No 1T26, a CSN apresentou um resultado operacional em linha com o esperado, com variações na performance entre os segmentos. No consolidado, o EBITDA ajustado ficou em R$ 2,6 bilhões (-20,4% t/t), que representou uma margem EBITDA ajustada de 23,9% (-3,9 p.p. t/t). O resultado financeiro foi negativo em R$ 1,3 bilhão, similar ao do 4T25, e na última linha, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 555 milhões (ante prejuízo de R$ 721 milhões no 4T25).
Na Siderurgia, houve queda de 2,5%, a/a no volume de vendas, refletindo o cenário de mercado persistentemente adverso, com importações de aço ainda mais elevadas dado o movimento de abastecimento de estoques antes da vigência das novas medidas de defesa comercial anunciadas pelo governo brasileiro. Segundo a companhia, houve forte crescimento das vendas no mercado interno em março, que contribuiu para o avanço de 12,1% nas vendas totais em relação ao trimestre anterior. No entanto, esse crescimento foi impulsionado pelas vendas no mercado externo, cujo volume do 1T26 superou o volume em todo o ano de 2025 (+46,8% t/t), e foram realizadas pelas subsidiárias internacionais da companhia.
Já em termos de preços médios, estes permaneceram estáveis t/t no mercado doméstico, com um mix de vendas mais fraco e a companhia abrindo mão do reajuste aplicado em janeiro. Segundo a empresa, a melhora do ambiente de negócios em março pode suportar um avanço desses fatores nos próximos meses. Por outro lado, após ter atingido o menor nível dos últimos quatro anos no 4T25, o custo de produção de placa teve o primeiro incremento desde o 1T25 (+2,3% t/t), refletindo o aumento no custo de energia e dos combustíveis. Como resultado, o EBITDA ajustado ficou em R$ 393 milhões (+1,9% em relação ao 4T25, excluindo-se os efeitos não recorrentes daquele trimestre), e a margem EBITDA ajustada foi de 7,0% (-0, 4 p.p. t/t), desempenho abaixo das demais siderúrgicas brasileiras listadas, cuja rentabilidade do segmento avançou no 1T26 (Usiminas 10,4% e Gerdau 9,2%).
Já a CSN Mineração apresentou um resultado operacional em linha com o esperado no 1T26, com volumes resilientes e avanço da produção própria, conforme comentamos em nosso relatório de resultado da empresa. O EBITDA ajustado ficou estável na comparação anual em R$ 1,4 bilhão, mas reduziu 19,4% t/t, enquanto a margem avançou para 44,9% (+3,0 p.p. a/a e +2,0 p.p. t/t). Por fim, o lucro líquido foi de R$ 222 milhões, uma redução de mais de 80% t/t, e a dívida líquida reduziu 5,8% em relação ao encerramento do 4T25, com a alavancagem financeira mantendo-se estável em 0,11x dívida líquida/EBITDA.
A CSN Cimentos apresentou queda de 4,5% a/a no volume de vendas, justificada pelas chuvas acima da média para o período, e a retração também se deu na comparação trimestral, em razão da estratégia da companhia de priorizar margens em detrimentos de volumes. Esse efeito também foi observado nos preços, refletindo o carrego dos trimestres anteriores e os novos reajustes implementados, dado o ambiente favorável de demanda resiliente. Já os custos permaneceram estáveis t/t. Como resultado de todos esses fatores, o EBITDA ajustado atingiu R$ 393 milhões (+6,7% t/t e patamar recorde já registrado pela companhia), com a margem EBITDA ajustada de 31,2% (+2,0 p.p. t/t).
Dívida líquida e alavancagem seguem elevados
O fluxo de caixa livre foi novamente negativo, porém em montante ainda mais expressivo (R$ 1,6 bilhão, ante R$ 282 milhões no 4T25), refletindo, além do menor desempenho operacional, o consumo de capital de giro (R$ 1,3 bilhão), investimentos (R$ 1,1 bilhão), efeito caixa do resultado financeiro (R$ 1,2 bilhão), e a amortização de R$ 2,8 bilhões em dívidas. Assim, a dívida bruta encerrou o 1T26 em R$ 55,1 bilhões (-R$ 2,1 bilhões t/t), e a posição de caixa recuou a R$ 14,6 bilhões (ante R$ 16 bilhões no 4T25), o que levou a uma ligeira redução de R$ 700 milhões na dívida líquida, que ficou em R$ 40,5 bilhões, e na alavancagem financeira para 3,36x dívida líquida/EBITDA (ante 3,47x no 4T25).
Durante teleconferência para apresentação do resultado realizada nesta tarde (14), a companhia reforçou que segue focada em seu plano de desinvestimentos, com o processo de venda do controle da CSN Cimentos dentro do cronograma planejado, e que foram recebidas mais de 7 propostas de players e segue dentro do cronograma planejado. Vale mencionar que, em meados de abril, a companhia contratou um empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão, com o objetivo de antecipar parte dos recursos a serem levantados pela venda dos ativos, tendo como colateral da operação a própria operação de cimentos. Os recursos serão utilizados para o abatimento de dívidas de curto e médio prazos.
Desempenho das ações e perspectivas
As ações CSNA3 caem quase 30% em 2026 até o fechamento de ontem (13), refletindo, ao nosso ver, o aumento das preocupações do mercado com relação ao balanço da companhia, em especial com seu patamar de endividamento e alavancagem.
Apesar da redução mostrada neste trimestre e do avanço do processo de venda da operação de cimentos, destacamos que esses indicadores seguem elevados, e permanecem como principal ponto de atenção para a companhia. Por outro lado, os avanços recentes em medidas de proteção comercial podem representar um passo relevante para a melhora do ambiente competitivo do setor de siderurgia no mercado interno e de fato proporcionar uma recuperação gradual e sustentável da rentabilidade deste segmento, o que poderia contribuir para a melhora desses indicadores. Ainda assim, seguimos com o entendimento de que uma aceleração mais significativa na redução do endividamento e da alavancagem dependerá de iniciativas com impacto financeiro mais significativo, como a concretização das vendas de ativos planejadas pela companhia, que são fortemente condicionados a fatores externos, fora de seu controle direto.
Assim, por ora, preferimos manter a cautela, reiterando a recomendação de Venda para CSNA3, e até incorporarmos o resultado em nosso modelo financeiro, mantemos o preço-alvo para o final de 2026 de R$ 11,00.
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