Bets já são as maiores vilãs do endividamento no Brasil, mostra estudo
Publicado por: Broadcast Exclusivo
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Atualizado em
24/03/2026 às 13:41
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
O Brasil terminou fevereiro com um número recorde de 81,7 milhões de CPFs negativados, afirmou nesta terça-feira a economista-chefe do Serasa Experian, Camila Abdelmalak em entrevista à Broadcast. E há indícios de que exista uma nova vilã nesse cenário de endividamento da população: as apostas online, ou bets.
Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School, mostra que houve uma mudança estrutural no perfil das pressões financeiras sofridas pelos brasileiros entre dezembro de 2011 e dezembro de 2025, com as bets superando o crédito e os juros como item de maior impacto no endividamento das famílias.
A pesquisa teve como base dados do , do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e métricas de interesse capturadas nas redes sociais.
Após a aplicação de cálculos e modelos econométricos, concluiu-se que o coeficiente associado às apostas (0,2255) superou com ampla margem o peso do crédito sobre a renda (0,0440) e dos juros ao consumidor (0,0709) no cenário da inadimplência.
"Ao longo do período analisado, observou-se uma leve tendência de desaceleração no crescimento do endividamento. No entanto, após a entrada das apostas esportivas - legalizadas em 2018 e amplamente difundidas a partir de 2019, antes da regulamentação definitiva em 2023 - a dinâmica da dívida ganha novo impulso", aponta Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School.
Tendência internacional
O estudo confirma algo já observado em pesquisas realizadas nos Estados Unidos, onde a Suprema Corte liberou o mercado de bets em 2018. De acordo com o Ibevar, estudos americanos apontam que a legalização provocou aumento rápido e persistente no volume apostado, redução da poupança e queda nos investimentos.
E os efeitos negativos se concentram, principalmente, em famílias mais vulneráveis financeiramente, levando a um aumento nas dívidas de cartão de crédito e uso de cheque especial. No Brasil, os dados indicam fenômeno semelhante, na avaliação do Ibevar.
"A conclusão do estudo é clara: o crescimento acelerado do mercado de bets não é apenas uma questão regulatória ou tributária - trata-se de um fator macroeconômico com potencial de ampliar a vulnerabilidade financeira e pressionar o endividamento doméstico no médio e longo prazos", comenta Felisoni.

