Bradesco (BBDC4) 2T25: Ajustando as expectativas – que continuam positivas.
Segundo analistas do BB Investimentos, o Bradesco apresentou no 2T25 um resultado positivo.
Publicado por: Análise BB

Segundo analistas do BB Investimentos, o Bradesco apresentou no 2T25 um resultado positivo.
Publicado por: Análise BB
Atualizado em
22/09/2025 às 17:12
O Bradesco apresentou no 2T25 um resultado que consideramos positivo, com lucro líquido gerencial de R$ 6,1 bilhões (+3,5% t/t e +28,6% a/a), equivalente a um ROAE de 14,6%. O resultado foi favorecido por forte margem financeira com clientes e receitas de tarifas e seguros robustas, compensados parcialmente por maior custo do crédito, menor margem com o mercado e despesas gerais mais pronunciadas.
Momento. Em nossa leitura, após um 1T estelar, que motivou inclusive nossa modificação de recomendação de neutra para compra, o 2T mostra um degrau menos brilhante mas ainda sólido rumo à retomada da rentabilidade, com destaque para um conjunto de receitas fortes na esteira de uma carteira de crédito que se expande, com inadimplência predominantemente estável. Uma maior expansão do ROE diante destes elementos só não se materializou de forma mais expressiva por conta das despesas, que incluíram nesse trimestre itens atípicos relacionados a aquisições, mas também custos relacionados à redução da estrutura física em andamento.
Os destaques positivos, em nossa leitura, ficaram por conta (i) da expansão da carteira de crédito (+11,7% a/a), com participação maior de linhas com garantias, que chegaram a 58,5% do portfólio; (ii) da inadimplência geral, que ficou estável em 4,1%, com a PF também estável em 5,1%, MPEs em 4,3%, com a dissonância vindo das grandes empresas que piorou 10 bps para 0,4%; (iii) receitas de tarifas (+5,5% t/t e +10,6% a/a) com destaque para cartões, consórcios e mercado de capitais e (iv) receitas de seguros (+6,5% t/t e +21,7% a/a). Estas últimas, aliás, motivaram uma revisão positiva em suas linhas no guidance.
Os destaques negativos, em nossa visão, ficaram por conta (i) da margem com o mercado (tesouraria), que recuou 37% t/t, impactada negativamente pelo resultado de gestão dos ativos e passivos, que possuem sensibilidade negativa à abertura da curva de juros verificada no período; (ii) do custo do crédito, que aumentou de 3,0% para 3,2%, refletindo maior exposição ao varejo e segmentos massificados e (iii) das despesas operacionais totais, que subiram (5,9% t/t e 9,9% a/a), embora esta aceleração tenha se dado por itens não usuais relacionados a aquisições como a Cielo e o Banco John Deere.

Nos últimos 12 meses a ação BBDC4 oscilou muito acima do Ibovespa, com ímpeto concentrado em 2025, quando os resultados mais benignos começaram a se materializar e revisões de precificação se tornaram mais frequentes. Temos recomendação de compra desde o resultado do 1T25, em 8/maio. Desde então a ação se valorizou aproximadamente 6%.

O salto quantitativo do Bradesco no 1T25 marcou uma virada contundente para o banco, em nossa visão, algo que o resultado do 2T não foi exatamente capaz de sustentar na magnitude, embora o avanço tenha sido longe de decepcionante. Na balança, temos de um lado um conjunto de vetores que sugerem uma retomada mais visível da rentabilidade por meio de um mix mais favorável, carteira que se expande a um bom ritmo, conjunto de despesas core controlados, e o mais importante: a constatação de que a reestruturação que o Bradesco imprimiu ao longo dos últimos dois anos está surtindo efeito. No entanto: existem ventos desfavoráveis, especialmente na forma de um cenário em que no curto prazo a seletividade deve ser a tônica setorial, e é provável que vejamos inclusive uma elevação da inadimplência – a escalada do custo de crédito associada à exposição a linhas massificadas vista nesse trimestre pode significar algum desconforto futuro.
Atualizamos o valuation e revisamos nosso preço-alvo para R$ 17,80 para o final de 2026. Dados os prognósticos listados anteriormente e adicionando que tradicionalmente não costumamos deixar de recomendar teses que qualificamos como “bom momento”, reiteramos a recomendação de compra, por enxergarmos o que acreditamos ser uma assimetria favorável para o Bradesco neste momento, com o momentum de execução e a possibilidade de um Bradesco mais focado pesando mais em nossa balança do que os riscos que uma eventual desaceleração setorial deve trazer.






Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes, em princípio, fidedignas e de boa-fé. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não sejam incertas ou equivocadas, no momento de sua publicação, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio, em função de mudanças que possam afetar as projeções da empresa, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Quaisquer divergências de dados neste relatório podem ser resultado de diferentes formas de cálculo e/ou ajustes. O Disclaimer completo encontra-se no relatório.
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