Banco BMG (BMGB4) 2T26: Retorno maior. Risco também
BB Investimentos analisa o resultado do Banco BMG.
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
14/08/2026 às 12:09
O Banco BMG reportou no 2T26 um lucro líquido recorrente de R$ 157 milhões (+7,1% t/t; +25,7% a/a), equivalente a um ROAE de 15,5%. Esse resultado, em nossa leitura, evidencia que o banco segue executando com êxito sua estratégia de migração para produtos de maior retorno, mesmo diante de um ambiente operacional e regulatório mais complexo. No entanto, o resultado traz sinais mistos: enquanto margem financeira, lucro e eficiência avançaram, os indicadores de qualidade do crédito se deterioraram de forma disseminada, evidenciando os efeitos da mudança de mix da carteira.
Margem financeira: principal motivo para o otimismo. O destaque positivo do trimestre, em nossa visão, foi a continuidade da expansão da margem financeira ajustada ao custo do crédito, que atingiu R$ 905 milhões (+6,2% t/t; +1,7% a/a), levando a NIM pós custo de crédito para 11,1%, maior patamar da série recente. Esse comportamento sugere que o banco vem conseguindo capturar rentabilidade suficiente nos novos produtos para compensar o maior risco inerente à estratégia adotada. A carteira de consignado privado atingiu R$ 1,3 bilhão (+47,2% t/t), enquanto o crédito pessoal continuou avançando (+5,2% t/t), consolidando-se como os principais vetores de crescimento e rentabilidade em um contexto de menor contribuição dos demais produtos.
Qualidade dos ativos: deterioração parece compatível, mas é sinal amarelo. Se por um lado a rentabilidade continuou avançando, por outro os indicadores de crédito seguiram pressionados. A inadimplência acima de 90 dias atingiu 4,2% (+0,5 p.p. t/t), enquanto os ativos classificados em Estágio 3 avançaram para 6,4% da carteira (+0,4 p.p. t/t). Além disso, o índice de cobertura recuou para 162%, refletindo um perfil de risco mais elevado decorrente da maior participação do crédito pessoal e do consignado privado no portfólio. Ainda que a deterioração encontre explicação na mudança deliberada de mix promovida pelo banco, entendemos que a velocidade dessa evolução seguirá entre os principais pontos de monitoramento nos próximos trimestres.
Despesas e ambiente regulatório seguem limitando avanços mais expressivos. Outro elemento que continua restringindo uma leitura mais favorável do resultado é o comportamento das despesas. As despesas gerais alcançaram R$ 704 milhões (+4,6% t/t; +6,7% a/a), pressionadas principalmente pelas provisões relacionadas às ações cíveis massificadas, que permaneceram elevadas no trimestre. Paralelamente, o período foi marcado por mudanças regulatórias relevantes, incluindo limitações impostas a produtos tradicionais do consignado e ajustes de elegibilidade em algumas modalidades de crédito. Nesse contexto, o consignado privado vem assumindo papel cada vez mais relevante dentro da estratégia do banco, embora continue sendo uma linha relativamente nova e ainda sujeita a desafios próprios de maturação.


Desempenho das ações. As ações BMGB4 seguem respondendo positivamente à evolução operacional observada nos últimos anos. Nos últimos 12 meses, os papéis acumulam valorização superior a 50%, reflexo de uma estratégia que vem entregando crescimento gradual da rentabilidade, melhora da qualidade estrutural da operação e maior disciplinada alocação de capital. Mais recentemente, chama atenção o fato de o BMG ser atualmente o único banco sob nossa cobertura com desempenho positivo em 2026, acumulando alta de aproximadamente 2% no ano. Em nossa leitura, ainda que os vetores de melhora tenham se tornado mais graduais do que aqueles observados durante as fases iniciais do turnaround, entendemos que a evolução operacional do banco continua influenciando o comportamento das ações.
Perspectivas, preço-alvo e recomendação. Em nossa visão, o 2T26 responde positivamente à principal dúvida deixada pelo trimestre anterior: a nova composição da carteira parece capaz de gerar rentabilidade suficiente para compensar o aumento do risco – ao menos por enquanto. Incorporamos os números mais recentes ao valuation e elevamos nosso preço-alvo para R$ 6,00, reiterando nossa recomendação de Compra, dada nossa percepção de que o momento operacional do banco permanece mais favorável do que desfavorável, e com bastante espaço para melhorias a ser capturado.
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