Investimentos digitais: B3 e CVM avançam na tokenização de ativos
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
13/10/2026 às 11:14
Por Gabriela Pessanha, da Broadcast
São Paulo, 13/10/2026 - A B3 e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apresentaram na última semana novos passos para a negociação de ativos em blockchain no Brasil.
O movimento acompanha uma tendência de expansão global: segundo estimativa do Citi, a economia tokenizada deve movimentar entre US$ 4 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030. No cenário nacional, a expectativa é que os primeiros papéis com essa tecnologia comecem a rodar na Bolsa a partir de 2027.
Outro órgão atento a essa transição é Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A entidade iniciou no primeiro semestre um projeto-piloto para testar a tecnologia em ambiente controlado para "aprender com os desafios práticos, operacionais e regulatórios antes de sugerir novas diretrizes para o mercado local", segundo informou.
Entenda sobre o que está envolvido no tema e os avanços previstos por aqui a seguir:
Fiscalização no radar
A fiscalização do segmento foi o ponto central da participação da CVM no encontro "Grupo de Trabalho de Tokenização", realizado na última quinta-feira (dia 8). Na ocasião, a autarquia reforçou que pretende intensificar o monitoramento das operações e o combate à lavagem de dinheiro.
Bruno Gomes, superintendente de Securitização e Agronegócio da CVM, explicou que o órgão prepara um ambiente de testes voltado a produtos tokenizados. A ideia é acompanhar de perto todo o ciclo de vida dos títulos - da emissão e escrituração até a custódia e liquidação -, cobrindo ativos imobiliários, do agronegócio e operações de securitização.
No mesmo evento, a B3 sinalizou que pretende ofertar os novos ativos com o mesmo nível de liquidez negociado hoje nos mercados tradicionais. Para Humberto Costa, diretor de Produtos de Balcão e Ativos Digitais da Bolsa, a iniciativa abre portas especialmente para atração de capital estrangeiro.
"Ainda não fixamos a quantidade de ações que entrará no modelo, pois o objetivo é dar amplitude ao projeto. A B3 tem estrutura para tokenizar todas as ações, mas a liquidação continuará rodando em D+2 por exigência regulatória. A tecnologia permite liquidação instantânea, mas isso depende de mudanças na regra do jogo", destacou Costa.
Do lado da infraestrutura técnica, a leitura é de que a integração traz maturidade. Renato Carneiro, pesquisador em blockchain do Instituto Venturus, aponta que a chegada dos ativos à Bolsa dá mais segurança jurídica e governança aos investidores. "A tokenização é apenas uma parte do processo. Supervisão, liquidação e interoperabilidade precisam caminhar no mesmo nível de rigor", avalia.
Ganhos operacionais, mas sem soluções mágicas
A mudança de patamar do debate também é destacada por Cássio J. Krupinsk, CEO da BlockBR Digital Assets. Para ele, o mercado superou a fase básica de questionar o que pode ser tokenizado e agora foca na estruturação do Mercado de Capitais Digital (MCD).
"O ganho real está na integração de etapas que hoje funcionam de forma isolada. Uma infraestrutura digital bem desenhada reduz trabalho manual, automatiza rotinas, dá rastreabilidade às operações e conecta os agentes de mercado com muito mais fluidez", pontua.
Para ele, um sinal de amadurecimento do mercado é justamente entender que a tokenização não elimina os riscos inerentes às operações financeiras, que continuam existindo independente da tecnologia.
"O Brasil tem uma oportunidade relevante de avançar na modernização da infraestrutura do mercado de capitais. Mas, para isso, precisamos superar a discussão limitada à emissão de tokens. O verdadeiro potencial está na construção de um ambiente em que instituições financeiras possam operar de maneira mais integrada, automatizada e eficiente, preservando os princípios de segurança, governança e responsabilidade que sustentam o sistema financeiro", finaliza.
Mas, afinal, o que são tokens?
Na prática, tokenizar significa emitir a representação digital de um ativo em uma rede blockchain, permitindo seu fracionamento. Essa divisão em partes menores reduz o custo de entrada para investidores e injeta liquidez em mercados antes restritos.
Esses ativos se dividem, principalmente, em duas categorias:
Fungíveis: bens intercambiáveis entre si e de mesmo valor, como moedas ou ações;
Não fungíveis: bens únicos e indivisíveis, como obras de arte ou certificados digitais de propriedade (NFTs).
Registrados em redes blockchain, os tokens mantêm um histórico de transações permanente e imutável.
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