Tarifaço dos EUA: quais empresas ganham com alívio sobre celulose e ferro-níquel?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos

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Atualizado em
17/09/2025 às 09:40
Por Gustavo Boldrini e Isabela Mendes, da Broadcast
São Paulo, 12/09/2025 - O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmou ontem um decreto publicado pelo governo dos Estados Unidos que retirou a cobrança de tarifas adicionais à maioria das exportações brasileiras de celulose e ferro-níquel.
Segundo o MDIC, na prática, esses produtos ficaram livres de quaisquer tarifas adicionais do país - tanto a de 10% imposta universalmente em abril quanto a de 40% aplicada no fim de julho.
Na avaliação de Hugo Queiroz, sócio e analista da L4 Capital, tanto celulose quanto ferro-níquel são itens que "impactam a indústria americana, e eles não conseguem suprir essa ausência", o que pode justificar o corte das tarifas.
Olhando para a Bolsa brasileira, quais são as empresas que mais ganham com essa decisão? Entenda a seguir:
Entre as empresas mais favorecidas pela medida, como é de se esperar, estão as principais representantes do setor de papel e celulose da Bolsa, Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11), de acordo com analistas consultados pela Broadcast .
"Para mim, Suzano é a grande vencedora, com impacto direto e relevante. Klabin também ganha, mas em menor magnitude, mais pela flexibilidade de portfólio do que pelo peso absoluto das exportações aos Estados Unidos", afirma o analista Fábio Lemos, da Fatorial Investimentos.
Segundo a Ativa Investimentos, a medida representa um gatilho estruturalmente positivo para os produtores brasileiros de celulose, em especial a Suzano, maior player global em fibra curta.
Tecnicamente, diz a casa, a medida reduz o custo de entrada da celulose brasileira no mercado americano, que é relevante tanto pela dimensão da base consumidora quanto pelo caráter estratégico de diversificação geográfica.
"Sem a barreira tarifária, a Suzano passa a competir em condições mais isonômicas frente a fornecedores locais e canadenses de fibra longa", destacou a Ativa em relatório.
Hugo Queiroz, da L4 Capital, também aponta as gigantes da celulose como favorecidas, inclusive com potencial positivo para suas ações. "As empresas não vão ser prejudicadas em vendas, margens e também em projetos de ampliação e expansão por esse fator. O mercado deve incorporar no preço das empresas", diz.
O fim da tarifa sobre ferro-níquel pode trazer um impacto levemente positivo para a Vale (VALE3), segundo os analistas. Para Queiroz, esse impacto é "marginal e pouco representativo".
Ainda no setor metálico, as tarifas sobre aço e alumínio permanecem, o que "mantém pressão sobre CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGB4)", aponta Fábio Lemos, da Fatorial.
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