Dividendos e receitas previsíveis: por que as utilities são 'queridinhas' do investidor?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
08/10/2026 às 11:18
Por Soraia Budaibes, da Broadcast
São Paulo, 08/10/2026 - A Cemig (CMIG4) voltou aos holofotes recentemente após o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), descartar a privatização da companhia. O interesse do investidor no segmento no qual a estatal mineira se insere - o de utilities - vai além de questões políticas.
Segundo especialistas, o setor tem ficado cada vez mais no radar, beneficiado por características que costumam atrair o investidor pessoa física: receitas mais previsíveis, negócios maduros e histórico de pagamento de dividendos.
O UTIL, índice da B3 que reúne empresas da área, apura este ano até aqui valorização de quase 26%, muito perto do desempenho do Ibovespa, referência da Bolsa, de 27%.
Com a perspectiva de juros menores, essas empresas podem ganhar ainda mais espaço nas carteiras. Entenda mais sobre o cenário a seguir:
O que disse o governador eleito?
O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) afirmou após a vitória no primeiro turno das eleições, no último domingo, que não deve privatizar a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), alegando que a empresa gera lucros.
Além disso, sustentou que os recursos da estatal sejam revertidos para subsidiar a conta de energia da população. "Não tem que pegar uma estatal que dá lucro e fazer barganha com ela. Isso eu não vou fazer", afirmou. Em seguida, reforçou que a Cemig é "um patrimônio do Estado e será muito bem cuidada".
Desde essas declarações, as ações da Cemig (CMIG4) vêm passando por intensa volatilidade na Bolsa. Hoje, logo após a abertura dos negócios, perto das 10h30, marcavam alta de 0,59%, enquanto no mês e no acumulado de 2026 registram valorização de 7% e 13,93%, respectivamente.
Os papéis da companhia estão no grupo considerado 'queridinho' do investidor pessoa física, segundo os analistas do mercado financeiro.
Hugo Queiroz, gestor de portfólio da Soho Capital, explica que o motivo que leva a ação a 'encher os olhos' do investidor é simples. "É uma utilitie de verdade", diz.
Dividendo atrai investidor
Não importa o cenário econômico do País, a companhia consegue gerar receitas previsíveis, uma margem operacional boa e geração de caixa consistente. "Com a alavancagem em patamar confortável, sobra caixa, e esse excedente vai para acionista", ressalta Queiroz, ainda em relação à Cemig.
Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, concorda com a avaliação. Com esse histórico bastante significativo de distribuição de dividendos aos acionistas, o papel tem espaço garantido na composição das carteiras.
"Investidor adora dividendo", brinca, lembrando que, neste caso, o que tem favorecido a distribuição de dividendos é a preservação dos fundamentos da empresa com a reconstrução da governança.
Cecco diz ainda que o ambiente de queda de juros tende a ajudar as empresas com esse perfil, mas faz um alerta, em especial às de energia.
"Mais do que comprar uma ação de energia elétrica porque é um setor defensivo, o investidor precisa olhar empresa por empresa e avaliar a alavancagem e os indicadores", orienta.
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