CSN Mineração (CMIN3) 4T24: recuperação nos preços de minério impulsiona a receita e leva ao maior resultado desde o 2T21
Resultado acima do esperado no 4T24, impulsionado pela recuperação nos preços de minério
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
13/03/2025 às 11:28
A CSN Mineração reportou um resultado acima do esperado no 4T24, impulsionado pela recuperação nos preços de minério, que mais do que compensaram a queda no volume de vendas em razão do período chuvoso (-9,7% t/t). Em reação aos bons números apresentados, as ações CMIN3 chegaram a subir mais de 10% logo após a abertura do pregão de hoje (13).
A receita líquida/tonelada teve incremento de 34,4% em relação ao baixo patamar do 3T24 e atingiu US$ 61,71/t, levando a receita líquida a R$ 3,9 bilhões (+31,4%% t/t). A redução dos volumes impactou a diluição de custos fixos, de modo que o custo caixa C1 tivesse incremento de 6,3% t/t para US$ 20,4/t (ante US$ 19,10 no 3T24), mas ainda permaneceu abaixo da média do ano. Já o preço de frete marítimo, que havia atingido o pico no 3T24, reduziu 19% t/t. A combinação de todos esses fatores levou a um expressivo avanço de 76,9% t/t no EBITDA ajustado, que superou R$ 2 bilhões, e ganho de 13,3 p.p. t/t na margem EBITDA ajustada, que foi a 51,6%.
Além disso, o resultado financeiro foi positivo em R$ 815 milhões (revertendo os R$ 425 milhões negativos do 3T24), beneficiado pela variação cambial sobre o caixa, que possui grande exposição ao dólar. Assim, na última linha, a empresa reportou o segundo maior lucro líquido trimestral já reportado, de R$ 2 bilhões, e um salto de 352% t/t.
Expressivo incremento no EBITDA Ajustado e Lucro Líquido

Os investimentos foram de R$ 659 milhões (R$ 475 milhões no 3T24) e inclui a parcela destinada aos projetos de expansão, de R$ 242 milhões, que representa um incremento de 24,2% em relação ao 3T24 – explicado pelo início das obras de infraestrutura da P15 –, mas ainda reflete um ritmo lento na execução do plano de expansão, que totalizou R$ 530 milhões em 2024. Em 2024, os investimentos totais somaram R$ 1,8 bilhão no ano e ficaram abaixo da estimativa de desembolso da companhia para o ano (de R$ 2 bilhões). Sobre esse ponto, vale lembrar que, em seu evento anual CSN/CMIN Day 2024 realizado em dezembro, a empresa revisou novamente seu guidance de capex para os projetos de expansão, que passou de R$ 15,6 bilhões no período de 2023-2028 para R$ 13,2 bilhões entre 2025-2030, de modo que a média anual de desembolsos esperada é de R$ 3,6 bilhões daqui para a frente, bem acima dos R$ 500 milhões anuais despendidos em 2023 e 2024.
A empresa encerrou o 4T24 com caixa de R$ 15,2 bilhões, um incremento de R$ 700 milhões sobre o final do 3T24, como resultado do fluxo de caixa livre positivo em R$ 212 milhões, e pela assinatura de novos contratos de pré-pagamentos, que é uma prática usual da companhia. A dívida bruta avançou R$ 1,4 bilhão ante o 3T24 em razão da variação cambial sobre os empréstimos em moeda estrangeira, mas ainda assim, a empresa permaneceu com posição de caixa líquido de R$ 4,6 bilhões.
Papéis CMIN3 subiram mais de 9% logo após a abertura do pregão em reação aos bons números apresentados

Os papéis da CSN Mineração seguem com elevada volatilidade desde o início do ano, refletindo, ao nosso ver, as preocupações dos investidores sobre o nível de demanda da commodity, principalmente em razão das incertezas sobre o crescimento da China – a despeito da meta de crescimento do PIB estabelecida pelo país, em torno de 5% em 2025, e das reiteradas promessas de apoio do governo do país ao consumo interno –, que se intensificaram com os anúncios de elevação de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos às importações chinesas. Além disso, a adoção, pelos Estados Unidos, de uma tarifa de importação de 25% para aço para todos os países adicionou ainda mais dúvidas quanto à dinâmica de comércio global da commodity. No curto prazo, entendemos que tais temas devem continuar trazendo elevada volatilidade e fortes oscilações aos papéis do setor em reação às notícias relacionadas.
Além disso, apesar dos números acima do esperado no 4T24, a alta variação no desempenho operacional da CMIN entre os trimestres segue limitando a visibilidade sobre os resultados futuros. Mesmo diante da relativa estabilidade das cotações de minério observada recentemente, que pode continuar contribuindo para compensar os volumes sazonalmente baixos no 1T25, e do alívio nos custos de produção, a oscilação na linha de fretes marítimos pode continuar a impactar as margens operacionais, como já ocorreu anteriormente. Vale mencionar que, embora tenham permanecido abaixo da média observada no 4T24 durante os dois primeiros meses de 2025, os preços spot de fretes marítimos1 tiveram um salto desde o início de março e voltaram a superar o patamar visto no último trimestre do ano passado. Em teleconferência realizada nesta manhã (13), a companhia afirmou que fechou contratos de frete para cerca de 9,4 Mt de minério em um patamar ligeiramente abaixo da cotação atual, o que deverá contribuiu para segurar o gasto médio com embarques neste trimestre. Por fim, observamos que as ações CMIN3 estão sendo negociadas próximo de seu próprio múltiplo EV/EBITDA histórico (de 4,6x, na média de 2 anos), e apresentam baixo upside para nosso preço-alvo 2025e de R$ 5,90. Assim, tudo considerado, reiteramos a recomendação de Venda.

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