Mais cortes na Selic? IPCA de junho reforça expectativa por nova queda de juros em agosto
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
10/07/2026 às 13:43
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 10/07/2026 - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em junho desacelerou em relação ao mês anterior e veio bem abaixo do previsto por especialistas do mercado, o que pode reforçar a expectativa de um novo corte na taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central na reunião de 4 e 5 de agosto.
- Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA subiu 0,16% em junho, após a alta de 0,58% de maio. A leitura do indicador no acumulado dos últimos 12 meses caiu de 4,72% para 4,64%, aproximando-se do teto da meta perseguida pelo BC, de 4,50%.
A leitura mensal veio abaixo do piso das estimativas de economistas consultados pelo Projeções Broadcast, que ia de 0,26% a 0,37%, com mediana de 0,31%. A leitura anual tinha estimativas variando entre 4,75% a 4,86%, com mediana de 4,79%.
Especialistas destacaram o recuo de 0,24% nos preços de Alimentação e Bebidas, que trouxe uma contribuição negativa de 0,05 ponto porcentual para o índice e ajudou no alívio inflacionário. Foi a primeira vez desde novembro de 2025 que houve deflação neste grupo, segundo André Valério, economista sênior do Inter.
IPCA confirma novo corte de juros em agosto?
A grande questão que fica no ar é se os dados de inflação divulgados hoje confirmam a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) voltará a cortar a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual na reunião de agosto.
- Economistas do Itaú Unibanco e da XP destacaram uma leitura benigna e mais comportada para a inflação no curto prazo. Para o economista Leonardo Costa, do ASA, o IPCA de junho reforça a chance de uma nova queda dos juros em agosto. Ele afirmou ainda que espera uma inflação mais fraca no curto prazo, sustentada pela deflação de alimentos e pela dissipação gradual dos impactos do choque do petróleo.
Apesar do alívio, Costa ressaltou que ainda há pressão disseminada sobre alguns núcleos da inflação e possíveis efeitos de segunda ordem associados à alta anterior do petróleo - o que tem levado o BC a adotar uma postura mais cautelosa em suas comunicações sobre os juros.
Ontem, a B3 divulgou levantamento mostrando que investidores precificavam cerca de 75,5% de probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic em agosto, enquanto a chance de manutenção dos juros era de 21%. Os dados levam em conta as Opções de Copom negociadas na B3, apurados com base nas negociações até 7 de julho.
Mercado se empolga com IPCA
A leitura do IPCA ajuda a empolgar os investidores no início do pregão desta sexta-feira, com forte alta na Bolsa e alívio nos contratos de juros futuros e no dólar.
Às 11h30 (de Brasília), o Ibovespa saltava 2,32%, aos 176.756 pontos, um salto quase 4.000 pontos em relação à abertura do índice, a 172.760 pontos. Com isso, o indicador passa a subir mais de 1,20% no acumulado da semana.
Ações mais sensíveis a juros, cujas taxas futuras recuam, são destaques de alta na Bolsa. É o caso de Magazine Luiza (MGLU3), que saltava 7,61% no horário; Cogna (COGN3), que subia 5,33%; e Cyrela (CYRE3), que avançava 4,47%.
(Colaboraram Gustavo Nicoletta, Letícia Correia e Gabriela Jucá)

