Midterms 2026: como as eleições nos EUA podem afetar Trump e os mercados?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
28/10/2026 às 14:54
Por Gabriela Pessanha, da Broadcast
São Paulo, 28/10/2026 - No dia 03 de novembro, o eleitorado dos Estados Unidos vai às urnas escolher mais de 500 representantes que irão ocupar as cadeiras da Câmara, Senado e a liderança dos estados. Além de preencher os cargos, o pleito também é um termômetro que mostra o favoritismo dos americanos entre os republicanos e os democratas.
Chamada de midterms - ou eleições de meio de mandato -, a votação pode alterar o controle do Congresso americano e influenciar a aprovação de leis, a política fiscal e a agenda econômica do governo.
Quais os cargos que serão preenchidos a partir de 03 de janeiro de 2027?
Na votação da semana que vem, os americanos irão definir quem irá ocupar:
Toda a Câmara dos Representantes, que é composta por 435 cadeiras;
35 dos 100 senadores;
Governadores de 36 estados.
Vale lembrar que as midterms são realizadas devido ao tempo de mandatos dos deputados (dois anos) e senadores (seis anos) dos EUA, sendo que o segundo grupo tem um terço do contingente renovado a cada eleição.
Ainda dentro do Senado, estão em jogo as cadeiras de JD Vance e Marco Rubio, que renunciaram aos cargos para atuar como vice-presidente e secretário de Estado, respectivamente.
Outro dado importante é que, mesmo com a eleição marcada para o dia 3, a votação antecipada já começou em alguns estados, com boa parte dos eleitores mandando pelo correio as suas opções.
Democratas devem levar o pleito
Para o analista da Ciano Investimentos, Rafael Minotto, o mercado já precifica uma ampla vitória do Partido Democrata nas midterms, o que poderá funcionar como um freio fiscal para a gestão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Partido Republicano.
"Com a oposição ocupando a maior parte das cadeiras, Trump não conseguirá aprovar sozinho grandes pacotes de gastos ou cortes de impostos", diz.
Ele reforça que, historicamente, ambos os partidos - Democrata e Republicano - costumam gastar acima da arrecadação. O último superávit fiscal dos Estados Unidos aconteceu entre 1998 e 2001, no governo Bill Clinton, com Congresso republicano.
Minotto comenta que a diferença entre a dinâmica de gastos americana e brasileira está na moeda. "Os EUA se endividam na própria moeda, há demanda estrutural do mundo inteiro por Treasuries e parte da inflação acaba sendo exportada. Por isso, não existe a mesma pressão que vemos no Brasil", comenta.
Midterms e decisão do Fed: qual a relação entre os dois eventos?
A coordenadora do curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, Fernanda Brandão, explica que a proximidade da decisão do banco central americano, o Federal Reserve (Fed), de hoje, sobre a política monetária do país com as midterms pode contribuir para a manutenção da taxa de juros.
"Historicamente, a instituição evita mudar taxas de juros ou mudanças de política monetária perto de eleições para não dar um caráter partidário às suas decisões. O Fed opera como uma instituição independente sob mandato do Congresso e busca não ter uma inclinação partidária nas suas escolhas de política monetária", diz.
Segundo sua avaliação, a expectativa também é de que, mesmo que haja uma mudança na composição das casas do Congresso favorecendo o partido Democrata, não haja uma mudança significativa na política econômica americana, sobretudo no que diz respeito ao aumento dos gastos públicos e a inflação, dada a continuidade do conflito do país com o Irã.
Qual é o impacto das midterms no governo de Trump?
Marcadas como um teste para a aprovação de seu governo junto ao eleitorado, as midterms são citadas de forma recorrente por Trump por meio de postagens nas redes sociais. No começo do mês, o líder da Casa Branca disse que não iria atacar o Irã novamente até as eleições de meio de mandato.
Em outras publicações, o republicano classificou votação de 2026 como "a mais importante da história do país" e ofereceu bonificação de US$ 1 milhão para quem denunciar fraudes nas eleições.
No começo deste mês, ele voltou a prometer US$ 5 mil a cada cidadão americano, caso os republicanos vençam as eleições legislativas.
Para a professora Fernanda Brandão, como Trump não pode se reeleger por estar em seu segundo mandato à frente da Casa Branca, uma vitória do partido Democrata nas midterms pode sinalizar um obstáculo para o indicado dos republicanos à cadeira, em 2028.
"Quando o governo não tem bons índices de aprovação, isso pode levar a uma mudança na configuração das casas legislativas dando a maioria para o partido de oposição e dificultando os últimos dois anos de mandato do presidente incumbente, o que pode dificultar suas chances de reeleição se for o caso, ou de eleição do novo candidato apresentado por seu partido", completa.

