O Copom vai mexer na taxa Selic? Veja as apostas sobre a decisão de amanhã
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
03/11/2026 às 11:57
Por Soraia Budaibes, da Broadcast
São Paulo, 03/11/2026 - Após o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reduzir a taxa básica de juros pela quinta vez na última reunião de setembro, a expectativa de analistas é a de que o colegiado interrompa o ciclo de cortes na decisão de amanhã e mantenha a Selic em 13,75% ao ano.
A explicação dos especialistas para a manutenção está ancorada, especialmente, no aumento da inflação medida pelo Índice nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), além das últimas eleições presidenciais.
"Com a reeleição do presidente Lula era esperada uma pressão cambial no final do ano, o que realmente está ocorrendo. Além disso, a inflação corrente tem se deteriorado na margem por conta dos preços dos alimentos, que começam a ser afetados pelo El Niño", explica Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
Otávio Araújo, consultor da Zero Markets Brasil, compartilha da mesma tese. "A continuidade da política econômica aumentou as dúvidas sobre o ritmo do ajuste fiscal e a trajetória da dívida pública, o que provocou forte desvalorização do real e alta dos juros futuros", diz o especialista.
Ele afirma também que esse movimento é importante para o BC porque um dólar mais caro tende a encarecer importados, insumos e bens comercializáveis, pressionando a inflação.
Além da questão doméstica, os juros altos nos Estados Unidos e a valorização do petróleo com o conflito no Oriente Médio impedem o Copom de acelerar o ciclo de flexibilização monetária, segundo sua avaliação.
Inflação em alta
O economista-chefe da Suno Research enxerga o IPCA - inflação oficial do País - e o IPCA-15 - prévia da inflação - acima do limite superior da meta do BC. Em setembro, o IPCA subiu 0,82% e o acumulado em 12 meses atingiu 4,58%, enquanto a meta perseguida pela autoridade monetária é de 4,5%. Já o IPCA-15 de outubro teve ganho de 0,32% e em 12 meses ficou em 4,62%.
O relatório Focus, divulgado mais cedo, apontou que a mediana para o IPCA de 2026 subiu de 5,19% para 5,22% - 0,72 ponto porcentual acima da meta. Já a estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 subiu de 4,34% para 4,76%. Um mês antes, era de 4,30%.
Por que o comunicado do Copom é importante?
Além da decisão sobre os juros, o mercado aguarda pela comunicação que o BC faz junto dela. A expectativa desta vez é a de que a autoridade monetária adote um tom cauteloso amanhã.
"O mercado precifica a manutenção da taxa Selic, mas caso o Banco Central adote outra postura, isso pode gerar algum ruído sobre os próximos passos", diz o economista-chefe da Suno Research.
Por isso, a recomendação ao investidor é de cautela já que, orienta o especialista, nesses momentos de volatilidade, em especial no curto prazo, as decisões guiadas por euforia ou frustração podem levá-lo a fazer escolhas precipitadas.
Assim como Sung, Araújo, da Zero Markets, aposta em um comunicado cauteloso, rigoroso e menos complacente com a inflação.
"Mesmo que o Copom mantenha a taxa Selic em 13,75% ao ano, o texto deve explicar por que prefere esperar agora antes de retomar ou aprofundar os cortes de juros. O ponto mais importante deve ser a linguagem sobre o balanço de riscos para a inflação. Com o real, momentaneamente, desvalorizado, o Copom tende a reconhecer que há pressões adicionais sobre os preços atuais, especialmente nos bens importados e nos componentes mais sensíveis ao câmbio", acredita Araújo.
Os especialistas não vislumbram que o BC dê perspectivas do futuro da taxa básica de juros para as seguintes reuniões.
"É provável que o Banco Central reforce que cada decisão dependerá dos dados de inflação, da atividade econômica, do mercado de trabalho, do câmbio e das expectativas. O que o investidor tem que se atentar no comunicado é se o Copom sinaliza que a pausa é apenas uma espera por mais dados ou se indica uma interrupção mais duradoura", completa o consultor da Zero Markets.

