Ouro volta a subir e atinge pico desde junho: é hora de comprar?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
11/08/2026 às 10:40
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 11/08/2026 - O ouro voltou à pauta dos mercados financeiros globais e se encaminha para a quarta semana consecutiva em alta. O metal precioso operava na casa de US$ 4.447 perto das 9h30 (de Brasília) desta terça-feira, nos maiores níveis desde junho.
Apesar da retomada, o ouro segue cerca de 20% abaixo do pico histórico de US$ 5.586 registrado no fim de janeiro. Afinal, será que é hora de comprar ouro na expectativa de que o metal volte a níveis recordes?
Por que o ouro está subindo?
Analistas apontam que o principal gatilho para a alta recente do ouro foi o relatório oficial de empregos dos Estados Unidos, o payroll, divulgado na última sexta-feira (7). A criação de vagas abaixo do esperado ajudou a sustentar a tese de que o Federal Reserve (Fed) não deverá aumentar os juros americanos, o que favoreceu o metal, segundo Mauriciano Cavalcante, especialista da Corretora Ourominas.
"A surpresa no payroll reduziu a probabilidade de alta dos juros em setembro, diminuindo o custo de oportunidade do ouro e ajudando a sustentar o metal", afirmou.
Por outro lado, aponta Cavalcante, o tarifaço do governo americano mantém o risco inflacionário global elevado, e as tensões no Oriente Médio seguem pressionando o petróleo, o que cria uma disputa entre atividade mais fraca e inflação ainda resistente.
Há espaço para mais altas?
O dado de inflação ao consumidor, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), de julho dos EUA, que sai nesta quarta-feira (12), será crucial para o comportamento dos mercados globais daqui para a frente. E com o ouro não deve ser diferente.
"Os mercados esperam que o CPI dos EUA suba 0,1% mês a mês em julho, e uma leitura mais suave após o recente relatório fraco de empregos poderia reduzir as expectativas de mais apertos monetários", afirmou o analista Soojin Kim, do MUFG, em entrevista à Dow Jones Newswires .
Analistas também apontam um fator mais estrutural como possível catalisador para o ouro: o aumento de reservas de bancos centrais ao longo do segundo trimestre. Segundo relatório do World Gold Council, autoridades monetárias globais compraram 289 toneladas do metal precioso entre abril e junho, cinco vezes mais do que o volume adquirido no primeiro trimestre.
O aumento da compra de ouro por bancos centrais mantém "um suporte estrutural importante mesmo diante da volatilidade de curto prazo", avalia Mauriciano Cavalcante, da Ourominas.
Em artigo publicado nesta segunda-feira na CNBC , o especialista Michael Khouw, da Tidal Financial Group, afirmou estar elevando o volume de compra de ouro diante do atual cenário macroeconômico e citou também a expansão das reservas do Banco do Povo da China (PBoC) mantidas em Hong Kong.
Como investir em ouro?
Investir em ouro vai muito além de comprar barras ou até mesmo joias. Hoje, a forma mais comum de se expor ao metal precioso é por meio de veículos oferecidos pelo mercado financeiro.
É possível investir em fundos que aplicam em ouro, como o Fundo Multimercado Ouro, da BB Asset, que busca acompanhar o valor do mercado do metal precioso, protegendo o investidor de eventuais perdas com a variação cambial.
Outra opção é investir em ouro por meio de ETFs, que são fundos que buscam acompanhar a variação de algum índice. O ETF IAU, gerido pela BlackRock e listado na Bolsa de Nova York, é um dos mais famosos do mundo. No Brasil, é possível investir no BIAU39, um BDR (Brazilian Depositary Receipt), que replica a movimentação deste ETF.
Ainda na B3, também existem outras opções de ETFs atrelados ao ouro, como o GOLD11 e o GOLX11, da XP Asset; o GLDX11, da Investo; o GOLB11, do BTG Pactual; e o GLDI11, da Itaú Asset.

