Cyrela (CYRE3) 3T25: Companhia dobra os lançamentos em 2025 e mantém ritmo de vendas resiliente
Equipe do BB analisa resultado da Cyrela (CYRE3)
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Publicado em
14/11/2025 às 15:00
Atualizado em
14/11/2025 às 15:00
A Cyrela lançou 18 empreendimentos no trimestre, que totalizaram um valor geral de vendas (VGV; 100%) de R$ 5 bilhões, sendo a parte que cabe a companhia (ex permutas) equivalente a R$ 3,4 bilhões. Tal ritmo de lançamentos levou o acumulado nos 9M25 para R$ 9,66 bilhões (+105% a/a), sendo cerca de 58% desse total relativos a produtos de alto padrão, 16% médio padrão e os 26% restantes em empreendimentos enquadrados nas faixas 2 e 3 do programa Minha Casa Minha Vida. Embora esses últimos tenham se mantido relativamente estáveis na base anual, houve uma clara tendência de aceleração no percentual de produtos de alto padrão, avançando quase 10 p.p. nessa relação. Esse movimento chama a atenção, pois a companhia apresentou um expressivo crescimento no ritmo de lançamentos, mesmo com um patamar de juros elevados, o que historicamente tende a frear a atividade voltada a produtos mais dependentes de taxas de financiamento livres.
Uma das justificativas para esse movimento está justamente na demanda por seus produtos. As vendas líquidas ex-permuta seguem resilientes aos R$ 2,46 bilhões no trimestre (estável na base anual, +10% t/t), puxando o acumulado em 2025 para R$ 6,8 bilhões (+19% a/a). A distribuição desse volume foi de 5% de estoque pronto, 46% de produtos em fase de construção e quase metade do total relativo aos lançamentos do período, sugerindo que a companhia tem conseguido equilibrar bem o planejamento de lançamentos, ajustando o padrão dos produtos com melhores estimativas de demanda conforme a regiões de atuação. Houve uma redução pontual no indicador vendas sobre estoque (VSO) dos últimos 12 meses, em função desse incremento dos lançamentos no período, aos 50% (-4,9 p.p a/a), mas permanece em um patamar elevado em relação a outras companhias listadas com maior foco no médio e alto padrão.
O banco de terrenos da Cyrela apresentou 7 novas escriturações, todos localizados em São Paulo e que adicionam um VGV potencial de R$ 1,5 bilhão, atingindo um landbank próprio de R$ 17,2 bilhões, 25% superior ao mesmo período de 2024. Cerca de 70% desse banco de terrenos é destinado para empreendimentos de alto padrão e aproximadamente 90% está localizado em São Paulo e Rio de Janeiro.
A receita líquida atingiu R$ 2,13 bilhões no 3T25 (+5% a/a, +1% t/t), acompanhado de movimento semelhante no lucro bruto aos R$ 702 milhões (+4% a/a, +2% t/t), contando com movimento misto na margem bruta, de 33% no trimestre (-0,3 p.p. a/a, +0,3 p.p. t/t). A companhia ainda conta com um lucro bruto a apropriar de R$ 3,5 bilhões (+24% a/a, -2% t/t), que devem transitar nos resultados da companhia nos próximos trimestres, à medida que as obras em andamento avancem.

As despesas com vendas, gerais e administrativas atingiram R$ 370 milhões no trimestre (+2,9 p.p. a/a, +0,6 p.p. t/t), crescendo nas bases de comparação em função de maiores gastos com estandes de vendas e mídia pela aceleração dos lançamentos. A dívida líquida ajustada da companhia alcançou R$ 886 milhões (+32% a/a, -32% t/t), com contribuição da carteira de títulos e valores mobiliários do braço financeiro do grupo, a CashMe. De maneira consolidada, esse volume equivale a 8,2% do patrimônio líquido da companhia (12,7% no 2T25). Como evento subsequente, a companhia aprovou a 19ª emissão de debêntures no valor total de R$ 750 milhões em até 3 séries, com vencimento máximo de 15 anos. A oferta ainda se encontra em andamento e deve ser encerrada ainda no 4T25. A contribuição da CashMe também levou a um resultado financeiro positivo de R$ 57 milhões (+44% a/a, -15% t/t). Além disso, a Cyrela registrou uma geração de caixa de R$ 423 milhões no trimestre, potencializada pela estratégia de redução de participação acionária na Cury (CURY3), que gerou R$ 251 milhões no período e reverteu a queima de caixa de R$ 392 milhões no 2T25. Por fim, a Cyrela entregou um lucro líquido de R$ 609 milhões (+28,7% a/a, +57% t/t), com uma margem líquida de 28,6% (+5,3 p.p. a/a, +10,2 p.p. t/t), potencializado também pelos resultados de empresas investidas, que contêm participações em nomes listados de peso como Cury (CURY3; 15,92%), Plano & Plano (PLPL3; 33,6%) e Lavvi (LAVV3; 28,36%).
Desempenho da Ação. As ações CYRE3 avançam 109% em 2025 até ontem (13), e por representar mais de 13% da composição do principal índice Imobiliário (IMOB; a maior dentre as incorporadoras no índice), contribuiu significativamente para sua alta de 80% nessa mesma janela. Diferente do esperado anteriormente em função do cenário de juros domésticos mais elevados, a Cyrela tem conseguido diversificar seu mix de produtos, e ainda assim encontrar elevada atratividade em empreendimentos de alto padrão, mantendo ritmo aquecido de lançamentos e vendas nesse nicho. Assim, por meio de sua expertise acumulada ao longo de décadas de atuação nos principais centros urbanos do país, a companhia vem conseguindo conciliar a entrega de bons números operacionais com ajustes nos ritmos de atividade ao longo dos ciclos econômicos, reconhecimento e percepção de valor em seus empreendimentos, aliados a uma alavancagem financeira controlada.
Dessa forma, mantemos a nossa recomendação de Compra e preço alvo em R$ 39,00 para final de 2026.

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