Bradesco (BBDC4): BB analisa o resultado do 4T22
Resultado fraco induz redução do preço-alvo. Recomendação segue neutra para as ações
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
28/07/2025 às 10:34
O Bradesco apresentou um resultado que consideramos negativo no 4T22, com lucro líquido recorrente de R$ 1,57 bilhão, equivalente a um ROE trimestral de 3,9%. O resultado foi desfavorecido principalmente pela forte escalada das despesas com provisões (PDD), que incluiu 100% do provisionamento (equivalente a R$ 4,9 bilhões) de um caso específico relativo ao segmento grandes empresas, que acreditamos se tratar da Americanas.
Momento
O resultado do 4T não apenas acentuou algumas tendências negativas mais claramente vistas ao longo do segundo semestre do ano passado, em especial da qualidade de crédito, mas também conteve um evento de impacto considerável – o da Americanas – ao qual o Bradesco possui exposição relevante. Mesmo isolando o provisionamento massivo de Americanas – já que, ao contrário de Itaú e ABC, o Bradesco optou por transitar por completo na DRE – vimos escalada significativa nas despesas com provisões, resultante de índices de inadimplência que evidenciam piora em praticamente todos os segmentos, mas com mais ímpeto em Pequenas e Médias Empresas, que se juntam ao já pressionado segmento de Pessoas Físicas, formando um quadro que mostra deterioração preocupantemente acima de demais representantes do setor bancário. Até mesmo os anteriormente estáveis índices de atrasos antecedentes (entre 15 e 90 dias) pioraram no trimestre.
Perspectivas
Alguns alentos, no entanto, são visíveis em nossa opinião: a margem com clientes se expande de maneira forte, a receita de seguridade também acelera, assim como a receita de serviços, que mostra boa dinâmica apesar da desaceleração acentuada da carteira de crédito. Ademais, os custos permanecem controlados, crescendo abaixo da inflação. Apesar disso, acreditamos que, no curto prazo, a pressão da inadimplência, que empurra despesas com provisões, e a contribuição da receita de tesouraria (margem com o mercado), que deve permanecer negativa durante a maior parte de 2023 em função do patamar da Selic, que por sua vez pune a estrutura de ativos e passivos do banco, devem continuar pressionando os números do Bradesco ao longo dos próximos trimestres. Apesar do banco já sinalizar estar tomando medidas em direção a uma safra de crédito mais salutar, ponto chave para uma descompressão da inadimplência, entendemos que o desafio é grande, dado o perfil de clientes do banco, mais suscetível a ciclos econômicos desfavoráveis.
Americanas
Sem a provisão de R$ 4,9 bilhões, e considerando um benefício tributário de 45%, o impacto no lucro do 4T do Bradesco foi próximo a R$ 2,7 bilhões. Se excluído tal impacto, o lucro teria sido, portanto, de R$ 4,26 bilhões, equivalente a um ROE trimestral de 10,3%.
Preço-alvo e recomendação
Incorporamos os números do 4T (e do ano) de 2022 ao valuation, projetamos novas dinâmicas com base no novo guidance divulgado pelo Bradesco e ajustamos o custo de capital próprio para refletir as condições mais árduas do cenário macro, e apresentamos nosso novo preço-alvo de R$ 15,50 para o final de 2023, o que representa um potencial de valorização de 12,3% com base no preço atual. Salientamos que este preço-alvo deriva da projeção de eventual retorno da capacidade operacional do Bradesco a índices históricos, ou seja, não contempla deterioração ou manutenção do mau momento atual por período prolongado . Com a redução do preço-alvo, mantemos a recomendação Neutra para as ações do Bradesco, entendendo que o a inflexão ao momento desafiador do banco ainda não está no horizonte.
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