Caixa Seguridade (CXSE3) 1T26: motor de moradia empurra resultado positivo
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
08/05/2026 às 14:57
A Caixa Seguridade iniciou 2026 com um resultado forte no 1T26, em nossa opinião, sustentado pela robustez das parcerias e pela expansão consistente das linhas associadas à moradia e aos produtos de acumulação. A companhia reportou lucro líquido gerencial de R$ 1,143 bilhão (+13,2% a/a), com receita operacional de R$ 1,524 bilhão (+10,3% a/a) e ROE recorrente de 65,9% (+7,3 p.p. a/a).
No operacional, o trimestre preservou o padrão que vem caracterizando a tese: seguros ligados à moradia seguem como principal motor de crescimento, enquanto iniciativas comerciais e evoluções na distribuição de produtos ajudam a mitigar pressões pontuais e reforçar a recorrência do resultado. O trimestre também apresentou sinais de manutenção na qualidade de resultado: no ramo de seguros a sinistralidade ficou em 22,5% (ante 24,6% no 4T25 e 22% no 1T25), enquanto o comissionamento veio em 21,7% (ante 21,0% no 4T25 e 21,9% no 1T25). Já nos indicadores operacionais, o índice combinado ficou em 54,7%, com melhora anual de 3,1 p.p. devido à menor sinistralidade. Por fim, a receita financeira foi de R$ 364 milhões, resultante de uma carteira de R$ 15,7 bilhões, menor no 1T26 ante o 4T25 por conta do pagamento de dividendos, mas com yield de 12,7%, mantendo contribuição relevante ao resultado em um ambiente ainda favorável para receitas financeiras, apesar do início do ciclo de flexibilização monetária.

Negócios de Risco. Os prêmios emitidos somaram R$ 2,461 bilhões (+5,7% a/a) no trimestre. O destaque permaneceu com o ramo habitacional, que atingiu R$ 1,087 bilhão (+13,0% a/a), em linha com a expansão da carteira imobiliária da Caixa. O seguro residencial também manteve trajetória positiva (+5,5% a/a), beneficiado pela estratégia de venda acoplada ao habitacional e ações comerciais voltadas ao aumento de penetração e renovação. O prestamista segue como linha que exige acompanhamento, mas com sinais de evolução em iniciativas de produto e canais — com destaque para ações digitais no crédito consignado via aplicativo, que podem contribuir para uma recuperação gradual de volumes ao longo dos próximos trimestres.

Negócios de Acumulação. Nos negócios de acumulação, o trimestre reforçou a diversificação do portfólio. A previdência atingiu reservas de R$ 206,8 bilhões (+15,6% a/a), com captação líquida positiva de R$ 1,3 bilhão, refletindo resiliência comercial e crescimento da base. A capitalização registrou o melhor desempenho histórico, com arrecadação de R$ 542,8 milhões (+28,3% a/a), beneficiada pelo foco em títulos de pagamento mensal e modernização de processos (resgate/revenda), o que tende a contribuir para eficiência e experiência do cliente. Em consórcios, o estoque de cartas de crédito chegou a R$ 50,9 bilhões (+39,1% a/a), sustentando tração de receitas de administração e reforçando o bom momento comercial do produto dentro da rede de distribuição.

Negócios de Distribuição. A receita de distribuição/comissionamento totalizou R$ 620,7 milhões, com 63,9% originada de produtos de seguros e 36,1% dos negócios de acumulação — mix que mantém a característica defensiva e diversificada do modelo. Em nossa leitura, a contribuição estável das linhas de distribuição segue relevante por reforçar a previsibilidade do resultado, enquanto o crescimento das participadas (MEP) tende a continuar como principal alavanca de expansão.

Desempenho das ações. Em 2026, até o momento (8/5), as ações CXSE3 acumularam valorização de 11%, enquanto o Ibovespa registra +14% no período. Consideramos que a consistência de resultados, o fluxo de capital positivo e o ambiente de maior propensão a risco apoiaram a valoração das ações; avaliamos, porém, que o desempenho abaixo do índice reflete o fato de a companhia não figurar entre as teses prioritárias de alocação no momento, dado o menor espaço para revisões de lucro decorrente de significativas variações operacionais e de projeções de resultados financeiros relativamente menores com o início do ciclo de corte de juros.

Avaliação, recomendação e preço-alvo. O 1T26 reforça nossa leitura de que a Caixa Seguridade segue bem posicionada para entregar crescimento com alta rentabilidade, combinando (i) motor estrutural em moradia (habitacional/residencial), (ii) ganhos de escala e maturidade das parcerias, e (iii) diversificação crescente em acumulação (consórcio/capitalização) com reservas elevadas em previdência. Nesse contexto, a política de dividendos permanece como componente relevante da tese, mitigando volatilidade e sustentando o carrego. Assim, reiteramos nossa recomendação de compra para CXSE3, com preço-alvo de R$ 19,50 para o final de 2026.
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Disclaimer
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.
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