Criptomoedas: o que muda a partir do dia 30 e quais cuidados o investidor deve ter?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
20/10/2026 às 12:08
Por Gabriela Pessanha, da Broadcast
São Paulo, 20/10/2026 - Quem investe em Bitcoin e outras criptomoedas deve ficar atento às mudanças nas plataformas de negociação. As exchanges que atuam no Brasil enfrentam novos prazos e exigências para regularizar suas operações perante o Banco Central (BC), e os primeiros efeitos já aparecem no mercado.
Enquanto algumas empresas encerraram suas operações no País, a Binance anunciou mudanças em sua estrutura para atender à regulamentação. Para os investidores, as novidades podem envolver atualização cadastral, alterações nos serviços e até a troca da empresa responsável pela conta. Entenda o que muda e quais cuidados tomar a seguir.
O que as exchanges de criptos precisam mudar?
As novas regras do BC estabelecem exigências para a autorização e o funcionamento das empresas que prestam serviços de ativos virtuais no País. O prazo de 30 de outubro é um dos marcos do processo, que também prevê etapas e condições específicas para as instituições que já atuama por aqui.
Diferentemente de outras exchanges que optaram por interromper as operações no País, a Binance anunciou mudanças para se adequar às novas determinações. A principal delas envolve a Binance Brasil Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S.A., antiga Sim;paul Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S.A., que passa a responder pelas operações em reais dos clientes locais.
O cadastro deles, assim como o histórico de movimentações da conta, será transferido automaticamente para a nova empresa, segundo informou a companhia em nota, que reforçou ainda a importância de manter os dados cadastrais atualizados para evitar eventuais problemas operacionais.
Adaptações necessárias
Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto), Diego Perez, as mudanças na Binance sinalizam que a regulação brasileira exige adaptações concretas até mesmo de grandes plataformas globais.
"Para o setor, o desafio é realizar essa transição com transparência e continuidade no atendimento aos clientes. Do ponto de vista regulatório, defendemos condições equilibradas de concorrência entre empresas nacionais e estrangeiras, com exigências proporcionais aos riscos e espaço para a inovação", afirma.
Quais são as principais mudanças anunciadas pelo BC?**
Entre as determinações da autoridade monetária, estão:
Autorização para funcionamento: as empresas que prestam serviços de ativos virtuais devem observar as exigências de autorização do BC, respeitadas as condições previstas para as instituições em processo de regularização;
Separação patrimonial: os recursos financeiros dos clientes devem ser mantidos em contas individualizadas, separados dos recursos das plataformas. As instituições também precisam adotar mecanismos de segregação dos criptoativos dos clientes em relação aos ativos próprios;
Identificação e rastreabilidade: as plataformas devem cumprir exigências de identificação dos envolvidos nas operações, além de procedimentos de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo;
Transferências de criptoativos: a partir de janeiro de 2027, determinadas transferências para instituições no exterior ou carteiras autocustodiadas poderão ficar retidas preventivamente por até 24 horas para análise de riscos. A medida alcança operações acima de US$ 10 mil, consideradas individualmente ou pelo total movimentado pelo cliente no dia, além de outras transações sujeitas a avaliação complementar.
O que muda para os investidores?
Para a ABcripto, o dia 30 é um marco do processo de adequação das empresas, mas não uma data-limite para que os investidores vendam seus ativos.
"Na prática, os clientes podem receber solicitações de atualização cadastral, informações sobre seu perfil de risco e esclarecimentos sobre a origem ou o destino de recursos. Também podem ocorrer mudanças nos contratos, nas empresas responsáveis pelo atendimento e na disponibilidade de determinados produtos e serviços", detalha Perez.
O vice-presidente da associação explica que cada plataforma pode estabelecer prazos específicos para migrações, atualizações cadastrais ou mudanças em produtos.
Para os investidores, ele recomenda verificar o nome e o CNPJ da empresa responsável pelas operações no Brasil. Nesse processo, é importante consultar as informações oficiais publicadas pelo Banco Central e questionar a exchange contratada sobre sua situação regulatória.
Ele reforça que é preciso diferenciar as instituições autorizadas daquelas que ainda estão com pedidos em análise. "Também é preciso conferir a quais atividades a autorização se refere: a existência de uma instituição autorizada dentro de um grupo econômico não significa, automaticamente, que todos os seus serviços estejam abrangidos", explica.
Novas exigências levam exchanges a encerrar operações no Brasil
Ao longo de 2026, algumas exchanges encerraram operações no País, entre elas a Coinext, a Bitnuvem e a Lemon. Outras, como a Binance, trabalham com processos de migração ou ajustes nos serviços.
Para a ABcripto, a rigidez das novas regras e o prazo de adequação contribuíram para a saída de intermediadoras. "Os requisitos finais, sobretudo o capital mínimo, ficaram acima do que havia sido discutido na consulta pública. A estrutura exigida para uma licença completa tem custo elevado, e o prazo de adequação foi curto diante da complexidade do processo de certificação", comenta Perez.
Ele explica que a expectativa era de que 200 empresas buscassem autorização, mas, atualmente, esse número está próximo de 50, segundo estimativas da associação. Para a ABcripto, parte desse grupo deve buscar a adequação por meio de fusões e aquisições com instituições já reguladas pelo BC.
"O Brasil está entre os países que lideram a adoção de criptoativos no mundo e 29 milhões de brasileiros já investiram em ativos virtuais. Um mercado com essa relevância precisa preservar competição e espaço para novos entrantes, para que a consolidação não se transforme em concentração", completa.

