Conexão Agro
Resumo e perspectivas semanais do mercado de commodities
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
28/09/2026 às 09:44
SOJA
Perspectivas – 28/09 a 02/10/2026
O mercado seguirá monitorando os desdobramentos do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, realizado em 24 de setembro. Apesar da extensão da trégua comercial entre Estados Unidos e China até janeiro de 2027 e da manutenção dos compromissos chineses de compra de soja norte-americana, a ausência de medidas mais concretas, como a redução imediata de tarifas ou novos volumes de aquisição, limitou os impactos sobre as cotações. Dessa forma, o foco dos agentes tende a permanecer sobre o ritmo das compras chinesas e eventuais avanços nas negociações comerciais entre os dois países.
O avanço da colheita nos Estados Unidos seguirá exercendo pressão sazonal sobre os preços. No entanto, os mapas climáticos indicam a ocorrência de precipitações em algumas regiões produtoras, o que pode provocar atrasos pontuais nos trabalhos de campo e limitar o ritmo da colheita.
O mercado também acompanhará o ritmo de plantio da safra brasileira 2026/27. Caso persistam restrições de umidade do solo em importantes regiões produtoras, especialmente no Centro-Oeste, e ocorram atrasos na semeadura, os contratos futuros poderão incorporar prêmio climático. Ainda assim, as previsões meteorológicas indicam melhora das condições de precipitação nas áreas onde a janela de plantio já está aberta.
Racional Estratégico
(i) No curto prazo, Após o encontro entre Trump e Xi, o mercado volta o foco para a demanda chinesa e para o desempenho das exportações norte-americanas. Enquanto o avanço da colheita nos Estados Unidos amplia a oferta disponível e exerce pressão sazonal sobre os preços, a continuidade das compras externas deve limitar movimentos mais expressivos de baixa. Assim, a tendência é de manutenção das cotações em Chicago próximas aos níveis atuais.
(ii) As atenções seguem voltadas à consolidação da safra norte-americana, ao ritmo de plantio no Brasil e às condições climáticas no Centro-Oeste. Embora a melhora das chuvas reduza os riscos imediatos, eventuais atrasos na semeadura podem adicionar prêmio climático às cotações.
(iii) No longo prazo, a perspectiva de safra cheia nos EUA e ampla oferta global tende a pressionar os vencimentos mais distantes, embora estoques globais mais apertados e eventuais revisões baixistas do USDA limitem quedas acentuadas.
(iv) Nesse contexto, eventuais altas ao longo do período podem representar oportunidades para a adoção de estratégias de proteção por meio da compra de opções de venda (puts), garantindo um preço mínimo de comercialização e reduzindo a exposição a quedas futuras.
MILHO
Perspectivas – 28/09 a 02/10/2026
No dia 30 de setembro, está prevista a divulgação do relatório trimestral de estoques dos Estados Unidos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
A depender dos números divulgados, estoques acima das expectativas poderão pressionar as cotações na Bolsa de Chicago, especialmente em um momento em que o país se encontra em plena colheita. Por outro lado, estoques abaixo do esperado poderão oferecer suporte aos preços na CBOT.
O conflito na região do Mar Negro ainda não apresenta sinais concretos de trégua. Dessa forma, os impactos sobre a logística de exportação da região podem persistir e continuar influenciando a formação dos preços internacionais.
No Brasil, o mês de outubro tende a ser estratégico, marcado pela concorrência entre a oferta argentina e a norte-americana, em meio ao avanço da colheita nos Estados Unidos. O mercado interno acompanhará de perto o ritmo dos embarques ao longo do mês, uma vez que a maior competitividade do milho disponível no mercado internacional poderá pressionar os prêmios nos portos brasileiros e direcionar parte da demanda para origens concorrentes mais atrativas.
Racional Estratégico
(i) No curto prazo, a CBOT tende a operar com estabilidade e viés de baixa, refletindo o avanço da colheita nos Estados Unidos e a ampliação da oferta global. A competitividade do milho argentino também contribui para pressionar as cotações, embora os riscos geopolíticos no Mar Negro possam limitar movimentos de queda mais acentuados.
(ii) Na B3, a tendência é de estabilidade, com os preços acompanhando o comportamento de Chicago e o desempenho das exportações brasileiras. A menor liquidez do mercado físico e a postura mais cautelosa dos produtores oferecem suporte às cotações, enquanto a maior concorrência internacional limita movimentos mais consistentes de alta.
(iii) No médio prazo, a ampla oferta global tende a restringir valorizações mais expressivas, à medida que se consolidam a safra norte-americana e o avanço das exportações argentinas. No Brasil, o mercado seguirá acompanhando o desempenho dos embarques, o ritmo de plantio da soja e a evolução dos custos dos fertilizantes nitrogenados.
(iv) No longo prazo, os preços tendem a refletir um cenário mais equilibrado entre oferta e demanda, incorporando os riscos climáticos para as próximas safras, os custos de produção ainda elevados e a demanda resiliente dos segmentos de ração animal e etanol.
(v) Nesse contexto, eventuais repiques das cotações podem representar oportunidades para a adoção de estratégias de proteção, especialmente por meio da compra de opções de venda (puts), permitindo a fixação de preços mínimos de comercialização e, ao mesmo tempo, preservando o potencial de ganhos em cenários de alta.
CAFÉ
Perspectivas – 28/09 a 02/10/2026
O cenário geopolítico segue demandando atenção dos mercados globais. O conflito no Oriente Médio ainda não apresenta sinais concretos de trégua e, nesse contexto, os preços do petróleo podem permanecer em patamares elevados. Como consequência, os fertilizantes tendem a ficar mais caros, pressionando os custos de produção.
