Bradesco (BBDC4) 2T26: transformação segue impulsionando a rentabilidade
O Banco apresentou no 2T26 um resultado que representa mais um avanço importante na trajetória de recuperação da rentabilidade do banco
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
06/08/2026 às 12:00
O Bradesco apresentou no 2T26 um resultado que consideramos positivo, com lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões, crescimento de 3,5% t/t e 16,2% a/a, equivalente a um ROAE de 16,2%, nível que representa mais um avanço importante na trajetória de recuperação da rentabilidade do banco. O desempenho foi sustentado principalmente pela expansão da margem financeira, pelo crescimento consistente da carteira de crédito, pela manutenção do custo do crédito em patamar relativamente estável e, mais uma vez, pelo forte resultado da seguridade, que segue contribuindo de forma relevante.
Momento. Em nossa leitura, o resultado do 2T26 reforça a continuidade de uma trajetória que vem se consolidando há diversos trimestres, com os avanços decorrentes da ampla reestruturação organizacional implementada pelo banco produzindo efeitos sequenciais benignos.
Nesse trimestre, a carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,137 trilhão, com crescimento de 4,3% t/t e 11,6% a/a, ritmo superior ao observado pelo sistema financeiro em diversas linhas e sustentado por uma estratégia de originação mais seletiva, com aumento contínuo da participação de operações garantidas. A margem financeira total avançou 4,1% t/t e 15,7% a/a, enquanto a margem com clientes cresceu 3,6% t/t e 13,8% a/a, mantendo-se robusta. O custo do crédito, por sua vez, permaneceu relativamente estável em relação à carteira, apesar da despesa de PDD expandida ter avançado 3,3% t/t e 22,6% a/a, refletindo principalmente o crescimento dos negócios. Somou-se a isso mais um trimestre muito forte da operação de seguros, previdência e capitalização, cujo lucro recorrente alcançou R$ 2,9 bilhões, crescimento de 6,7% t/t e 28,3% a/a, com ROAE de 22,8%.
As principais ressalvas ficaram por conta da qualidade dos ativos, com a inadimplência acima de 90 dias avançando para 4,3%, alta de 0,1 p.p. t/t e 0,2 p.p. a/a, movimento amplamente esperado diante de um contexto setorial mais desafiador, e das receitas de prestação de serviços, que cresceram apenas 1,7% a/a, refletindo um ambiente competitivo mais intenso para o setor.
Desempenhos da ações. Ao longo dos últimos meses, as ações do Bradesco vêm acompanhando relativamente de perto a trajetória de valorização do Ibovespa, ainda que não sem volatilidade. Desde nossa modificação de recomendação de Neutra para Compra para BBDC4 desde 8 de maio de 2025, quando os efeitos positivos da reestruturação passaram a se tornar mais evidentes nos resultados, os papéis acumulam valorização próxima de 35%, evidenciando o reconhecimento, por parte do mercado, dos avanços operacionais e financeiros da companhia.


Perspectivas. Olhando adiante, seguimos enxergando espaço para continuidade da expansão gradual da rentabilidade do Bradesco. Acreditamos que a combinação entre crescimento seletivo da carteira, evolução das receitas, despesas controladas e amadurecimento dos ganhos associados à transformação organizacional (incluindo expressiva redução da estrutura física) deverá continuar sustentando novos avanços. Além disso, a seguridade continua se consolidando como um verdadeiro “segundo motor” de crescimento, contribuindo para diversificação das receitas, estabilidade dos resultados e expansão do retorno sobre o capital. Ainda que o ambiente para os bancos tenha se tornado relativamente mais desafiador diante da perspectiva de um hiato mais prolongado no ciclo de suavização monetária, entendemos que o Bradesco ainda possui uma parcela relevante de rentabilidade inercial a capturar por meio da execução de sua estratégia de transformação. Adicionalmente, a maior participação de linhas garantidas e o foco em produtos com melhor relação risco-retorno nos parecem importantes mecanismos de proteção caso o ambiente macroeconômico apresente deterioração adicional.
Preço-alvo e recomendação. Atualizamos nosso modelo incorporando os números divulgados no 2T26, bem como revisões em nossas projeções operacionais e financeiras, passando a utilizar como referência o final de 2027. Como resultado, elevamos nosso preço-alvo para R$ 24,00 por ação. Diante da continuidade dos avanços operacionais, da expansão gradual da rentabilidade e do bom estágio de execução da transformação organizacional, mantemos nossa recomendação de Compra para BBDC4.
Aumento de capital. o Bradesco anunciou um aumento de capital de até R$ 10 bilhões, por meio da emissão de até aproximadamente 605 milhões de novas ações. Em nossa visão, a forte expansão da carteira de crédito observada nos últimos trimestres, aliada à intenção de preservar níveis confortáveis de capital para sustentar o crescimento futuro justificam o movimento. Os acionistas com posição acionária em 4 de agosto de 2026 poderão exercer seu direito de preferência entre 6 de agosto e 4 de setembro de 2026, inclusive com a possibilidade de utilizar os valores referentes aos juros sobre capital próprio já declarados pelo banco como forma de integralização da subscrição. Dessa forma, recomendamos que os acionistas elegíveis e que possuam disponibilidade financeira avaliem acompanhar a operação, que reforça a capacidade do banco de capturar ainda mais oportunidades de crescimento sem comprometer sua posição de capital.
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