Mistura de etanol na gasolina vai aumentar para 32%: vai cair o preço na bomba?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
14/07/2026 às 15:41
Por Gustavo Boldrini, Renan Monteiro e Leandro Silveira, da Broadcast
São Paulo, 14/07/2026 - O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira uma resolução que eleva temporariamente, de 30% para 32%, o porcentual obrigatório da mistura de etanol anidro adicionado à gasolina em todo o território nacional.
A medida havia sido anunciada em abril, mas ainda dependia do aval do colegiado formado por representantes de 17 ministérios. O aumento terá vigência de 180 dias, com possibilidade de prorrogação, uma única vez, por igual período.
"A atualização do teor da mistura vai fazer com que o País deixe de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano", disse o Ministério de Minas e Energia (MME), em nota.
Vai cair o preço da gasolina na bomba?
Além de reduzir a dependência de combustível importado, a ampliação da mistura obrigatória de etanol deve reduzir o preço da gasolina nos postos, segundo o MME.
A lógica é simples: como o etanol produzido no Brasil está mais barato, adicioná-lo em maior proporção reduz o custo médio de produção da gasolina que chega aos postos. De acordo com o ministro Alexandre Silveira, a medida deve, inicialmente, reduzir o preço da gasolina na bomba em R$ 0,03 por litro.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) destacou, em nota, que o etanol pode atuar como amortecedor das oscilações do mercado internacional de petróleo, em meio à volatilidade causada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
Pelos cálculos da associação, sem o etanol, os consumidores brasileiros teriam desembolsado R$ 8 bilhões a mais nos últimos três meses, ou quase R$ 32 bilhões em um ano, devido ao maior custo da gasolina importada.
A medida é prejudicial aos veículos?
A Lei do Combustível do Futuro (14.993/2024) determina que o aumento do porcentual obrigatório do etanol na gasolina deve ser aprovado somente após verificação da viabilidade técnica da mistura para os veículos automotivos.
Desde que a proposta de aumento foi realizada, o MME realizou um programa de testes, que demonstraram que não há impactos relevantes no desempenho, na dirigibilidade, nas emissões ou no consumo de combustível dos carros flex e a gasolina. Foi identificada "plena capacidade" de adaptação dos sistemas veiculares ao teor de etanol em até 32%, segundo a pasta.
Especialistas ouvidos pelo Jornal do Carro , do Estadão, citam que, apesar de veículos flex estarem adaptados para o aumento da mistura, existe a chance de maior consumo de combustível, uma vez que o etanol tem menor poder energético por litro que a gasolina.

