347 milhões no trimestre, ante R$ 44 milhões no 2T25, enquanto o fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 292 milhões, frente ao resultado negativo de R$ 18 milhões no mesmo período do ano anterior. A evolução refletiu principalmente a melhora da conversão dos resultados em caixa, os avanços na gestão do capital de giro e os menores desembolsos tributários.
Análise, recomendação e preço-alvo
Consideramos que o resultado do trimestre reforçou os avanços decorrentes da reorganização, com crescimento do EBITDA e geração de caixa mais robusta. Como contraponto, embora o crescimento de Diagnósticos permaneça saudável, a maior participação do segmento B2B pressionou a margem bruta, indicando uma composição de crescimento menos favorável no negócio central do novo escopo. Entendemos que essa dinâmica, combinada ao nível ainda elevado de alavancagem, não oferece suporte suficiente para uma revisão altista de nossas projeções. Dessa forma, mantemos nossa recomendação neutra para DASA3, com preço-alvo de R$ 4,00 para o final de 2026.

Destaques operacionais e financeiros
Assim como no 1T26, diante da significativa reestruturação operacional realizada pela Companhia nos últimos 12 meses, consideramos mais adequado avaliar a evolução dos resultados com base em números comparáveis, refletindo o atual perímetro operacional. Dessa forma, as comparações apresentadas neste relatório consideram bases equivalentes, contemplando apenas as atuais operações de Diagnósticos Nacional, Hospital da Bahia e Clínicas AMO.
A receita bruta da unidade de diagnósticos foi de R$ 2,2 bilhões, um avanço de 9,2% na comparação anual, sustentada principalmente pelo crescimento do volume de exames, ampliação da carteira de clientes e evolução dos segmentos B2B e premium. O volume de exames realizados aumentou 9,7% a/a, com destaque para o segmento B2B, enquanto o ticket médio apresentou retração de 0,4% a/a, refletindo a maior participação desse segmento no mix. Os custos operacionais ajustados¹ cresceram 11,8% a/a, acima do crescimento das receitas, e o lucro bruto ajustado¹ alcançou R$ 675 milhões (+3,9% a/a), com margem bruta ajustada de 33,2% (-1,6 p.p. a/a).
A unidade hospitalar e oncológica registrou receita bruta de R$ 208 milhões (-4,0% a/a), refletindo principalmente a estratégia de qualificação da receita, por meio da reestruturação do mix de fontes pagadoras em Oncologia, e a maior disciplina comercial. No Hospital da Bahia, o volume de pacientes-dia avançou 6,2% a/a e a taxa de ocupação foi de 83,7% (+7,1 p.p. a/a), mesmo com redução de 2,8% do número de leitos ativos, enquanto o ticket médio cresceu 14,8% a/a, para R$ 9.256. Os custos operacionais ajustados¹ recuaram 2,6% a/a, enquanto o lucro bruto ajustado¹ alcançou R$ 61 milhões (+4,2% a/a), com margem bruta ajustada de 32,0% (+1,5 p.p. a/a).
A Rede Américas reportou receita bruta de R$ 3,5 bilhões (+7,7% a/a), impulsionada principalmente pela evolução do ticket médio e pelo crescimento da Oncologia. O ticket médio avançou 11,6% a/a, para R$ 12,5 mil, enquanto a taxa de ocupação foi de 80,6%, com 278 mil pacientes-dia no trimestre. Os custos dos serviços prestados cresceram 4,8% a/a, abaixo da evolução da receita líquida (+12,4% a/a), contribuindo para que o lucro bruto alcançasse R$ 595 milhões (+65,2% a/a), com margem bruta de 18,5% (+5,9 p.p. a/a). O EBITDA totalizou R$ 441 milhões (+38,7% a/a), com margem de 13,7% (+2,6 p.p. a/a), enquanto o prejuízo líquido diminuiu para R$ 37 milhões, ante R$ 140 milhões no 2T25, cujo resultado é reconhecido pela Dasa na proporção de 50% por equivalência patrimonial.
O EBITDA consolidado totalizou R$ 446 milhões (+52,6% a/a), com margem EBITDA de 20,1% (+5,8 p.p. a/a), refletindo o crescimento das receitas e a evolução da eficiência operacional. As despesas gerais, administrativas e comerciais recuaram 25,4% a/a, para R$ 279 milhões, enquanto o resultado financeiro líquido permaneceu praticamente estável, negativo em R$ 306 milhões. O resultado final foi um prejuízo líquido de R$ 35 milhões, ante R$ 454 milhões no 2T25.
Em relação ao endividamento, ao final do trimestre, a dívida financeira bruta totalizava R$ 6,4 bilhões (-10,5% t/t), com custo médio de CDI + 2,14% a.a. A dívida líquida financeira registrava R$ 5,5 bilhões, praticamente estável em relação ao 1T26, enquanto o índice de alavancagem para fins de covenants² aumentou para 3,39x, ante 2,88x no trimestre anterior. A elevação refletiu principalmente a redução do EBITDA ajustado covenant UDM, em função da saída gradual da contribuição das operações desinvestidas e da diluição de efeitos contábeis extraordinários na base dos últimos doze meses. Considerando o EBITDA LTM do escopo atual, que neutraliza os efeitos da mudança de perímetro operacional, a alavancagem apresentou redução sequencial, de 3,09x para 2,91x.


Desempenho das ações

Em 2026, até o último fechamento (14/8), as ações DASA3 acumulavam desvalorização de 44,7%, enquanto o Ibovespa avançava 3,7% no mesmo período. A rentabilidade no ano foi impactada principalmente pela forte correção observada no primeiro trimestre. Apesar dos avanços reportados pela companhia nos resultados trimestrais em relação à agenda de desalavancagem financeira e eficiência operacional, o mercado permaneceu cauteloso quanto às perspectivas da empresa. Adicionalmente, consideramos que a revisão das expectativas para a trajetória das taxas de juros também representou um vetor de pressão para as ações.
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