Trump quer fazer dos EUA 'capital mundial' cripto; saiba quais países lideram uso de Bitcoin
EUA ocupam apenas a 8º colocação em ranking de países que mais utilizam criptomoedas, o que pode mudar no governo Trump
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
24/01/2025 às 17:18
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
São Paulo, 24/01/2025 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende transformar o país na "capital mundial dos criptoativos", durante discurso virtual no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça) na última quinta-feira (23). Para isso, o republicano acrescentou que fará a "maior desregulamentação da história" dos EUA em torno das criptomoedas, o que, segundo ele, trará milhões de dólares para a economia americana.
A mudança da visão do governo americano em torno das criptomoedas tem sido motivo de euforia pelos investidores deste mercado. O órgão de regulação do mercado de capitais americano, a Securities and Exchange Comission (SEC), nos últimos anos teve uma visão mais conservadora em relação aos ativos digitais na comparação com outros países.
A título de comparação: os primeiros fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista nos EUA foram aprovados pela SEC em janeiro de 2024 apenas, enquanto no Brasil já havia ETFs ligados a criptomoedas desde 2021.
Assim, Trump e seu governo terão de correr atrás de outros países do mundo para popularizar os ativos digitais entre os americanos. Há outros países em que o uso dos ativos digitais já avançou a ponto de se tornar moeda oficial.
Quais são os países que mais utilizam Bitcoin no mundo?
Embora fale-se bastante em Bitcoin nos EUA, a maior economia do mundo fica na oitava posição entre os países que mais utilizam criptomoedas, com 15,5% da população sendo usuária de criptomoedas, atrás do Vietnã (17,4%).
O país com o maior porcentual de usuários de criptomoedas por habitante são os Emirados Árabes Unidos, com 25,3%. Logo em seguida vêm Cingapura (24,4%), Turquia (19,3%), Argentina (18,9%) e Tailândia (17,6%). O Brasil aparece logo na sequência, em sexto lugar, com 17,5%.
Os dados são do relatório "The State of Global Cryptocurrency Ownership" da plataforma de pagamentos cripto Triple-A, de 2024. Segundo o estudo, o mundo tinha 562 milhões de usuários de criptomoedas até o ano passado, uma alta de 33% em relação à pesquisa de 2023, e o equivalente a 6,8% da população global.
Bem antes de Trump tentar transformar os EUA na "capital mundial das criptomoedas", El Salvador acabou ocupando esse posto. Isso porque, em setembro de 2021, o pequeno país da América Central se tornou pioneiro ao transformar o Bitcoin como uma das suas moedas oficiais.
Apesar do ato ousado, o BTC ainda não é amplamente utilizado pela população salvadorenha. Segundo os dados da Triple-A, somente 10% dos habitantes do país tinham criptomoedas.
Hoje o BTC é minerado pelo próprio governo salvadorenho, que inclusive tem uma página na internet onde qualquer cidadão pode acompanhar as atividades.
O que esperar da reserva de Bitcoin dos EUA?
Uma das principais promessas de Donald Trump é a criação de uma reserva nacional de Bitcoin nos EUA, algo que o Butão, no sudeste da Ásia, fazia de forma secreta ao menos desde 2020, fato que foi descoberto somente em 2023.
Segundo dados mais recentes, da plataforma Bitbo, o Butão detinha US$ 1,369 bilhão em BTC, mais que o dobro de El Salvador, que detém US$ 631,369 milhões.
Os EUA são o país que mais possui bitcoins, em torno de US$ 21,794 bilhões segundo a Bitbo. Essa quantia, que equivale a 207.189 unidades da criptomoeda, é fruto de apreensões de atividades ilícitas, não constituindo efetivamente uma reserva estratégica.
Nesta semana, a primeira de Trump na presidência dos EUA, investidores ficaram na expectativa para o anúncio da tal reserva estratégica americana, que tem sido identificada pela sigla SBR, de "strategic Bitcoin reserve", ou reserva estratégica de Bitcoin.
A senadora republicana Cynthia Lummis, defensora de longa data das criptomoedas e líder do subcomitê de ativos digitais, disse nesta quinta-feira (23) que o Congresso americano precisa aprovar "urgentemente" uma legislação de ativos digitais para "fortalecer o dólar com a criação de uma reserva de bitcoins".
Paralelamente, segundo a imprensa dos EUA, executivos da mineradora de bitcoins MARA Holdings têm articulado com autoridades locais e federais para acelerar a criação da SBR. Jayson Browder, um dos executivos da empresa, afirmou nesta semana em sua conta no X que "a SBR é uma prioridade máxima tanto no nível estadual quanto federal enquanto interagimos com a administração Trump".

