BB-BI analisa a Dexco sob a ótica do crédito privado
BB-BI analisa emissores de dívida
Publicado por: Análise BB
9 minutos
Atualizado em
05/09/2025 às 17:37
Sobre a empresa
A Dexco é formada pela associação entre a Duratex S.A. (antiga denominação da companhia) e a Satipel Industrial S.A., e atua em duas frentes de negócios: (i) Madeira, que engloba as operações florestais, fabricação de painéis e pisos de madeira reconstituída e celulose solúvel; e (ii) Acabamentos para Construção, que engloba as divisões de metais e louças e a de revestimentos. O controle da empresa é detido pela Itaúsa (40,8%) e pelo Bloco Seibel (20,4%), com as demais ações sendo negociadas na B3 sob o ticker DXCO3. A empresa opera sob as marcas Deca, Hydra, Duratex, Durafloor, Ceusa, Portinari e Castelatto.
Em 2021, a Dexco anunciou o projeto de Novo Ciclo de Investimentos (2021-2025) com foco em aprimorar o mix de portfólio e melhorar sua produtividade e eficiência. O dispêndio total esperado para o projeto, quando anunciado, era de R$ 2,5 bilhões, mas foi revisado para R$ 1,8 bilhão no 2T23 em razão das condições adversas do mercado e do cenário macroeconômico.
Desde a segunda metade de 2022 a companhia tem enfrentado um ambiente de negócios mais desafiador, com forte retração de demanda e impacto nas margens operacionais, especialmente no segmento de metais e louças e revestimentos. A Dexco implementou diversas ações de reestruturação ao longo do ano de 2023, como a revisão do footprint fabril de louças e revestimentos, que combinadas à retomada da demanda e melhores ventos do cenário macro, resultaram em números mais positivos no primeiro semestre de 2024, embora a alavancagem permaneça elevada.


Contexto operacional recente e análise financeira
A Dexco reportou evolução de receita e EBITDA consolidados no 2T24, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, com a divisão de madeira mantendo os resultados sólidos e a divisão de acabamentos para construção apresentando trajetória de melhora, com um mercado ainda desafiador em revestimentos, mas com evolução importante em metais e louças – resultado das ações de reestruturação da companhia realizadas ao longo de 2023, refletida na melhora de mix e custos.
A companhia encerrou o 2T24 com dívida líquida de R$ 5,2 bilhões, crescimento anual de 15% e aumento nominal de R$ 302 milhões em relação ao 1T24, este último justificado pelo maior consumo de caixa em virtude dos projetos do Ciclo de Investimentos 2021-2025. No acumulado do semestre, os investimentos relacionados a estes projetos somaram R$ 205 milhões, com destaque para o desembolso referente à nova fábrica de Revestimentos Cerâmicos em Botucatu (SP). Mesmo com o avanço sequencial do EBITDA da companhia, a alavancagem financeira apresentou leve aumento, para 3,46x dívida líquida/EBITDA ao final do 2T24, versus 3,32x no 1T24, com o custo médio da dívida em 104% do CDI e prazo médio de vencimento em 4,6 anos.
Em maio de 2024, a companhia desembolsou a primeira parcela de amortização das debêntures simples emitidas em 2019 (valor total de R$ 1,2 bilhão, com juros remuneratórios de 108% do CDI e periodicidade semestral), no montante de R$ 600 milhões, com a próxima parcela a ser amortizada em maio de 2026. Esta emissão de debêntures possui cláusula restritiva (covenant) de indicador dívida líquida/EBITDA <= a 4,0x.
Em relação à participação de cada segmento nos resultados da companhia, o setor de Madeira, que tem sido responsável por cerca de 60% dos resultados consolidados nos últimos anos, tem se mantido resiliente, com ganhos de market share. Por outro lado, a divisão de Acabamentos para a Construção foi bastante impactada pela piora do cenário macroeconômico desde o período pós-pandemia, com forte retração de demanda, piora no mix de produtos e custos mais elevados comprometendo as margens operacionais, principalmente a partir do 2T22. No entanto, à medida que os frutos das ações de reestruturação da companhia, realizadas ao longo de 2023, vão se concretizando (como visto nos resultados do 1S24), em conjunto com melhores perspectivas de demanda no mercado interno no segmento de acabamentos e a resiliência da divisão de madeira, a expectativa é que os ventos contrários tenham ficado para trás e a companhia possa continuar reportando melhora sequencial de resultados operacionais, com consequente desalavancagem financeira.
Desde 2018 a Dexco faz parte de uma joint-venture com o Grupo Lenzing para constituição da LD Celulose, na qual mantém 49% de participação – os resultados dessa companhia integram os resultados consolidados da Dexco na linha de equivalência patrimonial. A LD Celulose teve seu primeiro trimestre totalmente operacional no 4T22 e tem capacidade de produção de 500 mil toneladas de celulose solúvel, destinada ao mercado têxtil, atendendo exclusivamente a produção da Lenzing. A LD Celulose gerou EBITDA de R$ 607,3 milhões e prejuízo líquido de R$ 104,9 milhões no 1S24. Além de contribuir para a diversificação dos negócios, a LD Celulose pode vir a pagar dividendos (em dólar) à Dexco no longo prazo. No entanto, vale mencionar que a Dexco concedeu garantias em operações financeiras (dívidas e financiamentos) da LD Celulose em montante que correspondia a R$ 3,2 bilhões ao final do 2T24 – não contabilizado no total da dívida bruta reportada.

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