Confira a análise dos dados de dezembro do Bacen pelo BB-BI
Setor bancário finaliza 2025 com crédito mais moderado, risco e seletividade mais pronunciados, marcando um início de 2026 em ambiente de cautela. Ainda assim, resultados dos bancos devem continuar robustos.
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
29/01/2026 às 16:48
Sumário
Os dados de crédito divulgados pelo Banco Central referentes a dezembro de 2025 reforçam a transição para um ambiente de maior seletividade, crescimento mais moderado e spreads estruturalmente elevados — movimento que já vinha sendo capturado nos relatórios de outubro, novembro e dezembro.
Em linha com a desaceleração observada nos últimos meses, o crédito fechou 2025 com expansão de 10,2%, abaixo dos 11,5% de 2024, enquanto o mês de dezembro trouxe um crescimento mensal robusto de 1,8%, especialmente concentrado em PJ (+3,3%) e sustentado por forte sazonalidade em antecipação de recebíveis.
A inadimplência encerrou o ano em 4,1%, reforçando a leitura de que o risco de crédito permanece elevado, apesar da acomodação marginal observada no final do ano nos dados ajustados de novembro. A expansão dos spreads — que atingiram 21,4 p.p. — e o ICC em 23,4% confirmam um ambiente onde o custo do crédito segue pressionado.
Esse custo pressionado deve continuar moldando a estratégia de originação ao longo dos primeiros meses de 2026. Simultaneamente, o endividamento das famílias em máximas históricas e o comprometimento de renda elevado reforçam que a seletividade continuará no centro da estratégia dos bancos, em linha com as mensagens dos relatórios anteriores.
No conjunto, os números fecham 2025 com uma mensagem clara: o setor bancário chega a 2026 operando em um ambiente de cautela, porém com fundamentos sólidos. Neste contexto, a combinação de: (i) crescimento mais moderado, (ii) mix mais defensivo, (iii) spread elevado, (iv) inadimplência ainda alta, e (v) endividamento das famílias em máximas históricas continua moldando um ambiente em que bancos com modelos de concessão sólidos e conjuntos operacionais e eficientes deverão reter sua vantagem competitiva.
Se você investe em bancos
O mês de janeiro de 2026 já pode ser considerado histórico para a renda variável brasileira, com o renovando máximas históricas. O movimento não foi diferente para o setor financeiro, cujo índice (IFNC) salta nada menos que 15% até o momento. Esse desempenho vem na esteira de uma recolocação favorável do Brasil diante de outras economias emergentes, com as ações dos bancos brasileiros – notoriamente resilientes e rentáveis – ganhando a prioridade na alocação.
Ao fechamento do mês, no entanto, todos os olhos se voltam para a temporada de balanços do 4T, que se inicia na semana que vem, quando as companhias divulgarão suas visões e projeções (guidances) para o ano de 2026, e em torno das quais as teses de investimentos vão poder ser construídas com clareza adicional. Apesar do cenário ter ficado mais restritivo em 2025, esperamos balanços majoritariamente sólidos para a maior parte dos bancos de nossa cobertura.

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