Fed mantém juros, mas chance de alta em setembro aumenta: como ficam os mercados?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
29/07/2026 às 16:30
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 29/07/2026 - O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de juros dos Estados Unidos inalterada na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano nesta quarta-feira, mas as chances de uma alta de 0,25 ponto porcentual para a próxima reunião, em 16 de setembro, aumentaram de forma considerável.
Por volta das 15h12 (de Brasília), a ferramenta de monitoramento de derivativos FedWatch, do CME Group, indicava 71,3% de probabilidade de elevação dos juros em setembro, contra 55,8% no mesmo horário de ontem.
Até onde vai a alta de juros do Fed?
O mercado segue dividido sobre a magnitude do aperto que o Fed promoverá nos juros. A maior probabilidade (33,4%) é de até duas altas até setembro de 2027, levando a taxa para 4,00% a 4,25%. Outros 26% preveem apenas uma alta, e 22% projetam até três elevações.
Em coletiva de imprensa após a decisão, o presidente do Fed, Kevin Warsh, ressaltou que o FOMC continua determinado a garantir estabilidade de preços, mas evitou fazer previsões sobre os próximos passos.
"O Comitê continua resoluto em entregar a estabilidade de preços. E não há uma meta suave ou flexível. Há apenas uma meta, que é inflação em 2%, e não hesitaremos em agir", disse.
Fed dividido?
A votação pela manutenção dos juros não foi unânime: foram 9 votos por manter a taxa e 3 votos a favor de uma elevação de 0,25 ponto porcentual, por parte de Beth Hammack, de Cleveland), Neel Kashkari, de Minneapolis, e Lorie Logan, de Dallas).
Analistas do BMO destacaram que foi o maior número de votos divergentes em uma reunião do FOMC desde a edição de setembro de 2016 - ou seja, em quase 10 anos. No entanto, a maioria dos membros do colegiado seguiu alinhada à postura do presidente Kevin Warsh, de manter as taxas estáveis pelo menos até setembro, quando o Fed terá acesso aos dados de inflação ao consumidor de julho e agosto.
Para Thomas Ryan, economista sênior da Capital Economics para a América do Norte, o comunicado do Fed de hoje tende "marginalmente para o lado hawkish" em relação às expectativas da consultoria, que previa apenas Logan e Hammack como as possíveis divergências na votação do FOMC.
Como ficam os mercados?
Os rendimentos dos Treasuries, títulos de dívida do governo dos EUA, reagiram à decisão do Fed. Os yields dos títulos de vencimento mais curto, para 2 anos, passaram a cair, o que indica que parte dos investidores estava se preparando para uma possível alta dos Fed Funds hoje, avalia Ryan, da Capital Economics.
Nos mercados de ações, o índice Nasdaq apagou as perdas e subia 0,05% perto das 16h10, enquanto o S&P 500 tinha baixa moderada de 0,23% e o Dow Jones seguia em correção, recuando 1,32%.
Por que a taxa de juros americana importa?
Os Estados Unidos são a maior economia global, mas também possuem o mercado financeiro mais importante do mundo. Por isso, os movimentos da taxa básica de juros do país tendem a mexer com o apetite global por risco.
- Afinal, os Treasuries, que são atrelados aos Fed Funds, são considerados o ativo de renda fixa mais seguros do mundo e tornam-se tanto mais atraentes quanto maior é a taxa de juros, tirando atratividade da bolsa - não só de Nova York, mas também de emergentes, como o Brasil.
O comportamento dos Treasuries também pode impactar as movimentações das taxas de Depósitos Interbancários, os chamados DIs, aqui no Brasil, que são os juros que a renda fixa utiliza para remunerar seus investidores e que se mexem diariamente.
(Colaboraram Darlan Azevedo, Francine De Lorenzo, Karla Spotorno, Patricia Lara e Thais Porsch)

