Yduqs e Afya se juntam: o que a fusão muda para quem tem ações?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
24/09/2026 às 12:29
Por Soraia Budaibes e Wiliam Miron , da Broadcast
São Paulo, 24/09/2026 - O mercado de educação pode ganhar força no Brasil com a fusão acertada na noite de ontem entre Yduqs (YDUQ3), dona das marcas Estácio, Wyden e Ibmec, e a Afya, que atua na área de saúde, especialmente em medicina.
A operação dará origem a uma companhia com receita líquida anual de aproximadamente R$ 9,4 bilhões, quase 1 milhão de alunos de graduação e 176 campi espalhados por todos os estados brasileiros, segundo informou mais cedo o presidente da Yduqs, Rossano Marques.
O executivo reforçou que as duas empresas são complementares e que a combinação tem capacidade de potencializar as oportunidades de crescimento para ambas.
Segundo ele, a empresa combinada terá 5,9 mil vagas de medicina e acesso a mais de 200 mil médicos por meio das plataformas de serviços.
Como o mercado interpretou a operação, que já vinha, em certa medida, sendo precificada, e o que ela implica para os investidores? Veja mais detalhes a seguir:
Como será a operação?
A operação entre Yduqs e Afya se dará por meio da troca de ações na qual os acionistas da segunda terão participação de 69% do capital social da nova empresa, enquanto os da Yduqs terão 31%.
Na combinação dos negócios, segundo informado pela Yduqs à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), cada ação ordinária Classe A e cada ação ordinária Classe B da Afya dará ao titular o direito de receber 6,408347 ações ordinárias da Yduqs.
Já os investidores com papéis da Yduqs receberão em torno de R$ 750 milhões sob a forma de pagamento de dividendos.
O acordo, que ainda depende de aprovação dos órgãos de governança das empresas e das autoridades regulatórias, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), deve ser consumado em 31 de março de 2028.
A assembleia da Yduqs deve ser convocada em outubro e realizada em novembro. A comunicação ao Cade está prevista para ocorrer em cerca de 15 dias.
Com o negócio, a marca Yduqs prevalecerá e a companhia seguirá listada no segmento Novo Mercado da B3. Já a Afya terá o capital extinto na Nasdaq.
Eliminação de estruturas
Segundo o diretor financeiro da Yduqs, Alexandre Aquino, o negócio prevê a eliminação de estruturas duplicadas de tecnologia e atendimento ao aluno, a integração de centros de serviços compartilhados e a adoção das melhores práticas de cada companhia.
"Eu não vou ter dois RPs, eu não vou ter dois sistemas para atender os alunos", afirmou Aquino.
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O que pensa o mercado sobre a operação?
Na visão da corretora XP, a fusão é positiva, pois amplia a escala, a liquidez e a importância para os investidores.
O analista Gustavo Tiseo ressalta o racional estratégico na educação médica. "A empresa resultante teria aproximadamente seis mil vagas de medicina, o equivalente a 12% da capacidade total do Brasil, além de incorporar o portfólio educacional da Yduqs, incluindo Estácio, Wyden e os programas premium do Ibmec", diz.
Apesar de manter a visão de méritos estratégicos e de potencial de sinergias na transação, o Citi acredita que a execução no "mundo real geralmente não é uma tarefa fácil", especialmente quando envolve culturas corporativas, canais e sistemas diferentes.
Já o Itaú BBA classificou a operação como de "clara racionalidade estratégica", principalmente pela complementaridade entre os negócios de educação médica e pelas oportunidades de escala, redução de custos e sinergias comerciais.
Após abrir a sessão desta quinta-feira em baixa leve, as ações da Yduqs (YDUQ3) viraram o sinal e passaram a subir, marcando alta de 0,92% perto das 11h45, tão logo seus executivos detalharam ao mercado o racional da operação e os resultados esperados. No mês, os ativos marcam valorização na casa dos 25%, enquanto no ano caem quase 10% até aqui.

