Abriu um MEI? Veja os erros financeiros que podem colocar seu negócio em risco
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
19/10/2026 às 12:14
Por Soraia Budaibes, da Broadcast
São Paulo, 19/10/2026 - O Brasil registrou a abertura de 3,6 milhões de novos negócios de janeiro a julho deste ano, um crescimento de quase 14% acima do apurado no mesmo período do ano passado. De acordo com o Sebrae, desse total, 3,4 milhões ou 96,7% correspondem a microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte.
Mas, depois de conquistar um CNPJ, muitos empreendedores esbarram em um problema que pode comprometer o futuro do negócio: a falta de controle sobre o próprio dinheiro, com atenção ao caixa, impostos, folha de pagamento, cobranças, contratos e resultados. Por isso, segundo especialistas, é fundamental se organizar desde o início da operação.
Para Jean Lucas Paiva, contador, sócio da Consult Seven, o ponto de partida é o registro. "Abrir o CNPJ é uma etapa administrativa. A empresa começa de fato quando precisa vender, receber, pagar, contratar, recolher tributos e entender se a operação está gerando resultado. Se os controles não crescem junto com o negócio, o empresário pode perder a visão do que realmente acontece com o dinheiro", afirma.
Após feito o registro, a gestão do negócio passa a exigir mais do que procedimentos cadastrais. Entra em cena a organização de emissão de documentos fiscais, contas a pagar e receber, folha de pagamento, obrigações tributárias, contratos, conciliação bancária, fluxo de caixa e indicadores.
Embora a abertura do CNPJ seja rápida, manter a gestão financeira e contábil em dia exige trabalho contínuo. O risco surge no desalinhamento de dados entre os setores ou quando o empresário usa apenas o saldo bancário para fazer as contratações, investimentos e retiradas, alerta Paiva.
Qual a importância de separar a conta jurídica da física?
Outro erro grande e frequente é quando o empreendedor mistura as contas da empresa com as pessoais. Separar a conta jurídica da física "é o pilar fundamental para a saúde financeira de qualquer negócio", afirma Simone Santolin, especialista em finanças e gestão empresarial.
Para ela, misturar as finanças dificulta a visualização do lucro real, compromete o controle de fluxo de caixa, gera riscos fiscais e impede o empresário de compreender se a empresa é realmente rentável ou se está apenas sobrevivendo à base de confusão patrimonial.
Usar o caixa da empresa para pagar as contas pessoais pode gerar riscos ocultos. A ilusão de ter dinheiro em caixa é uma das ciladas mais comprometedoras para a gestão de micro, pequenas e empresas. A chamada "falsa sensação de liquidez" mascara custos e despesas excessivas na vida pessoal.
"Isso desorganiza completamente o planejamento tributário, prejudica análises de rentabilidade, compromete a saúde financeira do CNPJ e pode levar o negócio à insolvência silenciosa, além de expor o empreendedor a problemas contábeis e fiscais graves", reforça.
E como deve ser a remuneração do sócio?
Além de o costume de utilizar a conta jurídica para suprir despesas particulares, a falta de um pró-labore fixo também cria um ciclo vicioso de descontrole financeiro. A prática esvazia o caixa das micro e pequenas empresas e leva o empreendedor ao endividamento permanente, comprometendo a gestão real do fluxo de caixa desde os primeiros meses.
"Essa retirada deve funcionar como um custo fixo rigoroso do negócio. O empresário precisa viver dentro desse limite estipulado, e qualquer valor extra deve vir de distribuição de lucros planejada e apurada contabilmente", orienta ainda a especialista.

