Bitcoin perde espaço? Stablecoins lideram compras na América Latina, mostra Bitso
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
06/05/2026 às 14:22
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 05/05/2026 - As stablecoins foram a categoria de criptoativos mais comprada na América Latina em 2025, superando pela primeira vez o , aponta a Bitso em seu relatório "Panorama Cripto na América Latina 2025". Segundo a plataforma, os ativos lastreados em dólar - especialmente USDT e USDC - puxaram o movimento.
Os dados mostram que, no ano passado, compras de USDC representaram 24% das transações registradas pela Bitso na região. Em seguida, vieram o Bitcoin (18%) e a USDT (16%).
"Em várias economias latino-americanas, as stablecoins funcionam cada vez mais como representações digitais do dólar americano, permitindo que indivíduos e empresas preservem valor em ambientes historicamente afetados pela volatilidade cambial e pela inflação", aponta a Bitso.
Ou seja, na avaliação da empresa, as stablecoins não são mais uma ferramenta de negociação, mas sim uma forma que os latino-americanos encontraram para manter reservas em dólar, em um fenômeno que tem sido chamado de "dolarização digital".
"Essa dinâmica reflete um fenômeno mais amplo frequentemente descrito como dolarização digital, em que os dólares baseados em blockchain oferecem alternativas mais rápidas e acessíveis aos canais bancários tradicionais", afirmou a Bitso no relatório.
Bitcoin como reserva de valor
Em meio ao maior volume de compras de stablecoins, o Bitcoin permaneceu como o ativo mais mantido na carteira dos investidores da América Latina, com uma participação de 52%.
Segundo a Bitso, o dado demonstra que os investidores que detêm BTC "não estão liquidando suas posições" e mantendo a moeda digital mesmo em um cenário de volatilidade, o que mostra uma maior disposição em investir por "convicção" do que por "especulação".
Estudantes brasileiros na Argentina impulsionam uso de criptoativos
O relatório mostrou ainda que o uso de criptomoedas como ferramenta financeira no dia a dia já é uma realidade para os cerca de 23 mil de brasileiros que estudam na Argentina - em especial cursos de Medicina.
Segundo o estudo, o par de negociação ARS/BRL (pesos argentinos/reais) está entre os mais dominantes no Brasil, o que pode refletir esse aumento do número de brasileiros que vivem e estudam na Argentina.
"As transações, com valores médios entre US$ 200 e US$ 300 dólares, acompanham o custo de vida estudantil e são frequentemente utilizadas para cobrir despesas como aluguel, alimentação e mensalidades", avalia a Bitso.
Dos mais de 90 mil brasileiros residentes na Argentina, cerca de 23 mil são estudantes universitários, de acordo com o Ministério de Relações Exteriores. Desses, mais de 20 mil estão matriculados em cursos de Medicina, o equivalente a 12% do total de estudantes da área no país.

