Super Quarta: Copom e Fed vão mexer com os juros? Veja o que esperar
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
15/09/2026 às 10:29
Por Patrícia Queiroz, da Broadcast
São Paulo, 15/09/2026 - Amanhã é dia de Super Quarta, com decisões sobre juros aqui no Brasil e nos Estados Unidos, o que deve movimentar os mercados.
Mais que o resultado em si - há ampla perspectiva de que aqui o Comitê de Política Monetária (Copom) deve baixar a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual e que, na outra ponta, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, da sigla em inglês) deve aumentar os Fed Funds em 0,25 pp -, o investidor deve ficar atento ao que os dois bancos centrais dirão sobre os próximos passos dos juros. Afinal, tais sinalizações podem afetar diretamente a renda fixa, a Bolsa e dólar.
Antes de mais nada, o que provoca cenários tão distintos, com a chance de a Selic cair dos atuais 14% para 13,75% ao ano e os juros americanos passarem para a faixa de 3,75% a 4% ao ano?
Pedro Raffy Vartanian, professor de Economia e Mercados, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, lembra que no caso brasileiro, a taxa básica de juros permaneceu em patamares elevados por muito tempo, de junho de 2025 até janeiro de 2026, e ainda que a inflação não tenha convergido para a meta de 3%, os números recentes sugerem uma convergência gradual, com a inflação acumulada em 12 meses de 4,22%.
"Ao se considerar a meta mais a margem de tolerância de 1,5%, os preços no Brasil se encontram dentro da margem de tolerância estabelecida no regime de metas de inflação. Já no caso dos EUA, a situação é completamente diferente, pois o núcleo da inflação e os preços dos serviços vêm mostrando a pressão, em um cenário pouco favorável ao processo desinflacionário", explica, reforçando que, no caso norte-americano, a inflação está acima do objetivo de 2% ao ano desde março de 2021.
Lá, já são 66 meses consecutivos com inflação acima do objetivo do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
A culpa é do petróleo?
A persistência da inflação nos Estados Unidos tem múltiplas causas, mas, explica Vartanian, o conflito com o Irã, que elevou o preço médio do galão de gasolina de cerca de US$ 3,30, em março passado, para US$ 4,30 este mês, contribuiu muito para que os preços acelerassem e ficassem em patamares elevados.
"O aumento nas cotações da commodity impacta o de outras, seja pelo fato de serem parcialmente substitutas, como o gás natural, ou ainda, pelo fato de que aumentam os custos de produção em praticamente todas as atividades produtivas e comerciais", reforça.
O que muda na prática?
Para a XP, no caso brasileiro, os indicadores domésticos seguem apontando para desaceleração econômica e desinflação e é justamente tal combinação que deve reforçar a postura cautelosa do Copom, mas não impedir um corte adicional na taxa Selic.
Já o comunicado pós-decisão pode não trazer alterações relevantes em relação à reunião anterior do Copom. "O Comitê deve enfatizar as evidências adicionais de desaceleração da atividade doméstica", avalia a gestora, que prevê extensão do ciclo de calibração de juros nos próximos meses, com a taxa Selic atingindo 13,25% no final de 2026 e 11,50% em 2027.
"A magnitude e a intensidade do ciclo continuam dependendo da sinalização de política fiscal após as eleições de outubro e da evolução dos choques de oferta globais", reforça.
O professor de Economia da Mackenzie lembra, entretanto, que mudanças nas taxas de juros costumam impactar os fluxos de capitais, as decisões de poupança e de investimento produtivo e isso vale ainda para a rentabilidade das empresas.
"Nesse contexto, é aguardado que haja efeitos das decisões de política monetária sobre a produção, a renda das famílias e os níveis de emprego", diz.
Já a economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawauti, reforça que a continuidade do ciclo de queda nos juros por aqui pode ser sentida, por exemplo, nas taxas de financiamento ao consumidor final.
"Isso demora um pouco para acontecer, porque existe uma defasagem, mas a gente deve esperar mais para o final deste ano e também para o ano que vem, que isso se traduza em taxas de financiamento mais baixos. Financiamento para bens de consumo e para carros, mas ainda para bens de valor maior, como o de imóveis, por exemplo", completa.

