Taxa Selic cai a 13,75% ao ano. É hora de mexer nos investimentos?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
17/09/2026 às 12:03
Por Soraia Budaibes, da Broadcast
São Paulo, 17/09/2026 - O Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic ontem, que passou de 14% para 13,75% ao ano.
A decisão já era amplamente esperada e precificada pelo mercado, mas para muitos analistas a cautela ainda impera. Na próxima semana, sai a ata da reunião que pode trazer mais informações e indicativos sobre o futuro dos juros do País.
A dúvida que fica é se o Banco Central (BC) vai continuar o movimento de redução ou se fará uma pausa. E, nesse cenário, como ficam os investimentos? Veja o que dizem os especialistas.
O Copom vai continuar cortando juros?
Para Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, o comunicado do BC na decisão de ontem foi muito similar ao da reunião anterior, "com singelas alterações, concentradas nas projeções de inflação no cenário de referência".
Para ela, o comunicado deixa, portanto, as portas abertas para a continuidade do ciclo de corte de juros pelo BC, "que serão dependentes da evolução dos dados econômicos". Vale lembrar que a projeção de inflação para o horizonte relevante de tempo para a política monetária - 1º trimestre de 2028 - foi mantida em 3,2%.
Marcelo Rebelo, economista-chefe do Banco do Brasil, acredita que o Copom deu um sinal claro de que vai continuar cortando os juros.
"Estamos fazendo uma revisão de cenário em direção a esses cortes até o final do ano. A gente esperava que houvesse uma pausa agora, mas o comunicado veio bem claro que, aparentemente, se tudo transcorrer conforme o BC espera, não haverá pausa, haverá uma continuidade (de redução da taxa)", avalia.
É hora de mexer nos investimentos?
Para Carlos Ernesto Rodrigues, gerente executivo de Captação e Investimentos do BB, a renda pós-fixada tem relevância e rentabilidade, e, por isso, não recomenda que o investidor pessoa física faça mudanças drásticas em sua carteira. A orientação é procurar o consultor de investimentos para averiguar sobre oportunidade de renda pré-fixada e pós-fixada.
"A gente começa a enxergar algumas oportunidades pontuais. É importante diversificar, mantendo o seu perfil de risco. É momento de manter a pós-fixada e avaliar pontualmente com seu analista outros tipos de oportunidades no segmento", explica.
João Debom, sócio da Supernova Investimentos, corrobora a visão de Rodrigues. "O recado é manter a diversificação e revisar a alocação de renda fixa com um olho na reunião de novembro, quando o cenário político-eleitoral estará mais claro e o Copom terá menos motivos para evitar um posicionamento mais assertivo", diz.
Já para Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, o grande ganho com o ciclo de cortes na taxa Selic parece ter ficado para trás. "Com isso, quem esperava uma queda longa para ganhar com pré-fixados e ações precisa rever essa tese", avalia.
Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, chama a atenção para o comportamento do câmbio. A combinação de redução dos juros no Brasil com a elevação das taxas nos Estados Unidos - ontem, o Federal Reserve ampliou os Fed Funds em 0,25 pp - diminui o diferencial entre as duas economias.
"Isso reduz, na margem, a atratividade relativa do carry brasileiro e pode adicionar pressão sobre o real, principalmente em momentos de maior aversão global ao risco, quando há busca por dólar e Treasuries", acredita o especialista.
E o futuro?
Na próxima terça-feira, dia 22, o Copom divulga a ata desta última reunião, o que, na visão de Marcelo Rebelo, do BB, será importante para avaliar como o Comitê enxerga o futuro.
Como é um ano de muito volatilidade, principalmente devido às eleições presidenciais no Brasil, ele recomenda sempre acompanhar o que os especialistas estão dizendo. "Quanto mais volatilidade, é melhor ter mais informação", completa.

