Mercado cripto no Brasil somou R$ 506 bi em 2025 e stablecoins lideraram
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
06/07/2026 às 11:45
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 06/07/2026 - O mercado brasileiro de criptoativos declarado terminou 2025 com um volume total de R$ 506 bilhões, dos quais 80% são stablecoins. É o que mostram os dados abertos de relatórios da Receita Federal compilados pela consultoria Fintrender, especializada em ativos digitais e tokenização.
"O Brasil é um dos poucos países do mundo que publica dados abertos sobre fluxos de criptoativos e declarações de bens dessa natureza - o que torna esta leitura possível, o que é raro no cenário internacional", comenta Gustavo Cunha, fundador da Fintrender.
O estudo considerou os dados abertos da Receita do período de agosto de 2019 a dezembro de 2025 - ou seja, praticamente seis anos.
Stablecoins no topo
As stablecoins, criptoativos lastreados em moedas fiduciárias, como o dólar, representam a ampla maioria do volume de ativos digitais declarados à Receita ao final do ano passado: de apenas 3,5% na primeira leitura do relatório, em 2019, essa classe alcançou o pico de representatividade em 2023, a 91,5%, caiu para 75,7%, em 2024, e voltou a subir para 80,2%, no fim de 2025.
E esse montante é extremamente concentrado na Tether (USDT), dona de 89,7% do volume de stablecoins declaradas. Essa criptomoeda representou 72% do volume total de todo o universo de ativos digitais negociados ao longo de 2025 no Brasil, de acordo com os dados da Receita. Em segundo lugar ficou o Bitcoin (BTC), com 10,6%.
"O brasileiro que declara cripto usa cada vez mais stablecoins, sobretudo USDT, como reserva e meio de transferência, e cada vez menos ativos voláteis como aposta especulativa", conclui a Fintrender no relatório.
Base de investidores explode
A base de investidores que declararam a posse de criptomoedas à Receita Federal se multiplicou por 34 vezes em seis anos, saindo de 134 mil em agosto de 2019 para 4,6 milhões em dezembro de 2025.
O crescimento da base, lembra a Fintrender, teve forte impulso a partir de 2023, quando as exchanges nacionais passaram a reportar dados sem limite de valor - o que elevou o número de investidores.
"Os valores representam o consolidado das declarações dos contribuintes, incluindo eventuais erros de preenchimento - a própria Receita recomenda cautela com valores absolutos", ressalta a consultoria.

