Fed, bolha da IA e guerras: como esses temas podem mexer com os investimentos?
Publicado por: Broadcast Exclusivo

Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
30/12/2025 às 17:19
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 30/12/2025 - O noticiário internacional costuma mexer - e muito - com o bolso dos investidores. E, se este ano foi um ano extremamente agitado nesse sentido, 2026 promete trazer novas emoções e volatilidade para os mercados. Por isso, vale se preparar para o que vem por aí.
A seguir, confira alguns dos principais temas e eventos que devem movimentar o noticiário internacional no ano que vem e, possivelmente, repercutir por aqui:
Até agora, a principal pergunta de 2026 é essa: como o lidará com as taxas de juros da maior economia do mundo? Afinal, nem mesmo a decisão de janeiro do banco central americano está definida - apesar de as chances majoritárias, até o momento, apontarem para manutenção dos juros.
Um dos fatores que acirram as dúvidas é a configuração da diretoria do Fed, que parece estar fragmentada entre aqueles que querem mais cortes de juros e aqueles que adotam uma postura mais conservadora, diante de um nível de inflação ainda considerado preocupante no país e da atividade econômica robusta.
Segundo apurou a Broadcast junto a agentes de mercado, há perspectiva de que o número de votos dissidentes possa crescer ao longo do próximo ano, à medida que os dirigentes se dividem sobre qual é a maior ameaça à economia dos Estados Unidos - a inflação ou o mercado de trabalho.
E também haverá a chegada de um novo chefe do Fed, a ser indicado pelo presidente Donald Trump para substituir Jerome Powell, seu desafeto público, cujo mandato acaba em maio. Dentre os favoritos estão o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, o ex-diretor do Fed, Kevin Warsh, e o atual diretor, Christopher Waller.
Hassett lidera a disputa, com chance de mais de 50% de ser o escolhido, segundo a plataforma de apostas Polymarket. O executivo da BlackRock, Rick Rieder, e a vice-presidente de supervisão do Fed, Michelle Bowman, também estão na disputa.
As preocupações sobre uma bolha em torno de papéis ligados à IA nas bolsas americanas também é algo que tem preocupado alguns agentes de peso do mercado, como diretores do JPMorgan, analistas do Goldman Sachs e nomes da academia, como o economista Steve Hanke, da Universidade Johns Hopkins.
O risco ocorre porque os altos gastos de gigantes, como Microsoft, Oracle, Amazon e Google em ativos de IA ainda não mostraram a capacidade de retornos, o que pode pressionar as ações de empresas que vêm surfando no otimismo com essa tecnologia - o caso de fabricantes de chips, como Broadcom e AMD.
"As estão na fase mais intensa de gasto e sofrerão com margens comprimidas, enquanto empresas de infraestrutura, e não as big techs, serão as verdadeiras beneficiárias do ciclo. Essa assimetria caracteriza um processo típico de bolha setorial: as empresas mais badaladas sobem por narrativa, mas a captura real de valor está em outros elos da cadeia", afirmou Leonardo Andreoli, analista da Hike Capital, à Broadcast .
Ou seja: haja ou não uma bolha, todo cuidado é pouco quando se fala em ativos altamente valorizados.
O governo Trump, iniciado em janeiro de 2025, passará por uma prova de fogo em 2026, com as eleições de meio de mandato, chamadas de mid-terms. Nelas, os americanos vão às urnas eleger a nova composição da Câmara dos Representantes do país, além de quase um terço do Senado e de governadores em alguns estados.
Hoje, Trump conta com maioria do seu Partido Republicano tanto na Câmara quanto no Senado, e uma virada de quadro, com o Partido Democrata conseguindo maioria em alguma dessas casas, poderia representar riscos para a eleição de um substituto nas eleições presidenciais de 2028, além de enfraquecer a administração.
Para quem investe em , trata-se de um assunto crucial, já que a maioria republicana no Congresso dos EUA tem garantido uma visão mais amigável ao avanço regulatório no setor. O mercado de Treasuries, títulos do Tesouro americano, também pode se movimentar ao sabor de pesquisas eleitorais e declarações públicas.
Em termos geopolíticos, a nova administração Trump fez de 2025 um ano extremamente complexo e cheio de reviravoltas. O tarifaço imposto pelo governo americano trouxe altos níveis de volatilidade aos mercados, enfraquecendo o dólar e levando o ouro, o grande ativo de proteção patrimonial do mercado, a renovar sucessivos recordes.
Quando se fala em guerras, com o cessar-fogo em Gaza, o foco para o ano que vem recai sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia. O governo dos EUA tem tentado atuar em busca de um acordo de paz, mas sem sucesso. Enquanto isso, a União Europeia tem dobrado a aposta em investimentos militares para apoiar os ucranianos.
Também segue vigente o risco de um conflito armado dos EUA na Venezuela, após a apreensão de alguns navios petroleiros do país latino-americano por parte da Marinha estadunidense. A ação foi critica pela China.
Ontem, Trump afirmou que os EUA destruíram na semana passada instalações que armazenavam drogas na Venezuela, sem fornecer, entretanto, detalhes da suposta operação.
Fato é que o petróleo, de extrema importância para um dos grandes ativos de peso da Bolsa brasileira, a Petrobras, deve continuar navegando ao sabor das tensões geopolíticas tanto no Leste Europeu quanto no Caribe.
Saindo da guerra militar e indo para o âmbito comercial, outra pergunta que fica para 2026 é: até quando vai a trégua entre Estados Unidos e China no que diz respeito às tarifas?
No início de novembro, os governos das maiores potências globais assinaram a suspensão do aumento das alíquotas comerciais por um ano. O acordo veio após um encontro pessoal entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping na Coreia do Sul.
Até o momento, tudo está se encaminhando para uma pacificação na relação entre os dois países. Em entrevista à Fox Business, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que, por enquanto, a China está cumprindo tudo o que foi negociado com Washington, e que Trump e Xi compartilham "respeito mútuo".
(Colaboraram Aline Bronzati, Isabella Pugliese Vellani e Pedro Lima)
Invista com o app Investimentos BB
Quer dar uma nota para este conteúdo?