Bradesco (BBDC4) 1T26: execução sustenta avanço gradual da rentabilidade
O Banco apresentou no 1T26 um resultado que reforça a continuidade do processo de reconstrução da rentabilidade
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
07/05/2026 às 11:35
O Bradesco apresentou no 1T26 um resultado que reforça, em nossa leitura, a continuidade do processo de reconstrução da rentabilidade, com lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões, avanço de 16,1% a/a e 4,5% t/t, e ROAE de 15,8%, patamar já bastante próximo do custo de capital do banco. O trimestre foi marcado por crescimento consistente das receitas, melhora adicional de eficiência e manutenção de fundamentos operacionais sólidos, mesmo em um ambiente macroeconômico e setorial ainda desafiador.
Crescimento segue saudável, com uma desaceleração amplamente setorial. A carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,09 trilhão, com crescimento de 8,4% na comparação anual e estabilidade no trimestre (+0,1% t/t), desaceleração que entendemos como amplamente setorial e que, quando desconsiderado o efeito cambial, se mostra bastante alinhada ao mercado (+9,5%). Na abertura, vemos Pessoas Físicas avançando 9,5% a/a e PMEs expandindo 14,4% a/a, reforçando frentes estratégicas do banco. Por outro lado, o segmento de Grandes Empresas permanece como o eixo menos pujante no momento, refletindo menor apetite a risco em um contexto ainda marcado por juros elevados e menor demanda por crédito corporativo tradicional.
Margem financeira cresce, custo do crédito acompanha, e inadimplência se mostra comportada. A margem financeira total somou R$ 20,1 bilhões, crescimento de 16,4% a/a, sustentada por uma margem com clientes praticamente estável (7,2% da carteira ante 7,3% no 4T25) e por um desempenho mais favorável da margem com o mercado, que contribuiu positivamente no trimestre, com ambas vertentes impactadas pelo efeito calendário do 1T: a primeira negativa e a segunda positivamente. Em contrapartida, a Despesa de PDD Expandida atingiu 3,5% da carteira, refletindo, segundo o banco, um caso específico no segmento atacado e, no massificado, efeitos esperados como a normalização de programas emergenciais do governo e o runoff de safras antigas do agronegócio. Do lado da qualidade, a inadimplência acima de 90 dias permaneceu majoritariamente comportada, subindo 10 bps, para 4,2%, com deterioração mais concentrada em PMEs, dinâmica amplamente esperada e observada também, inclusive, no resultado do Itaú na véspera.
Tarifas e seguridade seguem como pilares de resultado, compensando pressões de despesas. As receitas de prestação de serviços totalizaram R$ 10,4 bilhões, com crescimento de 6,2% a/a, enquanto o resultado de seguros, previdência e capitalização atingiu R$ 6,4 bilhões, alta expressiva de 20,4% a/a, mantendo o ROAE do segmento em 21,6%, nível superior ao do próprio negócio bancário. Essa combinação reforça a importância da seguridade como âncora de resultados e estabilidade ao longo do ciclo. Do lado das despesas operacionais, houve alívio sazonal no trimestre, ainda que a alta de 7,8% a/a siga refletindo os investimentos contínuos associados ao plano de reestruturação. Mesmo assim, o crescimento mais forte das receitas permitiu uma melhora relevante do índice de eficiência para 46,9%, reforçando a trajetória de ganho gradual de alavancagem operacional.

Guidance reafirmado e valorização substancial das ações. Por fim, a reafirmação integral do guidance para 2026 reforça nossa confiança em um ano que deve seguir marcado pela continuidade de ajustes operacionais, com seletividade, disciplina de risco e melhora de mix permitindo avanços graduais, porém consistentes, na rentabilidade ao longo do médio prazo. Esse movimento, em nossa leitura, já vem sendo reconhecido pelo mercado: as ações do Bradesco apresentam performance significativamente superior ao Ibovespa nos últimos 12 meses, e este relatório marca exatamente um ano desde que retomamos a recomendação de Compra, quando os resultados mais benignos do plano de reestruturação passaram a ficar mais claros. Desde então, o papel BBDC4 acumula valorização próxima de 60%.
Diante desse conjunto de fatores, mantemos nosso preço‑alvo em R$ 22,00 para 2026, sem alterações no valuation, e reiteramos a recomendação de Compra.

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