Tarifaço dos EUA: Entenda os possíveis impactos na economia brasileira
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos

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Atualizado em
03/04/2025 às 11:18
Por Equipe Broadcast
São Paulo, 3/4/2025 - Economistas e profissionais de mercado ouvidos pelo Broadcast consideraram que o tarifaço anunciado ontem pelo presidente dos EUA, Donald Trump, saiu "barato" para o Brasil. Isso porque o País ficou no grupo de nações que terá a tarifa mínima de 10% às importações a partir do sábado, dia 5, ao lado de Austrália, Reino Unido e outras nações latino-americanas.
A título de comparação, a alíquota é bem menor que os 34% impostos à China, os 24% impostos ao Japão e os 20% à União Europeia. E também é mais baixa do que o governo do Brasil estava esperando, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast .
Ainda assim, o governo e alguns setores da economia brasileira olham com atenção para os impactos das tarifas de 10% que os nossos produtos terão quando exportados aos EUA.
O governo federal lamentou a decisão dos EUA e avisou que avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade bilateral, podendo inclusive recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) "em defesa dos legítimos interesses nacionais".
Enquanto estudam opções, os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informaram que buscarão em consulta com o setor privado defender os interesses nacionais junto aos EUA. Também disseram se manter abertos ao "aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas" com a gestão Trump para reverter as medidas e atenuar seus efeitos.
Em Brasília, ontem, a Câmara dos Deputados aprovou em votação simbólica o "PL da Reciprocidade", projeto de lei que estabelece critérios para que o Brasil responda a "medidas unilaterais" adotadas por países ou blocos econômicos que afetem a competitividade.
O texto, que segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dá segurança jurídica caso o governo decida reagir ao tarifaço americano.
Boa parte do setor produtivo brasileiro se posicionou contra o tarifaço. Além de defender que o País insista no diálogo com o governo americano, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que uma missão de empresários do setor visitará os Estados Unidos na primeira quinzena de maio para estreitar laços e buscar soluções de interesse comum.
A CNI observa que os EUA não são só o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira, especialmente de produtos de maior densidade tecnológica, como também lideram o comércio de serviços e os investimentos bilaterais.
De acordo com a entidade, a cada R$ 1 bilhão exportado para os EUA, são criados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,6 bilhões em produção no Brasil.
No agronegócio, houve surpresa em relação ao tarifaço em alguns setores exportadores. Entre produtores de café, havia expectativa de exceção de tarifas sobre o produto no pacote de Trump, o que não aconteceu.
O café é o principal produto agropecuário exportado pelo Brasil aos EUA, e hoje os embarques são isentos de tarifas. O setor exportador esperava que o grão ficasse fora da lista, conforme pleiteado pela própria indústria americana, o que não ocorreu.
Além do Brasil, os EUA vão impor tarifas para Vietnã e Indonésia, segundo e terceiro maiores produtores de café do mundo, respectivamente. Se isso se confirmar, o Brasil pode ter vantagem competitiva em relação aos dois países concorrentes.
A secretária do Departamento de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, deve visitar o Brasil nos próximos seis meses para discutir acordos comerciais no setor agrícola, segundo informação da Folha de S. Paulo .
Por outro lado, outros setores, como sucroalcooleiro, avaliam que a tarifa de 10% ficou menor que o esperado. "Esperávamos um porcentual na ordem de 18%, mas os EUA fizeram uma avaliação de inflação e avaliação negocial para tomar essa atitude de deixar o Brasil no menor patamar", afirmou o CEO da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana), José Guilherme Nogueira.
No decreto de instituição das tarifas, o governo dos EUA citou o Brasil como um dos países que impõem altas taxas sobre o etanol importado, de 18%, contra apenas 2,5% dos americanos - agora esse porcentual passará para 10% no caso do etanol brasileiro.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Nacional de Sucos Cítricos (Citrus BR) afirmaram que estão estudando e avaliando o impacto das medidas do governo Trump sobre as exportações de carne bovina e sucos.
No caso dos sucos, os EUA aplicam uma tarifa de US$ 415 por tonelada de suco de laranja brasileiro exportado para lá, o que equivale a uma tarifa em torno de 11% a 12% segundo cálculo de Ibiapaba Netto, diretor executivo da Citrus BR.
Em relação às carnes, atualmente, a carne bovina brasileira que entra nos EUA é taxada em 26,4% caso ultrapasse a cota de 65 mil toneladas, que é distribuída entre dez países. "Esta cota, que é anual, costuma se esgotar logo no primeiro mês do ano", ressalta a Abiec em nota. Segundo a entidade, mais de 70% do que o País exportou de carne bovina aos americanos no ano passado entrou com a tarifa de 26,4%.
Diante desse cenário, existem dúvidas sobre a forma de aplicação das tarifas. Afinal, para produtos como o suco de laranja e o café, essa tarifa de 10% substituirá as atuais tarifas, que são maiores que isso, ou se somarão às atuais tarifas?
Produtores e analistas esperam que essas questões sejam esclarecidas neste sábado, 5, quando o governo americano deve emitir um decreto oficial dando início à cobrança das tarifas.
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