A safra mundial atual supera a da temporada anterior, com produção estimada em 183 milhões de sacas, ante 180 milhões de sacas. Dessa forma, as cotações nas bolsas tendem a permanecer pressionadas pela maior disponibilidade de oferta. O mercado também deverá seguir atento aos embarques de café do Brasil e do Vietnã, que dispõem de produto disponível para exportação no curto e médio prazos.
O clima favorável no Vietnã continua representando um fator de pressão baixista para as cotações na Bolsa de Londres.§ No Brasil, consultorias e agentes de mercado deverão intensificar o monitoramento do pegamento floral e do desenvolvimento das flores que darão origem à safra 2027.
O clima favorável, a evolução das floradas brasileiras e a manutenção de exportações elevadas são fatores que podem manter o mercado global com viés baixista ao longo das próximas semanas.§ Nesse contexto, salvo a ocorrência de problemas climáticos relevantes ou o surgimento de novos riscos geopolíticos, o mercado tende a permanecer pressionado pela elevada disponibilidade de oferta, limitando movimentos mais expressivos de alta.
Racional Estratégico
(i) No curto prazo, o mercado tende a permanecer estável, porém com viés baixista. O elevado volume de exportações, o encerramento da colheita, o avanço do beneficiamento e as perspectivas favoráveis para a safra 2027 seguem pressionando as cotações. Em contrapartida, os baixos estoques certificados da ICE, a comercialização seletiva pelos produtores e o monitoramento das condições climáticas limitam movimentos mais acentuados de queda, mantendo a volatilidade tanto na B3 quanto na ICE.
(ii) No médio prazo, o viés permanece baixista, diante da expectativa de maior oferta global, do ritmo elevado das exportações brasileiras e da recomposição gradual dos estoques certificados da ICE. Também permanecem no radar o início da colheita no Vietnã e o avanço da safra principal da Colômbia. Ainda assim, os baixos estoques em Nova York, os custos de produção elevados e eventuais riscos climáticos tendem a restringir movimentos de baixa mais intensos.
(iii) No longo prazo, os riscos climáticos associados ao El Niño durante a formação dos chumbinhos, somados à bienalidade negativa do arábica em 2027/28, sustentam um viés altista para os preços. Por outro lado, a perspectiva de uma safra recorde no Brasil, a recuperação da oferta em outros países produtores e as incertezas em relação à demanda global podem moderar esse movimento.
(iv) Nesse contexto, eventuais recuperações das cotações podem representar oportunidades para a adoção gradual de estratégias de proteção. A compra de opções de venda (puts) permanece como uma alternativa para garantir um preço mínimo de comercialização, preservando, ao mesmo tempo, a participação em eventuais movimentos de alta.
BOI GORDO
Perspectivas – 28/09 a 02/10/2026
A recuperação dos embarques na quarta semana de setembro será um importante termômetro para avaliar a consistência da demanda internacional, em um contexto em que os volumes seguem abaixo dos registrados no mesmo período de 2025.
No mercado interno, a oferta restrita de animais terminados tende a continuar sustentando as cotações do boi gordo no curto prazo, especialmente enquanto as escalas de abate permanecerem enxutas.
O mercado de reposição segue atento à valorização do bezerro, que continua pressionando os custos de recria e engorda e reduzindo as margens dos sistemas intensivos de produção. A relação de troca entre boi gordo e bezerro permanece desfavorável ao pecuarista terminador, fator que pode limitar a demanda por animais jovens e comprometer a rentabilidade da atividade.
Os contratos futuros de boi gordo na B3 para novembro e dezembro permanecem próximos de R$ 390,00/@, sinalizando expectativa de preços firmes para o último trimestre de 2026. Entre os principais riscos para esse cenário destacam-se uma eventual desaceleração do consumo doméstico, a manutenção do ritmo mais lento das exportações e um aumento da oferta de animais terminados ao longo do período.
Racional Estratégico
(i) No curto prazo, o mercado do boi gordo deve manter viés levemente altista. A oferta restrita de animais terminados e as escalas de abate ajustadas continuam sustentando as cotações. Além disso, a valorização do bezerro mantém pressão sobre os custos de reposição, enquanto a expectativa de recuperação dos embarques pode contribuir para a manutenção dos preços em patamares elevados. Por outro lado, o ritmo ainda abaixo do esperado das exportações tende a limitar movimentos mais intensos de alta.
(ii) No médio prazo, o viés permanece altista. A redução do abate de fêmeas, os preços elevados do bezerro e a perspectiva de menor oferta de animais terminados continuam favorecendo a sustentação da arroba. Pelo lado da demanda, a expectativa de recuperação das exportações e a possível antecipação das compras chinesas para a cota de 2027 reforçam o cenário positivo. Mesmo com a suspensão das exportações para a União Europeia e um consumo doméstico mais moderado, os fundamentos seguem favoráveis para a manutenção de preços firmes e novas valorizações ao longo do período.
(iii) No longo prazo, a expectativa de menor oferta relativa de animais, decorrente da maior concentração de bovinos oriundos de confinamento e do ajuste do ciclo pecuário, combinada à continuidade das exportações em níveis elevados e à demanda global firme por proteína bovina, tende a favorecer uma trajetória de valorização da arroba.
(iv) Diante da expectativa de valorização da arroba, especialmente no último trimestre do ano, mas considerando os riscos externos relacionados a tarifas e às incertezas envolvendo as exportações, uma estratégia interessante para o pecuarista que busca proteção sem abrir mão de potenciais ganhos é a aquisição gradual de opções de venda (puts). Essa alternativa permite estabelecer um preço mínimo para a arroba, preservando ao mesmo tempo a possibilidade de capturar ganhos adicionais caso o mercado continue em trajetória de alta.
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