Cenário Agro Semanal
O que esperar dos mercados de commodities agrícolas
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
11/05/2026 às 10:38
O mercado agropecuário global segue influenciado por uma combinação de fatores climáticos, econômicos e geopolíticos, que impactam diretamente a produção, comercialização e os preços das principais commodities agrícolas. Neste boletim, analisamos os principais destaques e tendências para os mercados de soja, milho, café e boi gordo, com foco nas condições das safras, movimentações comerciais e expectativas para os próximos períodos.
Confira o video em: https://www.youtube.com/watch?v=f4Q5yVKxyQw
SOJA
A divulgação do relatório de Estimativas Mundiais de Oferta e Demanda Agrícola do USDA, apresentará novas projeções de produção e consumo para as principais commodities agrícolas. O que poderá resultar em novo posicionamento do mercado frente aos eventuais ajustes nas estimativas de estoques finais. Surpresas em relação ao cenário já precificado podem provocar oscilações imediatas nas cotações.
O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para próxima semana, eleva a possibilidade de acordos comerciais envolvendo a demanda chinesa pela soja norte-americana. O que poderá impactar diretamente as cotações do produto na Bolsa de Chicago, a CBOT.
As cotações do complexo soja, especialmente do óleo de soja, podem ser afetadas, no curto prazo, pelas oscilações no preço do petróleo, do dólar e pela atuação dos fundos de investimento.
Com o cenário de preços firmes em Chicago, prêmios positivos nos portos e recuo do dólar, os preços internos tendem a manter-se estáveis nos curto e médio prazos.
MILHO
As cotações do Milho poderão sofrer ajustes relacionados à publicação do relatório do USDA com os números para a safra 2026/27 do país.
Os dados de previsão da produção, dos estoques finais e das exportações, apresentados no relatório, poderão trazer uma nova dinâmica de preços à CBOT.
As chuvas em alguns estados têm atrasado a semeadura nos Estados Unidos. Apesar do plantio norte-americano estar 4% acima da média histórica nesta safra, em 38%, eventuais surpresas climáticas poderão ser incorporadas aos preços, em um ambiente que tem se mostrado volátil.
Já no Brasil, a Conab publicará seu boletim mensal previsto para o dia 14/05. Apesar da demanda interna aquecida, o mercado seguirá mais sensível ao câmbio. Com o enfraquecimento do dólar frente ao real e as perspectivas da oferta do cereal no mercado interno, poderão afetar as cotações futuras.
CAFÉ
Com a entrada da produção brasileira em volumes mais expressivos, há perspectiva de maior oferta de café no mercado global no curto prazo.
Apesar do início mais lento, o desenvolvimento das lavouras é considerado positivo. A projeção é de uma produção elevada, inclusive com estimativas oficiais de uma safra recorde, o que permanece no radar do mercado e segue exercendo pressão estrutural sobre as cotações.
O clima segue favorável para a colheita do café, com noites frias e tempo seco durante o dia.
O cenário geopolítico segue ainda sem perspectivas de solução, e o mercado focado nos possíveis efeitos sobre as commodities, o que tendem a dar suporte às oscilações nas bolsas.
O mercado segue sensível às condições da safra no Brasil, e ao comportamento da oferta nas próximas semanas. Tais fatores devem continuar direcionando os preços no curto e médios prazos.
O mercado físico brasileiro de café arábica seguirá com baixos volumes de negócios fechados, enquanto o conilon mantém a tendência de um maior volume de negócios.
BOI GORDO
As indústrias passarão a ofertar preços mais baixos nas principais regiões de comercialização. A sazonalidade exercerá papel relevante neste movimento. No segundo trimestre a qualidade das pastagens tendem a cair, reduzindo assim a capacidade de retenção do pecuarista, o que eleva a necessidade de negociação e da oferta de animais.
Observa-se que o já precifica um movimento de queda um pouco mais acentuado até agosto, refletindo o período de transição para a entressafra do pasto e às incertezas quanto ao ritmo das exportações, em especial para a China.
Apesar da pressão concentrada nos meses mais secos, a oferta de animais tende a ser mais cadenciada em comparação ao ano passado, fator que limita quedas mais expressivas. Por isso, ajustes negativos deverão ocorrer de forma pontual, mantendo assim o viés positivo para a atividade ao longo do ano.
Ainda assim, os investimentos empregados na atividade pecuária deverão ser preservados das oscilações de mercado, seja no valor do boi gordo ou dos insumos utilizados na nutrição animal. Diante disso, sugere-se a adoção das estratégias de mitigação de risco para garantia de preços.

