A febre da IA acabou? Veja o que o investidor precisa saber agora
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
14/09/2026 às 12:10
Por Soraia Budaibes e Karla Spotorno, da Broadcast
São Paulo, 14/09/2026 - A febre da Inteligência Artificial (IA) contaminou o mundo e por aqui não foi diferente. Segundo última pesquisa divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, 50 milhões de pessoas - mais de 30% dos usuários de internet -, usam IA generativa todos os dias, seja para ajudar no trabalho, nos estudos ou para buscar e checar informações diversas.
Agora, entretanto, um sinal de alerta acendeu, após o CEO da OpenAI, Sam Altamn, e o mega empresário Elon Musk, mostrarem preocupação com o avanço frenético desse tipo de plataforma.
Altman, apesar de ser uma das figuras centrais no desenvolvimento da IA moderna, frequentemente fala sobre a necessidade de uma regulamentação cuidadosa e de uma abordagem ética no desenvolvimento da tecnologia.
Já Musk menciona de forma recorrente uma maior "ameaça existencial" da IA para a humanidade. O dono da SpaceXAI, entre outras companhias gigantes, teme um cenário onde uma superinteligência artificial possa superar a inteligência humana e se tornar incontrolável.
No mesmo sentido, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defende que a indústria de IA desacelere o desenvolvimento para que medidas de segurança acompanhem a evolução da tecnologia.
Segundo ele, sem controles adicionais, a IA poderia atingir níveis críticos de capacidade em seis a 12 meses. Amodei propõe ampliar verificações e controles, com coordenação entre empresas e governos para reduzir os riscos.
A cautela, inicialmente, não tem o apoio do presidente americano, Donald Trump. Recentemente, o líder da Casa Branca disse que impedir o avanço da IA, nos Estados Unidos, pode comprometer a liderança do país para a China, apesar de admitir a necessidade de regras de segurança.
Valuation sob avaliação
Segundo relatório do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), divulgado hoje, as incertezas sobre o valuation das empresas de tecnologia e um possível investimento excessivo em seus projetos têm chamado a atenção do mercado.
"No fim de junho, o impulso positivo nas ações de tecnologia começou a vacilar à medida que os desafios macroeconômicos de um conflito prolongado dos EUA no Irã pesaram sobre o sentimento. Isso foi agravado pela inquietação dos investidores sobre a lucratividade futura desses grandes investimentos em IA feitos por grandes empresas de tecnologia dos EUA ativas em computação em nuvem e centros de dados", diz o BIS no documento.
Ainda de acordo com o relatório, o investidor passou a exigir prêmios mais altos das empresas ligadas à IA, o que gerou aumento da alavancagem, com maior emissão de dívida e dúvidas sobre margens.
A eventual desaceleração no desenvolvimento dos modelos mais avançados pode mudar a composição dos investimentos em IA, mais do que necessariamente reduzi-los, favorecendo segurança e infraestrutura protegida em detrimento de parte dos gastos com treinamento das plataformas generativas, aponta do BIS.
Nos EUA, a Nvidia (NVDA) teria impacto potencialmente negativo se o treinamento perdesse ritmo, embora a demanda por inferência possa compensar parte do efeito.
Já Microsoft (MSFT), Alphabet (GOOGL) e Amazon (AMZN) teriam efeito misto, com possível postergação de projetos de IA, mas sustentação dos negócios de nuvem.
E no mercado doméstico?
Na Bolsa brasileira, avaliam analistas, Totvs (TOTS3) tende a ter um impacto mais limitado de uma eventual desaceleração da IA. Positivo (POSI3) seria mais vulnerável a eventual postergação de investimentos em hardware. Intelbras (INTB3) e Locaweb (LWSA3) poderiam se beneficiar, em tese, de maior demanda por segurança e infraestrutura digital.
Nesta segunda-feira, as bolsas de Nova York operam em queda, com o índice mais voltado à tecnologia, o Nasdaq, registrando a maior baixa, de 1,12% perto das 11h45, diante da realização de lucros de ativos ligados à IA.
Aqui, a sessão também é de desvalorização para o Ibovespa, que cedia 1% no horário. As ações da Totvs, entretanto, subiam 1,43%.
Vale lembrar que um possível freio ou desaceleração na expansão da IA lá fora pode respingar no investidor brasileiro que esteja alocado em um fundos de índice (ETFs) de tecnologia.

