Banrisul (BRSR6) 4T24: BB-BI mantém recomendação neutra com resultado misto.
Segundo analistas do BB Investimentos, o Banrisul apresentou no 4T24 um resultado misto.
Publicado por: Análise BB

Segundo analistas do BB Investimentos, o Banrisul apresentou no 4T24 um resultado misto.
Publicado por: Análise BB
Atualizado em
13/02/2025 às 11:17
O Banrisul apresentou no 4T24 um resultado que consideramos misto, com lucro líquido ajustado de R$ 284 milhões (+44% t/t e -6,6% a/a), equivalente a um ROAE de 11%. O resultado foi beneficiado no comparativo trimestral pelo crescimento da margem financeira, mas compensado por maiores custos e despesas, especialmente custo do crédito (PDDs) e provisões cíveis, fiscais e trabalhistas, e também por uma diminuta alíquota efetiva de imposto, fruto de otimização através do pagamento de JCP e utilização de créditos tributários.
Momento. Em nossa leitura, o Banrisul continua a sua saga de busca pela maior rentabilidade enquanto o crescimento de carteira e de receitas esbarra persistentemente em um controle de custos aquém do ideal. Apesar da solidez da base de clientes e de avanços na digitalização, a pressão sobre as despesas e provisões segue como um obstáculo para ganhos expressivos de eficiência, cujo índice permaneceu estável em 2024 ante 2023 em 58,4% – um dos piores da indústria.
Os destaques positivos, em nossa leitura, ficaram por conta (i) do crescimento robusto da carteira de crédito (+15,6% a/a) com protagonismo do Agro (+20,6% a/a) mas também com variações significativas em demais linhas; isto foi a principal alavanca para (ii) a expansão da margem financeira (+9,9% t/t e +14,4% a/a), já que enquanto percentual sobre os ativos rentáveis, houve predominante estabilidade no ano de 2024 sobre 2023 (5,27% ante 5,31%).
Os destaques negativos, em nossa visão, foram a alta das despesas com provisões (custo do crédito) que totalizaram R$ 325 milhões (+8,5% t/t e +49,9% a/a) refletindo, segundo o banco, a rolagem da carteira por níveis de rating, provisão adicional para o crédito consignado, e o próprio aumento da carteira; mas o principal ofensor do resultado foi (ii) a escalada da linha Outras Despesas, com o item Despesas Cíveis, Fiscais e Trabalhistas pesando com R$ 200 milhões no trimestre (+65,6% t/t e +49,9% a/a), devido à reclassificação de uma causa trabalhista de possível para provável no período.

As ações do Banrisul operam significativamente aquém do Ibovespa nos últimos 12 meses, refletindo, em nossa leitura, não apenas a volatilidade advinda da tragédia climática vivida pelo RS em maio do ano passado, mas também a dificuldade do banco em promover uma estrutura mais rentável.
Temos recomendação Neutra para as ações do Banrisul desde 19/8/2021. Desde então a ação se apreciou 12%, quando contabilizados proventos, contra uma variação de 6% do Ibovespa e 15,7% do IFNC.

O Banrisul divulgou projeções próprias (guidance) para 2025, incluindo: crescimento da carteira de crédito entre 6% e 10%; expansão da margem financeira entre 7% e 12%; custo do crédito entre 1,2% e 2,2% e despesas administrativas com alta entre 7% e 11%. Em nossa leitura, tais anseios sinalizam – especialmente com o crescimento das despesas – uma manutenção do desafio da expansão da eficiência, com a questão chave permanecendo sobre um eventual momento em que os ganhos oriundos dos investimentos em digitalização serão capturados. Apesar de elementos majoritariamente saudáveis, com uma carteira que se expande de forma satisfatória, margem financeira ajustada ao custo de crédito adequada, e inadimplência baixa, temos pouca visibilidade quanto a uma eventual expansão da rentabilidade do banco. Soma-se a isto um cenário macro no horizonte que sugere condições mais restritivas para o setor no futuro próximo, e temos poucos motivos para modificarmos nossa visão pouco otimista para o curto prazo do Banrisul.
Sem alterações no valuation por hora, mantemos nosso preço-alvo em R$ 14,50 para o final de 2025. Apesar de vasto potencial diante do preço atual, mantemos nossa recomendação Neutra, levando em consideração a ausência de visibilidade quanto a uma melhora de rentabilidade estrutural do banco.






Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes, em princípio, fidedignas e de boa-fé. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não sejam incertas ou equivocadas, no momento de sua publicação, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio, em função de mudanças que possam afetar as projeções da empresa, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Quaisquer divergências de dados neste relatório podem ser resultado de diferentes formas de cálculo e/ou ajustes. O Disclaimer completo encontra-se no relatório.
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