Confira a análise dos dados de janeiro do Bacen pelo BB-BI
Crédito recua na margem, spreads sobem e inadimplência volta a pressionar o início de 2026. Resultados dos bancos com melhor posicionamento continuam robustos.
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
25/02/2026 às 17:42
Sumário
O crédito iniciou 2026 mantendo sua trajetória de crescimento moderado, com avanço anual ainda próximo de dois dígitos, mas já revelando sinais mais claros de acomodação após um fim de 2025 que se mostrou mais resiliente do que o antecipado. A dinâmica do início do ano mostra um sistema financeiro que continua expandindo, porém dentro de um ambiente mais seletivo, marcado por um balanço delicado entre demanda firme em PF e maior oscilação em PJ.
Do lado da qualidade, a inadimplência voltou a subir e atingiu 4,2%, movimento coerente com a tendência observada nos meses anteriores, quando o ciclo de crédito já mostrava maior pressão especialmente no varejo. Essa elevação reforça a leitura de que a estabilização vista no fim de 2025 era mais pontual do que estrutural. O custo do crédito também avançou, com o ICC alcançando 23,6% a.a., consolidando a tendência de alta iniciada no segundo semestre de 2025.
O movimento acompanha um spread bancário estruturalmente elevado, que continua refletindo tanto a precificação do risco mais alto quanto o esforço das instituições em recompor margens em um ciclo prolongado de inadimplência pressionada.
No contexto das famílias, os dados encerrados de 2025 mostram endividamento em 49,7% da renda anual e comprometimento em 29,2%, ambos próximos das máximas históricas. Esses níveis elevados mantêm o consumo sensível a juros e limitam acelerações mais fortes nas concessões, reforçando a necessidade de seletividade na originação.
Em resumo, o sistema financeiro inicia 2026 combinando crescimento ainda positivo do crédito, risco em leve alta, spreads ampliados e famílias operando no limite da renda, um conjunto que favorece instituições com disciplina de originação, robustez de balanço e capacidade de precificação.
Se você investe em bancos
O mês de fevereiro concentrou a divulgação de resultados relativos ao 4T para a maioria dos bancos de nossa cobertura. Em nossa visão, o conjunto de resultados reforça a assimetria que já vínhamos destacando ao longo do segundo semestre de 2025: instituições com modelos mais diversificados, forte capacidade de precificação e eficiência operacional seguiram entregando desempenho superior, enquanto modelos mais sensíveis ao ciclo de crédito enfrentaram desafios adicionais.
Itaú e BTG Pactual mantiveram margens robustas, com dinâmica positiva de receitas e disciplina de custos, sustentando rentabilidade entre as maiores do sistema. Já Bradesco e Santander permaneceram em trajetória de recuperação: embora tenham mostrado evolução em margem com clientes e em eficiência ao longo de 2025, continuam mais expostos às pressões de inadimplência no varejo e ao impacto negativo dos juros na tesouraria

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