Setor bancário: confira a análise dos dados de julho do Bacen pelo BB-BI
Julho traz a visão de que a expansão seletiva persiste, enquanto inadimplência volta a acelerar de forma disseminada
Publicado por: Análise BB
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Atualizado em
28/08/2026 às 16:01
Sumário
Os dados de crédito de julho divulgados pelo Banco Central reforçam parcialmente a narrativa que vínhamos construindo ao longo dos últimos meses. Do lado do crescimento da carteira, o sistema financeiro continua apresentando acomodação do ciclo, com o estoque total de crédito avançando 0,3% no mês e 9,5% em doze meses – ligeiramente abaixo dos 9,7% observados anteriormente.
A principal diferença em relação ao observado em junho é a recomposição da assimetria entre pessoas físicas e jurídicas: enquanto o crédito PF seguiu sustentando o crescimento, com expansão de 0,8% no mês e 10,8% em doze meses, o crédito PJ voltou a apresentar fraqueza, recuando 0,7% na margem, confirmando que a melhora de junho esteve mais relacionada a fatores sazonais.
As concessões dessazonalizadas permaneceram praticamente estáveis em julho, reforçando a leitura de um mercado de crédito que cresce, mas sem sinais de reaceleração. O movimento também preserva a divergência observada ao longo de 2026, com a PF sustentando a demanda enquanto a PJ se mantém mais sensível ao custo do crédito.
A principal mudança qualitativa do mês ocorreu na qualidade dos ativos. Após a estabilidade observada em junho, a inadimplência voltou a acelerar de maneira disseminada, com a taxa de atrasos superiores a 90 dias atingindo 4,9% da carteira total, enquanto o indicador do crédito livre avançou para 6,4%. Em nossa visão, o dado reduz significativamente a convicção de que o sistema estivesse entrando em uma fase de estabilização do risco de crédito.
A leitura é reforçada pelos indicadores financeiros das famílias: o endividamento permaneceu em patamar elevado, enquanto o comprometimento de renda voltou a subir, atingindo 28,9%. Embora o mercado de trabalho continue oferecendo suporte, os níveis atuais sugerem espaço limitado para aceleração adicional do consumo financiado sem elevação proporcional do risco. Por outro lado, a taxa média das concessões e o spread bancário recuaram de forma relevante no mês, com o movimento provavelmente refletindo efeitos de composição das operações contratadas e não uma mudança estrutural das condições financeiras.
Se você investe em bancos
A temporada de resultados do 2T26 foi encerrada ao longo de agosto e, de forma geral, vimos os bancos continuando a demonstrar capacidade de navegar um ambiente monetário ainda restritivo, preservando margens financeiras, mantendo disciplina de custos e administrando de forma relativamente ordenada a deterioração da qualidade dos ativos observada ao longo do ciclo.
Apesar disso, a abordagem dos investidores quanto ao setor tem sido mais cautelosa. Em nossa leitura, a principal fonte de preocupação migrou da evolução das margens, para a disseminação mais ampla dos sinais de deterioração da qualidade das carteiras, com destaque para linhas relevantes para diversos participantes do setor, como financiamento de veículos, cartão de crédito e consignado privado. Esse último segmento merece atenção particular, já que voltou a apresentar forte crescimento nas concessões e figura entre os principais vetores de expansão para diversas instituições financeiras, ainda que a trajetória da inadimplência da modalidade ainda não demonstre sinais claros de estabilização.


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