EUA aplicam nova tarifa de 12,5% contra o Brasil: veja justificativa e possíveis impactos
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
24/07/2026 às 11:01
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 24/07/2026 - O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou ontem a imposição de um novo tarifaço contra 60 parceiros comerciais, dentre eles o Brasil. As tarifas vão de 10% a 12,5%, possuem uma ampla lista de isenções e se referem a supostas investigações sobre trabalho forçado.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, tomou a decisão final, sob a direção do presidente Donald Trump, com base nas investigações da Seção 301, informou o comunicado. A medida é uma resposta ao que o governo americano julga ser "atos, políticas e práticas de diversas economias relacionadas à falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição a bens produzidos com trabalho forçado".
A medida será aplicada a partir de hoje aos 60 principais parceiros comerciais dos EUA, que representam 99,4% das importações americanas, informou o USTR. No caso do Brasil, a tarifa será de 12,5%.
- Confira, a seguir, como será o novo tarifaço, a aplicação aos produtos brasileiros e quais itens ficarão isentos da cobrança:
Como será a nova tarifa dos EUA contra o Brasil?
A tarifa de 12,5% contra produtos brasileiros alcançará cerca de 3 mil produtos, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos Estados Unidos, informou a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) em nota.
Segundo a entidade, para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, haverá um efeito cumulativo em relação à tarifa de 25% anunciada na semana passada sob a Seção 232 do USTR, o que resultará em uma tarifa total de 37,5%, "um dos níveis mais elevados aplicados pelos Estados Unidos a seus parceiros comerciais."
Quais produtos são isentos da nova tarifa?
A lista de produtos que ficarão isentos da nova tarifa de 12,5%, além daqueles que já estavam mencionados nas exceções referentes ao tarifaço de 25%, no caso do Brasil, engloba principalmente itens agropecuários, como carne bovina, café, soja, amendoim, açúcar e cacau.
Segundo os EUA, as isenções incluem matérias-primas que, se sujeitas às tarifas, poderiam levar à indisponibilidade do fornecimento interno, uma vez que o país não cultiva ou não produz esses itens em quantidade suficiente para a demanda interna.
Como o Brasil vai responder ao novo tarifaço?
A exclusão de carne bovina e café pode limitar os efeitos das novas tarifas, mas o governo brasileiro reafirmou que estará atento aos setores mais impactados e não hesitará, se necessário, em aplicar a Lei da Reciprocidade.
"O governo brasileiro não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade. Porque seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira, os interesses do Brasil", afirmou ontem o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias.
Elias afirmou ainda que há setores que estão sendo "muito sacrificados" pelas tarifas americanas, com destaque para os produtores de madeira. E ressaltou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é buscar a negociação com os americanos, a fim de reduzir ainda mais os efeitos das tarifas e ampliar as isenções.
A resposta da União Europeia
A União Europeia também está na lista de afetados pelas tarifas. Em resposta, a chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, questionou a justificativa de Washington, defendendo que as alegações de falhas nos controles europeus contra o trabalho forçado eram "infundadas".
"Se você comparar nossas leis trabalhistas com as dos Estados Unidos, temos férias remuneradas, temos condições de trabalho muito boas para nossos funcionários; portanto, isso não tem fundamento", criticou Kallas, em entrevista à Reuters nesta sexta-feira.
Kallas disse ainda que a UE buscará esclarecimentos junto ao governo Trump, uma vez que o bloco tem cumprido os compromissos do acordo comercial firmado no ano passado e, por isso, as novas tarifas são "uma surpresa negativa".
(Colaboraram Patrícia Lara, Denise Abarca, Isadora Duarte, Flávia Said e Isabella Pugliese Vellani)

