Copom faz novo corte de 0,25 pp na Selic: onde investir com os juros a 14%?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
06/08/2026 às 11:10
Por Gustavo Boldrini e Eduardo Puccioni, da Broadcast
São Paulo, 06/08/2026 - O Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu ontem um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic), levando-a para 14,00% ao ano.
O movimento já era amplamente esperado pelo mercado, mas as futuras decisões do Banco Central permanecem como uma dúvida: será que o ciclo de cortes de juros acabou, ou ainda há espaço para mais? E, neste cenário, como ficam os investimentos?
A taxa de juros do Brasil vai continuar caindo?
O comunicado divulgado pelo Comitê evitou adiantar quais seriam os próximos passos da política monetária, e analistas de mercado se dividem. Alguns acreditam que o ciclo de cortes acabou, e que a taxa Selic deve se manter em 14% até o fim do ano. Outros ainda veem espaço para mais um corte, levando os juros para 13,75%.
"Me parece que é um Copom cada vez mais desconfortável com o fato de que, apesar de ter uma Selic restritiva, a inflação segue em níveis descolados das metas", comenta Marcelo Rebelo, economista chefe do Banco do Brasil, que projeta o fim dos cortes neste ano.
Já a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, entende que, mesmo com indefinição sobre as próximas decisões, o cenário aponta para a continuidade do ciclo de cortes, levando em conta a perspectiva de desaceleração da inflação nos próximos meses e atividade mais fraca.
No comunicado, o Copom destacou que seguirá acompanhando os próximos dados para definir quais podem ser os passos seguintes da política monetária brasileira.
Como ficam os investimentos após a decisão do Copom?
Apesar da trajetória de queda da Selic, os títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic e aqueles atrelados ao CDI, continuam atrativos, na avaliação de Marcelo Freller, estrategista de produtos de investimento do C6 Bank.
"São títulos que vão continuar performando muito bem, com baixa volatilidade. Hoje o nosso título favorito é o pós-fixado, depois o IPCA+ e por último o prefixado", afirmou o especialista, em entrevista à Broadcast .
Segundo Freller, apesar de alguns títulos atrelados à inflação pagarem taxas atrativas, como o Tesouro IPCA+ 2023 pagando o IPCA + 8,10%, vencimentos mais longos trazem mais risco do ponto de vista fiscal. "No entanto, os vencimentos mais curtos podem ser um bom investimento, justamente pela perspectiva de inflação maior ao longo dos próximos anos", acrescenta.
Para Gustavo Almeida, head de Renda Fixa na Suno Research, o corte de juros realizado ontem pelo Copom já estava precificado pelo mercado, e títulos pós-fixados, como Tesouro Selic, Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), Letras de Crédito do Agronegócio e Imobiliário (LCAs e LCIs), além das debêntures, perdem atratividade marginal daqui para a frente.
No entanto, ele ressalta a importância de manter parte da carteira em pós-fixados. "O investidor que quer reduzir a volatilidade da sua carteira e quer ter uma opção de caixa de liquidez pode privilegiar o investimento em Tesouro Selic, por exemplo. Existem outras funções para além da rentabilidade que esses papéis podem entregar, e que são tão ou até mais importantes do que a rentabilidade em si".
Ainda vale a pena investir na Bolsa?
Na renda variável, apesar da cautela do Copom nos cortes de juros, a redução da Selic tende a ser positiva para as empresas, afinal, juros mais baixos significam potencial melhora nos resultados financeiros. Por isso, para Fernando Siqueira, head de Research da Eleven Financial, apesar de pequena, a redução deve trazer algum impacto.
"Com o corte de hoje e uma sinalização de mais um de 0,25 ponto na próxima reunião, é mais provável que o mercado tenha uma reação positiva. Empresas cíclicas podem ter um desempenho melhor, como as dos setores de varejo e construção", afirma.
(Colaboração de Eduardo Laguna, Caroline Aragaki e Gabriela Jucá)

