Pix está em risco? Entenda novos ataques dos EUA ao sistema de pagamentos do Brasil
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos

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Atualizado em
02/06/2026 às 11:03
Por Gustavo Boldrini e Cícero Cotrim, da Broadcast
Em comunicado divulgado na madrugada desta terça-feira, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com algumas exceções, após uma investigação iniciada em julho de 2025 considerar práticas comerciais do Brasil como "irracionais" e que "sobrecarregam e restringem" o comércio americano.
O Pix, mais uma vez, é um dos grandes pivôs das reclamações dos americanos. Na nota, o USTR afirma que "o Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo".
A decisão se soma à recente medida da administração do presidente Donald Trump de designar os grupos criminosos PCC e Comando Vermelho como organizações internacionais terroristas. A ação foi visa pelo governo brasileiro como algo que vai além de uma mera tentativa de combater a criminalidade, mas que pode trazer sérias consequências até mesmo para a economia brasileira - inclusive para o próprio Pix.
A citação ao Pix no comunicado desta madrugada do USTR foi recebida pelo governo do Brasil como resultado de uma pressão de lobbies de pagamentos americanos para privatizar o sistema do País, de acordo com fontes consultadas pela Broadcast . Em abril, outro documento do órgão já tinha considerado o Pix como prejudicial à bandeiras americanas, como Visa e Mastercard.
Segundo a decisão de hoje, o Brasil estaria dando tratamento preferencial ao Pix, exigindo a disponibilidade, visibilidade e limite de cobranças no sistema, além da obrigatoriedade da oferta. Essas práticas seriam "discriminatórias" contra empresas americanas, por se aplicarem apenas ao sistema nacional.
"Os atos, políticas e as práticas do Brasil em relação ao seu tratamento preferencial do Pix são um fardo ou restrição ao comércio americano, ao impor custos para provedores de serviços dos EUA e ao forçar que os provedores dos EUA promovam seu competidor brasileiro, sem compensação", diz a decisão.
Os EUA também criticaram o "papel duplo" do como dono e operador do sistema, o que criaria um conflito de interesses. "O banco agiu como regulador para desfavorecer provedores de serviços de pagamentos eletrônicos dos EUA e favorecer o Pix", diz o USTR.
Na semana passada, já havia gerado apreensão no mercado brasileiro a notícia de que os EUA havia decretado PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. O temor era algo semelhante ao que ocorreu no ano passado, quando os EUA impuseram sanções da Lei Magnitsky sobre autoridades brasileiras como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Isso ocorre porque, ao designar PCC e CV como entidades terroristas, os EUA podem promover sanções, como congelamento de ativos de bancos e a proibição de transacionar com empresas americanas, caso seja identificado, por exemplo, que alguém ligado a essas facções tenha utilizado alguma conta para fazer transações.
Segundo ele, ainda que a infraestrutura do sistema de pagamentos instantâneo não seja afetada, sanções impostas pelo governo americano a alguma instituição financeira brasileira criariam "um baita problema sistêmico".
(Colaboraram André Marinho, Mateus Maia e Vinicius Novais)
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