BTG Pactual (BPAC11) 2T25: rentabilidade histórica
Segundo analistas do BB Investimentos, o BTG Pactual entregou no 2T25 um resultado positivo.
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
17/09/2025 às 10:40
O BTG Pactual apresentou um resultado que consideramos positivo, com lucro líquido ajustado de R$ 4,1 bilhões, equivalente a um ROAE de 27,1%. O resultado foi favorecido pelo contínuo avanço em praticamente todas as linhas, mas em especial pelo Investment Banking que se beneficiou de uma retomada no período.
Momento. Quando é ruim é bom, e quando é bom, é ótimo – este tem sido o mote do BTG, que em trimestres mais fracos consegue driblar as adversidades por meio de suas fontes diversificadas de receitas e franquias, enquanto nos momentos mais construtivos (como este 2T25) consegue exibir um salto em rentabilidade, alavancagem operacional e eficiência.
Os destaques positivos, em nossa leitura, ficaram por conta (i) das receitas recorrentes e diversificadas de Sales and Trading (+38% a/a), Corporate Lending (+37% a/a) e Wealth (+34% a/a), que se beneficiaram do aumento da atividade de clientes somado a captações líquidas robustas; (ii) a eficiência, cujo índice atingiu o melhor nível desde o 4T21, apesar do forte aumento das despesas operacionais (aprox. 32% a/a), já que estas foram mais do que compensadas por receitas maiores ( aprox. 38% a/a); (iii) a linha interest and other foi capaz de entregar mais volume beneficiada por um ambiente de juros mais elevado sobre o patrimônio tangível; e (iv) a linha Investment Banking – a mais volátil do BTG – que neste tri viu simultaneamente uma maior atividade em DCM e uma janela que capturou um maior volume de negócios em M&A.
Os destaques negativos, em nossa visão, ficaram por conta (i) do crescimento das despesas, cujo item bônus (o maior componente) viu um salto de 55% na comparação a/a, significativamente maior do que as receitas no período, pressionando o resultado, ainda que ligado à excelente performance que o banco vem apresentando e; (ii) a receita de Asset Management deslizou 15% no comparativo trimestral por conta da contribuição acima da média vinda das participações em gestoras independentes ocorridas no trimestre anterior, que prejudicam a comparação, ainda que o AuM tenha permanecido em expansão (+6,3% t/t e +18,5% a/a).

Desempenho das ações
As units do BTG (BPAC11) costumam capturar de forma mais sensível mudanças de expectativas de juros, atividade em mercado de capitais e risco Brasil, por ser uma empresa associada a crescimento. Nos últimos 12 meses viu inferno e céu por conta da rápida mudança de ambiente nas variáveis citadas acima, e em 2025 um complicador: a oscilação do Brasil entre beneficiado e prejudicado pelo ambiente tarifário dos EUA. Esperamos resposta positiva ao forte resultado nas negociações de hoje, incluindo possíveis reprecificações diante dado o contexto operacional incrementalmente mais favorável.

Perspectivas
O BTG não dá sinais de arrefecimento do bom momento que já surfa há anos, com forte execução de suas principais franquias, que crescem tanto orgânica quanto inorganicamente, permitindo não a manutenção, mas a expansão de rentabilidade. Apesar do ambiente monetário restritivo o BTG deve continuar capturando ganhos de sinergia em sua estrutura de receitas diversificadas enquanto segue ampliando sua bandeira (exemplo com a aquisição da Julius Baer no Brasil) e atuação a nível global (exemplo da aquisição do HSBC Uruguai). O mercado de capitais também deve continuar ativo, favorecendo as vertentes mais sensíveis no curto prazo. Quanto aos riscos a serem monitorados, que são principalmente eventuais choques tarifários e pressão na capacidade de pagamento das empresas, estes se magnificaram recentemente, ganhando peso no radar como elementos que podem pressionar resultados futuros, embora ainda não inspirem preocupação crítica.
Preço-alvo e recomendação
Atualizamos o valuation, e apresentamos nosso novo preço-alvo das units BPAC11 de R$ 48,00 para o final de 2026. Entendemos que pelos fatores elencados no parágrafo acima e pela qualidade de execução e consistência de resultados, é provável que vejamos uma reprecificação do valor justo das units do BTG no curto prazo e por isso reiteramos a recomendação de Compra.
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