Banrisul (BRSR6) 2T25: qualidade do crédito direciona um resultado positivo
Segundo analistas do BB Investimentos, o Banrisul apresentou no 2T25 um resultado positivo.
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
22/09/2025 às 17:17
Destaques do Resultado
O Banrisul apresentou no 2T25 um resultado que consideramos positivo, com lucro líquido ajustado de R$ 377,7 milhões (+56% t/t e +52% a/a), equivalente a um ROAE anualizado de 14,3%. O resultado foi favorecido por uma margem financeira maior no comparativo trimestral, queda no custo de risco (provisões) e ligeira alta nas receitas de serviços, com compensação parcial de maiores despesas administrativas e provisões cíveis/trabalhistas.
Momento. No 1T, ressaltamos que a principal métrica de rentabilidade do Banrisul – o ROE – oscilava ao sabor do nível de custo de crédito (provisões). Este trimestre não foi diferente, já que entre dinâmicas positivas e negativas foi justamente uma queda expressiva no custo do crédito que permitiu o Banrisul exibir um retorno em nível não visto desde o período pré-pandemia.
Os destaques positivos, em nossa leitura, ficaram por conta (i) da dinâmica de risco, com o recuo das perdas líquidas esperadas no 2T (provisões: -45% t/t e -39% a/a) calcadas em uma inadimplência estável em 2,17%; (ii) da carteira de crédito, que exibe variação robusta de 17% no comparativo a/a, com destaque para a carteira comercial (+15% a/a), embora esta deva arrefecer de acordo com as projeções próprias (guidance) que foram reafirmadas; por fim, (iii) da recomposição de “outras despesas operacionais”, que ajudou a suavizar a pressão de custos.
Os destaque negativos, em nossa visão, ficaram por conta (i) das receitas de serviços, que variaram apenas 2,7% a/a, falhando em acompanhar o ritmo de expansão do crédito, e inclusive das despesas. Estas últimas oscilaram organicamente sem maiores destaques, ajudando o índice de eficiência a exibir ligeiríssima melhora dado que subiram menos que as receitas, mas este indicador ainda oscila acima de 60% - um dos piores da indústria.

Desempenho das ações
As ações do Banrisul (BRSR6) operaram próximas ao Ibovespa nos últimos 12 meses, refletindo uma alternância entre resultados mais ou menos mornos, tendência que tem sido a tônica ao longo já de diversos anos. Temos recomendação Neutra para as ações do Banrisul desde 19/8/2021. Desde então a ação se apreciou aproximadamente 20%, quando contabilizados proventos, contra uma variação de aprox. 17% do Ibovespa e aprox. 47% do IFNC.

Perspectivas
O Banrisul reafirmou suas projeções próprias (guidance) para 2025, a saber: crescimento da carteira de crédito entre 6% e 10%; expansão da margem financeira entre 7% e 12%; custo do crédito entre 1,2% e 2,2% e despesas administrativas com alta entre 7% e 11%. Em nossa leitura, tais anseios sinalizam – especialmente com o crescimento das despesas – uma manutenção do desafio da expansão da eficiência, com a questão chave permanecendo sobre um eventual momento em que os ganhos oriundos dos investimentos recentes em digitalização serão capturados. Apesar de elementos majoritariamente saudáveis, com uma carteira que se expande de forma vigorosa (mas prevista a arrefecer), margem financeira ajustada ao custo de crédito sólida, e inadimplência baixa, temos baixa visibilidade quanto a uma eventual expansão da rentabilidade do banco, atualmente vinculado a um item que tem sido volátil (não apenas para o Banrisul mas diversos bancos) como o custo do crédito no contexto de novas normas regulatórias. Soma-se a isto um cenário que sugere cautela para o crédito no futuro próximo, e temos poucos motivos para modificarmos nossa visão pouco otimista para o curto prazo do Banrisul.
Preço-alvo e recomendação
Atualizamos o valuation e apresentamos nosso novo preço-alvo em R$ 16,00 para o final de 2026. Apesar de potencial diante do preço atual, mantemos nossa recomendação Neutra, levando em consideração a ausência de visibilidade quanto a uma melhora de rentabilidade estrutural do banco, acrescentando que gostaríamos de observar o comportamento da inadimplência, do custo do crédito e principalmente do conjunto de despesas estruturalmente elevadas por mais resultados para entender uma possível expansão da rentabilidade do banco de forma consistente.
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