B3 (B3SA3) 2T25: Neutro, resiliência da receita operacional e forte resultado financeiro
O resultado financeiro totalizou R$ 135,7 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 38,8 milhões registrado no 2T24
Publicado por: Análise BB

O resultado financeiro totalizou R$ 135,7 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 38,8 milhões registrado no 2T24
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
08/08/2025 às 14:37
A B3 apresentou um resultado neutro no 2T25, em nossa opinião. A receita bruta totalizou R$ 2,7 bilhões (+0,7% a/a), o EBITDA recorrente foi de R$ 1,7 bilhão (-2,7% a/a), com margem EBITDA recorrente de 69,8% (-3,5 p.p. a/a), e lucro líquido recorrente de R$ 1,3 bilhão (+4,2% a/a).
A receita operacional foi sustentada pelos avanços dos resultados nos mercados de renda fixa (+15,1% a/a) e de tecnologia (+10,0% a/a), compensando o desempenho relativamente inferior de derivativos (-6,0% a/a), cuja base de comparação anual foi o trimestre com maior volume histórico da companhia.
O volume financeiro médio diário negociado (ADTV) do mercado de ações à vista aumentou 9,2% a/a, favorecido pelo fluxo de capital estrangeiro e pela volatilidade no período. Por outro lado, o volume médio diário negociado (ADV) de derivativos apresentou queda de 2,9% a/a, com menores volumes nos contratos de juros em reais e índices de ações, apesar do crescimento nos futuros de criptoativos.
As despesas operacionais totalizaram R$ 844,3 milhões, representando um aumento de 15,8% a/a, com variações mais relevantes nas despesas com: (i) processamento de dados (+19,1% a/a), seguindo a estratégia de otimização da gestão de projetos, com o objetivo de distribuir as entregas ao longo de todo o exercício; (ii) faturamento (+49,9% a/a), reflexo dos incentivos ao Tesouro Direto e ao Futuro de Bitcoin; e (iii) diversas (+25,6% a/a), que contempla, entre outros, provisões relacionadas a disputas judiciais, cujo valor é atualizado de acordo com o preço de B3SA3.
O resultado financeiro totalizou R$ 135,7 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 38,8 milhões registrado no 2T24, com contribuição de R$ 21,8 milhões das variações cambiais sobre os empréstimos em moeda estrangeira e investimentos no exterior que a companhia possui. As receitas financeiras do trimestre foram 30,4% superiores na comparação anual, beneficiadas pelo maior CDI médio no período e pelo impacto não recorrente da atualização monetária sobre créditos tributários de PIS e Cofins.
O retorno aos acionistas no trimestre totalizou R$ 580,4 milhões, sendo R$ 378,5 milhões em juros sobre capital próprio, pagos em julho/25, e R$ 201,9 milhões em recompras de ações.


As ações B3SA3 acumulam, até o último fechamento (07/08), alta de 26,9% em 2025, enquanto o Ibovespa registra 13,5% no mesmo período. O forte fluxo de capital estrangeiro observado no primeiro semestre favoreceu os indicadores operacionais da companhia, o que impulsionou o desempenho das ações. No entanto, a perspectiva de menor liquidez, em virtude das tensões comerciais envolvendo os EUA e da publicação da MP 1.303/2025 — que trata da revisão da tributação de aplicações financeiras e altera as alíquotas da CSLL, com impacto direto no resultado da companhia — resultou em fortes correções.
As frentes de atuação da companhia voltadas à sustentação das receitas em diferentes cenários têm se mostrado eficazes. Além da exploração de segmentos menos cíclicos, a empresa tem buscado atender às necessidades de seus clientes e expandido seus negócios por meio do lançamento contínuo de produtos e serviços, fortalecendo sua estrutura e competitividade. Sob essa perspectiva, considerando também sua estrutura de capital equilibrada, com balanço sólido e margens elevadas, mantemos a recomendação de compra para B3SA3 com preço-alvo de R$ 14,80 para o final de 2025.
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