Boletim Agro BB
Confira as análises e tendências das principais commodities
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
15/05/2026 às 11:03
O Boletim Agro consiste em relatório trimestral desenvolvido pela equipe de economistas do BB onde apresenta uma análise detalhada dos principais indicadores de produção de grãos, cereais e pecuária, além de previsões sobre clima, fertilizantes e tendências no mercado de commodities. Nele, é possível encontrar análises e projeções sobre:
- Café
- Cana-de-açúcar
- Fertilizantes
- Trigo
- Soja
- Bovinos
- Milho
- Avicultura
- Arroz
- Suinocultura
- Algodão
Olhar do economista
As divulgações mais recentes confirmam, de forma clara, o cenário que vínhamos antecipando nos relatórios anteriores. A produção brasileira de grãos, cereais e oleaginosas segue operando em patamar historicamente elevado, com os números oficiais convergindo para a leitura de uma nova safra recorde. Esse movimento valida a confiança que sustentamos ao longo do período recente nos fundamentos do setor e na capacidade do agro brasileiro de entregar volume mesmo em um ambiente mais desafiador do ponto de vista climático e de custos.
Ainda que partam de metodologias distintas, IBGE e Conab sinalizam uma dinâmica bastante semelhante: após o forte avanço observado no último ciclo, a produção nacional tende a apresentar variação moderada, compatível com a elevada base de comparação deixada pela safra recorde anterior. O desempenho segue sustentado, sobretudo, pela soja — que mantém trajetória de expansão, alcançando um novo recorde neste ano — e pelo café, que apresenta perspectivas positivas. Em sentido oposto, culturas como milho, arroz, trigo, sorgo e algodão exibem ajustes mais pronunciados, influenciadas tanto por fatores climáticos quanto pelo próprio efeito base.
Na pecuária, mantemos a leitura de que o ciclo bovino caminha para uma fase de retração em 2025, com recuo na produção de carne bovina. Esse ajuste, contudo, deve cumprir um papel importante à frente: ao deteriorar a base de comparação, cria condições mais favoráveis para um desempenho positivo do segmento em 2027. Além disso, o crescimento contínuo de suínos e aves — apoiado pelo bom ritmo das exportações e pela demanda interna resiliente — contribui para amortecer os efeitos do ajuste bovino sobre o agregado da pecuária.
Olhando para um horizonte temporal mais amplo, duas forças devem influenciar o desempenho do agro brasileiro, ainda que com magnitudes distintas. De um lado, o acordo –União Europeia amplia o conjunto de oportunidades para o setor, fortalecendo a competitividade no médio e longo prazo ao ampliar o acesso a mercados de maior valor agregado e estimular investimentos alinhados a padrões internacionais de sustentabilidade e rastreabilidade. De outro, a elevada probabilidade de um episódio de El Niño de forte intensidade entre o fim deste ano e o início do próximo impõe riscos relevantes à produtividade, especialmente em culturas como milho, soja, café, arroz, algodão e lavouras de inverno. Soma-se a esse quadro um ambiente geopolítico ainda marcado por elevada incerteza. O conflito no Oriente Médio permanece em um ponto de instabilidade, mantendo sensível a precificação de ativos financeiros e de commodities. Para o Brasil, os impactos se materializam tanto pelo canal dos custos de energia quanto pelo encarecimento dos fertilizantes — insumo do qual o país segue fortemente dependente do mercado externo.
Diante desse conjunto de informações, a crescente aproximação entre as projeções do IBGE e da Conab reforça nossa expectativa de crescimento de 1,0% do PIB agropecuário em 2026. Para 2027, revisamos o cenário para contemplar uma retração marginal de 0,5%, refletindo de forma prudencial o cenário climático que se desenha e os impactos decorrentes da recente elevação dos preços dos fertilizantes. Trata-se, contudo, de uma revisão cautelosa. Uma eventual melhora no ambiente internacional, especialmente no que se refere à normalização logística e aos mercados de fertilizantes, bem como a incorporação de novas informações ao longo dos próximos trimestres, pode abrir espaço para revisões adicionais. A experiência recente segue reforçando que o agro brasileiro possui elevada capacidade de adaptação e resposta, característica que, recorrentemente, o recoloca como vetor relevante do crescimento econômico do país.

