EUA e China estão em guerra? Entenda os impactos da batalha comercial entre as potências
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos
Atualizado em
16/10/2025 às 10:55
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
Os Estados Unidos estão em uma "guerra comercial com a China", conforme declaração dada ontem pelo presidente americano, Donald Trump, que voltou a defender o uso das tarifas como "ferramenta de defesa" do país.
O novo acirramento do conflito entre as maiores potências do mundo, deflagrado na última sexta-feira (10) por conta de discussões em torno de elementos de terras raras da China, tem voltado a preocupar investidores ao redor do mundo.
Afinal, por que essa guerra comercial voltou a esquentar após meses de trégua, e como isso mexe com os investimentos?
A seguir, confira um resumo de tudo o que você precisa saber sobre o assunto:
A volta da guerra comercial
As tarifas comerciais entre Estados Unidos e China estavam pausadas desde maio, após negociações entre delegações dos dois países, que haviam chegado a impor sobretaxas de mais de 100% um ao outro.
Na semana passada, porém, Trump anunciou que daria fim à trégua, aplicando tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro - antes era de 30%. Com isso, a taxação total contra Pequim seria de 130%.
A escalada se deu após a China anunciar medidas para restringir a exportação das chamadas terras raras, um grupo de elementos químicos essencial para a fabricação de tecnologias avançadas, como chips de inteligência artificial, equipamentos militares e de energia.
A medida de Pequim passa a valer a partir de 1º de novembro. Nela, o Ministério do Comércio da China prevê que fornecedores estrangeiros devem obter aprovação do país para exportar alguns produtos com certos materiais de terras raras originários do território chinês. Bens produzidos com parte das tecnologias chinesas também estão sujeitos aos controles de exportação, e ambas as restrições se aplicam a produtos fabricados fora da China.
Trump chamou a medida de "extraordinariamente agressiva", enquanto os chineses justificaram que o objetivo é proteger a segurança nacional do país, uma vez que, segundo o Ministério do Comércio local, algumas organizações e indivíduos estrangeiros "vinham obtendo ilegalmente tecnologias chinesas e as repassando a setores militares ou sensíveis".
Como a guerra comercial mexe com os investimentos?
O primeiro ano do segundo governo de Donald Trump nos EUA tem sido marcado por idas e vindas na questão da guerra comercial e das tarifas aplicadas pela maior economia do mundo. E, quando se fala em mercado financeiro, instabilidade e incerteza são grandes vilões, uma vez que turvam a visão dos investidores e dificultam a tomada de decisão.
Com isso, a tendência do investidor é buscar proteção. O ativo que mais tem crescido com a atual situação de turbulência na economia global é o ouro, renovando sucessivas máximas e reforçando seu papel de porto seguro do mercado, em um momento de fraqueza do dólar americano diante da expectativa por mais cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) neste ano.
Para o mercado brasileiro de ações, a preocupação principal é o impacto da guerra comercial sobre as commodities, em especial o minério de ferro e o petróleo, que mexem com as cotações das principais ações do Ibovespa: Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3 e PETR4).
E esse impacto pode vir por meio de uma desaceleração da economia chinesa, o que pode ocorrer caso as tarifas americanas entrem em vigor, segundo analistas do UBS.
"As tarifas adicionais de 100%, se implementadas, podem reduzir o crescimento total das exportações da China em 6 a 8 pontos porcentuais e impactar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em cerca de 1 ponto porcentual diretamente", afirmou o banco suíço em relatório nesta semana.
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