De 0 a 100, brasileiro tira 52,7 em planejamento financeiro: onde estão os erros?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
10/09/2026 às 14:43
Por Soraia Budaibes, especial para Broadcast
São Paulo, 10/09/2026 - A Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) lançou hoje o Índice Planejar, indicador cujo objetivo é medir quanto as pessoas se organizam financeiramente, especialmente em um momento em que o endividamento das famílias brasileiras é de quase 82%, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
"O objetivo é ampliar o debate do planejamento financeiro, dar norte e referência de como ele pode ser executado. O índice vai funcionar como uma bússola para planejadores e instituições financeiras", explicou Ana Leoni, CEO da Planejar, durante coletiva de imprensa.
O índice contempla cinco dimensões: gestão orçamentária, endividamento, reservas e resiliência, proteção e seguro e planejamento de longo prazo. Todas abordam o planejamento do presente ao futuro. "Ele traz um olhar mais minucioso nessas dimensões", explica a CEO da Planejar.
Ela reforça que, para elaboração do indicador, foi aplicada uma metodologia encomendada pelo Instituto Datafolha com pessoas das classes A, B e C, com idades entre 18 e mais de 61 anos, cujas respostas foram abarcadas em uma escala de pontuação de 0 a 100.
O item gestão orçamentária atingiu a pontuação mais alta do indicador: 70,1. Na outra ponta, reservas e resiliência tiveram a menor nota, de 39,3, indicando a vulnerabilidade da população. Já o endividamento alcançou 47,8.
Esse retrato, explica a Planejar, mostra como o brasileiro tem mais facilidade para organizar o mês, conhecer os seus gastos e fazê-los caber em sua renda, mas não consegue, entretanto, guardar dinheiro para imprevistos, por exemplo.
Menor planejamento
O maior desafio se encontra na faixa etária entre 25 e 44 anos, com a menor nota de planejamento financeiro, 51,3.
Para a Planejar, isso pode ser explicado por ser uma fase maior pressão simultânea sobre as finanças pessoais, com a formação de família, financiamentos de longo prazo (como imóvel) e carreira ainda em consolidação acontecendo ao mesmo tempo e com menos patrimônio acumulado.
Para Hilton Notini, gestor de riscos e consultor da Planejar, o índice geral de planejamento financeiro indicado nos dados, de 52,7, em uma escala de 0 a 100 não pode ser classificado como bom, pois está na metade da régua. "Quanto maior [essa pontuação], mais planejado se está", explica.
Na sua avaliação, os dados reforçam que existe muita oportunidade para se trabalhar o planejamento e organização do dinheiro junto à população por meio de práticas de educação financeira, entre outras. "Já sabemos que o planejamento do futuro é pouco explorado", completa.

