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Mercado

Vitru Educação vai estrear na B3 mas ainda não signifca a volta dos IPOs no Brasil

Publicado por: Broadcast Exclusivo

conteúdo de tipo Leitura3 minutos

Atualizado em

07/06/2024 às 14:42

Por Gustavo Boldrini, do Broadcast

O mercado de ações do Brasil não registra uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) desde 2021, mas a perspectiva é que esse quadro comece a mudar nos próximos meses. A partir da próxima segunda-feira (10), o investidor brasileiro finalmente terá uma nova ação à sua disposição na Bolsa: a empresa de educação Vitru, uma das principais operadoras de ensino à distância (EAD) do País.

Sua estreia na B3, porém, não se tratará de um IPO. Afinal, a Vitru abriu capital na bolsa Nasdaq, em Nova York, ainda em 2020, levantando US$ 370 milhões na época. O que acontecerá é uma troca do mercado onde os papéis são negociados: não mais nos EUA, e sim no Brasil.

Será a primeira vez que uma empresa com ações listadas em Nova York migrará sua base acionária para a B3. A medida é fruto de uma reorganização societária anunciada pela Vitru ainda em 2022, na qual a Vitru Brasil, unidade brasileira da companhia, incorporará a Vitru Limited, que é listada nos EUA e detém 100% da Vitru Brasil.

Ou seja, haverá uma incorporação reversa: a empresa controlada, no caso a Vitru Brasil, incorporará a controladora, Vitru Limited, criando uma nova companhia, que terá as ações negociadas na B3 a partir de 10 de junho com o código de negociação (ticker) VTRU3.

Quando voltarão os IPOs no Brasil?

O Brasil segue sem listagem de novas empresas há dois anos, e vamos chegando à metade de 2024 sem nenhuma oferta em análise no banco de dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A razão tem base macroeconômica. Conforme o Banco Central começou a subir os juros em 2022 como forma de combater a inflação causada pela reabertura econômica pós-pandemia, o apetite por ativos de risco brasileiro caiu e as empresas tiveram mais dificuldade de emplacar ofertas. Afinal, com a taxa Selic na casa de dois dígitos, investir em companhias que estão chegando no mercado se torna mais arriscado, uma vez que investimentos em renda fixa oferecem remuneração competitiva e com previsibilidade.

"A carteira de IPOs está crescendo em vários setores, mas espera-se que as empresas que estrearão em 2024 sejam lucrativas e em escala de setores tradicionais. No entanto, isto depende de uma melhoria do contexto do mercado, incluindo a perspectiva de taxas de juro de um dígito, entre outros fatores", pontua Rafael Alves dos Santos, sócio e especialista em IPO na consultoria EY.

IPOs pelo mundo

O número de IPOs de empresas nas bolsas de valores pelo mundo caiu 7% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2023, de 307 para 287, segundo estudo recente publicado pela EY.

Em termos de receitas, os dados apontam para o sentido contrário. O volume de recursos levantados em IPOs entre janeiro e março deste ano subiu 7% ante igual período do ano passado, atingindo US$ 23,7 bilhões.

Os dados mostram que parte da queda dos volumes tem origem na região da Ásia-Pacífico, onde houve recuo de 34% na quantidade de ofertas públicas e de 56% nas receitas dessas ofertas. Analistas citam a menor liquidez, a alta taxa de juros em Hong Kong e uma parada temporária dos IPOs na China como causas desse recuo.

Na região das Américas, por outro lado, houve crescimento de 21% no número de IPOs e de 178% em receita. Os dados incluem mercados da América do Norte e da América Latina.

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